“Há nostalgia na sociedade de nosso projeto”, afirma Lugo

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Por: Jonas | 24 Junho 2014

O ex-presidente paraguaio Fernando Lugo (foto), atual senador da Frente Guasú, defendeu sua independência ideológica, dois anos após a sua destituição em um controvertido julgamento político. “Não sou marca da esquerda, mas tampouco da direita. Eu fui marcado pela democracia cristã”, afirmou o ex-mandatário que chegou ao poder em 2008, após trabalhar uma aliança inédita com os liberais para encerrar 61 anos de onipresença do Partido Colorado. “Os de esquerda diziam que eu era de direita e os de direita diziam que eu era um esquerdista ideologizado, vendido a (Hugo) Chávez, mas a partir da fé ninguém pode negar que minha opção sempre foi pelos mais pobres”, explicou Lugo.

 
Fonte: http://goo.gl/cxqJ5p  

A reportagem é publicada por Página/12, 23-06-2014. A tradução é do Cepat.

O ex-presidente recordou, além disso, que era amigo do falecido presidente venezuelano e que tinham “uma questão psicoafetiva muito forte. Ele também era um homem muito religioso, com suas luzes e sombras”, disse Lugo, que reconheceu que ambos tiveram diferenças de opinião em alguns aspectos. Lugo foi destituído pelo Parlamento no dia 22 de junho de 2012, uma semana depois de uma operação policial, assim como muitas outras realizadas durante as numerosas ocupações de terra por camponeses para reivindicar terrenos onde se estabelecer, desembocou em uma troca de disparos perto da localidade de Curuguaty.

Seis policiais e onze camponeses morreram sem que ainda se saiba o que ocorreu exatamente. O massacre foi o motivo apresentado pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) e o Partido Colorado para abrirem um julgamento político contra Lugo, que em menos de 48 horas foi considerado culpado, em um julgamento sumário, por mal desempenho de suas funções. “Politicamente Lugo não está morto”, exclamou o legislador em terceira pessoa. “O projeto que levamos adiante é com liderança coletiva, se a Frente Guasú fizer bem as coisas, terá um futuro promissor”, acrescentou.

Lugo disse que as pesquisas continuam mostrando que seu governo é o melhor avaliado. “Há nostalgia na sociedade de nosso projeto”, disse, e denunciou a deterioração da saúde e educação no Paraguai depois que deixou o Executivo guarani. “Apagaram nossas políticas sociais e nossa trajetória econômica de austeridade, começaram a emitir bônus de dívida. Está se perdendo a saúde gratuita e universal”, espetou. O ex-bispo disse que apoiará a qualquer projeto claro para a presidência em 2018, “não importa se é de Carlos Fillizzola, Esperanza Martínez, Sixto Pereira, Aníbal Carrillo ou qualquer outro da Frente Guasú, desde que tenham políticas claras em favor do país”.

No entanto, Lugo abalizou que será no seio da coalizão de partidos que formam a Frente é que se decidirá quem serão os próximos candidatos. Lugo disse que não é fácil trabalhar no Legislativo, ao qual chegou após as eleições de 2013, junto com outros quatro membros de seu partido. “Agora tenho que conviver com legisladores herdeiros do mais rançoso stronismo”, disse em referência aos senadores que reivindicam a ditadura do militar Alfredo Stroessner, que controlou o Paraguai de 1954 até 1989.

Também afirmou que em seu primeiro dia como senador sentiu que estava entre seus “ex-verdugos de dois anos atrás”, mas manifestou que “não resta outra que exercer o pluralismo e a sadia tolerância que deve caracterizar a sociedade e a política”. Para o legislador, a Câmara alta é um cenário positivo que o enriquece como político e como pessoa, apesar de ser, às vezes, um ambiente hostil.

Recordou que o eixo de seu governo foi a reforma agrária e que continua sendo para a Frente Guasú. “O tema da terra é um tema gordo aqui no Paraguai. Enquanto não se solucionar a propriedade irregular da terra, não haverá paz social em nosso país”, destacou o ex-presidente. “O Paraguai tem 406.752 quilômetros quadrados, mas somando todos os títulos de terra tem uns 529.000, ou seja, é um país de dois ou três pisos”, acrescentou. Dois anos após sua saída do governo, o senador admitiu que passou por sua cabeça se opor ao julgamento parlamentar, mas disse que preferiu aceitar “um julgamento injusto, que levou a evitar mais derramamento de sangue”.

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