Os rumores por detrás da emigração de milhares de crianças sem documentos aos EUA

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Por: Caroline | 07 Julho 2014

As autoridades nos Estados Unidos enfrentam a crise migratória mais grave dos últimos anos, com a chegada à fronteira sul do país de mais de 50.000 menores de idade sem documentos, desde o último mês passado.

A reportagem é de Jaime González, publicada por BBC Mundo,02-07-2014. A tradução é do Cepat.

Fonte: http://goo.gl/D8xisc

Os líderes do Partido Republicano tem se apressado em designar a culpa desta situação – que obrigou a improvisar a abertura de dezenas de centros de acolhida para abrigar os menores – às políticas migratórias da adminsitração de Barack Obama, visto que o presidente estadunidense já deportou mais imigrantes que qualquer um de seus predecessores no cargo.

Entre outras coisas, os republicanos asseguraram que o conhecido como Programa de Ação Diferida (DACA, na sigla em inglês), instaurado por Obama há dois anos e que permite que os imigrantes que cheguem ao país ainda crianças sejam eximidos temporariamente de serem expulsos, está tendo um efeito de chamada para aqueles que não possuem documentos.

Da Casa Branca a defesa é feita assegurando que o espetacular aumento no número de crianças e mães com filhos pequenos que estão chegando à fronteira está relacionado com o deterioramento das condições econômicas e de segurança em lugares como Guatemala, Honduras e El Salvador, principais países de origem dos menores.

Esta última teoria é referendada pelas organizações não governamentais que trabalham com imigrantes e que assinalam que muitos daqueles sem documentos estão viajando para os EUA fugindo da pobreza e da violência.

Contudo, os ativistas e jornalistas que estão cobrindo esta crise sobre o terreno, concordam que uma das causas desta situação são os falsos rumores que os traficantes de pessoas e os próprios imigrantes que se encontram em solo estadunidense estão fazendo circular pela América Central e que apontam uma mudança nas políticas migratórias de Washington.

“Os truques dos coiotes”

O governo de Barack Obama pediu mais meios ao Congresso dos EUA para fazer frente a esta crise migratória.

“Na Guatemala todo mundo sabe que os traficantes de pessoas estão enganando a população, principalmente nas áreas rurais do país, dizendo que nos EUA está sendo permitido a permanência de mulheres que vão acompanhadas de um de seus filhos”, explica Mundo Sergio Morales, jornalista do jornal guatemalteco Prensa Libre, em uma conversa com BBC Mundo.

De acordo com Morales, “os coiotes também estão dizendo às crianças que podem entrar sem nenhum problema nos EUA e que a única coisa que tem que fazer é se entregar as forças de segurança”.

“Por aqui os rumores têm sido constantes desde que se tornou conhecido o tema da reforma migratória. Quando começaram a correr os rumores foi quando começou a crescer de maneira abrupta a imigração aos EUA”, assinala o jornalista do Prensa Libre.

“Na Guatemala continua havendo pobreza e falta de oportunidades. As crianças continuam sem ter acesso à educação e a violência segue presente, contudo o que ocorre agora está muito relacionado com os truques dos coiotes”, afirma Morales.

Alejandro Pérez, jornalista do guatemalteco Plaza Pública, assegura que muitas crianças e adolescentes estão arriscando a vida para viajar para os EUA por medo que as gangues os matem e pela pobreza que afeta suas comunidades.

Além disso, Pérez também acredita que os falsos rumores que circularam nos últimos meses “que afirmam que a reforma migratória, que está sendo discutida no Congresso dos EUA, pode beneficiar os imigrantes sem documentos”, está tendo um papel importante na atual crise.

Os traficantes vendem esta ideia às pessoas do interior do país. “Dizem a eles que como vai haver uma reforma migratória, podem ir aos EUA e se tornarem residentes sem problemas. Contam que, quando chegarem aos EUA, encontrarão trabalho e poderão pagar os mais de US$5.000 que lhes pedem” em troca de seus serviços, explica Pérez.

Asilo e trabalho

A mesma situação descrita na Guatamala por Sergio Morales e Alejandro Pérez, também ocorre em Honduras, como conta à BBC a jornalista do La Prensa, Ana Reyes, que está tendo a oportunidade de entrevistar vários imigrantes que chegaram aos EUA nas últimas semanas.

