Catolicismo intransigente, uma tentação permanente. Artigo de Claude Dagens

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29 Maio 2013

A urgência é a de lutar contra tudo o que desumaniza a nossa sociedade, contra tudo o que envenena as pobrezas mudas, contra todos aqueles processos que reduzem as pessoas a objetos manipuláveis segundo as exigências exclusivas da rentabilidade financeira ou técnica, em todos os domínios.

A opinião é de Claude Dagens, bispo de Angoulême, na França, e membro da Academia Francesa. O artigo foi publicado no jornal La Croix, 21-04-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Um certo número de católicos franceses, que não devemos confundir com a Igreja Católica francesa, são, sem saber, fiéis a uma tradição que vem de muito longe, muito antes da Revolução Francesa. Eles se deixam determinar pelo exterior, por aquilo que o general De Gaulle chamava de "circunstâncias" da vida política. Eles se envolvem em relações de força que lhes escapam, mas em função das quais sonham em afirmar a sua identidade, de forma militante, seja se defendendo contra aqueles que a contestam, seja participando de manobras ofensivas, esperando reencontrar assim posições dominantes na nossa sociedade.

Essa postura militante, essa cultura de combate não é nova. Ela corresponde àquela longa tradição que Émile Poulat, René Rémond e muitos outros historiadores designaram como a do catolicismo intransigente, que se desenvolveu ao longo de todo o século XIX, para resistir a todos aqueles que pareciam hostis à autoridade da Igreja.

Essa guerra interminável das duas Franças se apoiava em ideologias consistentes, de um lado aquela que inspirava o partido clerical, e de outro aquela que acompanhou o nascimento e a afirmação do projeto secular.

Sempre se pode sonhar em redespertar essas velhas querelas, invocando, de um lado, o programa da Action Française de Charles Maurras e, de outro, as realizações de Jules Ferry ou as ideias de Ferdinand Buisson, sem falar da rivalidade entre os párocos e os professores do Ensino Fundamental. Mas é um esforço inútil, porque as ideologias que sustentavam esses projetos políticos estão mortas, e ninguém pode ressuscitá-las, a menos que se faça a escolha, da parte católica, de um fechamento em redes restritas que reivindicariam uma fé pura e dura e, da parte secular, da revalorização de uma moral baseada em valores abstratos.

Mas temos que ser realistas: aqueles que desconfiam das religiões devem se regozijar em silêncio ao ver que a figura do catolicismo hoje parece se confundir com essa corrente ofensiva. Que sorte inesperada para eles denunciar esses enrijecimentos que ocorrem em praça pública! Como seria fácil assimilar a Igreja inteira a essas expressões fortes da fé! Que triunfo se conseguíssemos mostrar que os fiéis são todos violentos e obscurantistas! Se o "ultra" levassem a melhor entre os católicos, então estaria aberto o caminho para os "ultra" anticatólicos, felizes demais por aceitar o desafio que lhes foi lançado!

Por isso, é urgente agir com sabedoria e novamente colocar as realidades em uma perspectiva histórica. Os confrontos que acompanham o projeto de lei destinado a abrir o casamento e a adoção aos casais do mesmo sexo são apenas um episódio revelador da crise do casamento e do esfacelamento dos valores comuns que fundavam a nossa empresa.

Mas devemos nos resignar a essas explosões de individualismo militante que valem também para os jovens católicos? A urgência, ao invés, é a de lutar contra tudo o que desumaniza a nossa sociedade, contra tudo o que envenena as pobrezas mudas, contra todos aqueles processos que reduzem as pessoas a objetos manipuláveis segundo as exigências exclusivas da rentabilidade financeira ou técnica, em todos os domínios.

Quanto aos responsáveis da Igreja Católica na França, com os quais eu sou solidário, eles estariam mal inspirados se tentassem pegar o trem das ondas políticas andando, tentando agradar os "ultra" e os outros. Se esse oportunismo levasse a melhor, em alguns anos pagaríamos o preço.

Estou preocupado, porque às vezes eu tenho a impressão de que a alegria provocada pela eleição do Papa Francisco se perde por causa dos atuais enrijecimentos e a referência à simplicidade e à força do Evangelho se atenua! Que diabos! – se poderia dizer – então renunciamos a nos determinar a partir de dentro da nossa fé católica e da esperança que colocamos na misericórdia de Cristo?

Não é de cálculos políticos que precisamos, mas sim da coragem de ser nós mesmos, discípulos e testemunhas d'Aquele que veio para "procurar e salvar o que estava perdido" (Lc 19, 10) e "também para reunir juntos os filhos de Deus que estavam dispersos" (Jo 11, 52).

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