“Quando você fala com eles, primeiro te dizem que querem emigrar pela situação econômica e de violência que vivem no país, mas logo reconhecem que escutaram os rumores sobre como as autoridades nos EUA estão sendo mais permissivas”, assinala Reyes.

“Os traficantes de pessoas as enganam dizendo que se vão aos EUA irão receber asilo e oportunidades de trabalho. Dizem que há albergues nos quais cuidam das crianças enquanto as mães trabalham e, claro, estando aqui onde não há oportunidades, decidem arriscar suas vidas e de seus filhos para chegar aos EUA”, aponta a jornalista.

“É verdade que a violência tem um papel importante, mas esta não vem piorando tanto para justificar a quantidade de pessoas que estão indo”, conclui Reyes.

Para tratar de frear estes rumores, os meios de comunicação e os governos dos países da América Central estão realizando campanhas informativas entre a população explicando que as políticas migratórias estadunidenses não mudaram e que aqueles sem documentos continuam sendo deportados.

O paradoxo da situação é que, devido a chegada massiva de imigrantes à fronteira, as autoridades nos EUA tem sido sobrecarregadas, o que fez com que muitos menores e mulheres com crianças tenham diso colocadas em liberdade frente à impossibilidade de tramitar seus processos de deportação por falta de meios.

Além disso, de acordo com os especialistas, os rumores que apontam que os menores que viajam sem companhia de um adulto estão sendo entregues aos seus familiares em solo estadunidensse não são, de fato, de todo falso e têm seu fundamento na própria legislação do país, que estabelce que as crianças de origem canadense ou mexicana que entram ilegalmente podem ser deportadas imediatamente, mas não é assim para as crianças que chegam de outros países.

A legislação dos EUA

Uma lei aprovada em 2008 para combater o tráfico de pessoas requer que os menores oriundos de países que não fazem fronteira com os EUA seja dada a oportunidade de enfrentarem uma audiência de deportação que, em muitos casos, pode demorar anos para acontecer.

Assim, o Departamento de Segurança do Interior dos EUA (DHS, na sigla em inglês) pode apenas manter detidos os menores que não não oriundos do México ou do Canadá, durante o período máximo de 72 horas.

Após este tempo devem ser transferidos ao Escritório de Reassentamento de Refugiados do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, que os envia para albergues temporários, a espera de poder reuni-los com algum familiar que já viva nos EUA.

Antes de serem liberados, é entregue a eles uma notificação pra que compareçam futuramente frente a um juiz. Em alguns casos, os imigrantes acreditam que essas notificações são “permissões” temporárias para residir no país e isso tem criado um efeito de chamada em seus países de origem.

Assim são muitos os pais que perderam o medo de que seus filhos viagem sozinhos até os EUA, já que sabem que irão apenas entrega-los as autoridades fronteiriças, sem que corram o risco de morrer buscando entrar no país de forma ilegal pelo deserto.

No caso das mulheres sem documentos que chegam a fronteira com crianças pequenas, a política das autoridades estadunidenses estabelece que devem ser enviadas para albergues em istalações especiais nas quais possam ficar junto a seus filhos.

O problema é que, até o estalo da atual crise migratória, havia apenas um centro deste tipo, de forma que as autoridades não remediarão a situação de outra forma que não seja liberar essas mães entregando a elas uma notificação para que compareçam diante a um juiz.

Frente a esta situação, o governo de Barack Obama anunciou há alguns dias que pensa em abir novos centros de internamentos familiares, o que evitaria que, como vem ocorrendo até agora, tenham que liberar a maior parte das mulheres que viajam com crianças.

A Casa Branca também pediu ao congresso uma ajuda adicional de US$ 2 bilhões para dotar de mais meios a Patrulha Fronteiriça e as cortes que se encarregam dos processos de deportação, assim como as agências que estão fazendo frente à “crise humanitária” desatada pela chegada massiva de pessoas sem documentos.

Além disso, com o objetivo de acelerar as deportações de menores centroamericanos, solicitaram que seja permitida a introdução de mudanças na legislação atual que estabelece que aos menores oriundos de países não fronteiriços seja dada a oportunidade de enfrentar a uma audência de deportação.

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