''Na Capela Sistina, uma condenação firme dos pecados e das indignidades da Igreja''. Entrevista com Agostino Vallini

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17 Março 2013

"O Papa Francisco sente que é o bispo de Roma e me disse isso desde o início. A relação com a diocese romana sentiu isso como um vínculo esponsal que ligará todo o seu ministério". O cardeal Agostino Vallini, vigário-geral do papa para a diocese de Roma, 73 anos daqui a um mês, no dia seguinte à eleição ao Sólio de Pedro de Jorge Mario Bergoglio, caminha pelos corredores do Palácio de Latrão, ao lado da Basílica de São João, onde está a cátedra do papa, o lugar sagrado onde o pontífice é pastor do Orbe e, portanto, cabeça da Igreja universal.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 15-03-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Aqui, onde o papado assume as conotações de um guia "entre pares" – a "Igreja de Roma nada mais faz do que presidir na caridade as outras Igrejas do mundo", disse Francisco da sacada central da basílica vaticana –, Vallini repercorre as primeiras impressões que ele teve após a eleição, a escolha extraordinária do papa de querê-lo ao seu lado na sacada: um sinal desejado para lembrar que ele é, acima de tudo, o pastor da diocese.

Como uma dissociação, portanto, de uma Igreja do poder, em favor de uma comunidade humilde, de povo.

Eis a entrevista.

Eminência, o que aconteceu no conclave? Por que vocês escolheram Bergoglio?


Apreciamos a firmeza na condenação dos pecados, dos comportamentos indignos e dos contra-testemunhos, o amor pelos jovens, pelos pobres, pelos últimos da terra. A Igreja está viva.

Nessa quarta-feira, o senhor estava ao lado de Francisco logo após a eleição. Que impressões o senhor teve?

Uma grande simplicidade, um homem de profunda espiritualidade, que sente o amor de Deus e das pessoas, e vive a paixão pelo Evangelho e, ao mesmo tempo, que quer servir a Igreja de maneira adequada às expectativas dos tempos. O Papa Francisco disse ainda que o ser humano precisa de grande espiritualidade, e portanto eu acredito que ele certamente corresponderá a essas expectativas.

No dia seguinte à eleição, o senhor ainda estava ao seu lado, para acompanhá-lo para rezar na Basílica de Santa Maria Maior.

Quando chegamos, o papa trazia pessoalmente uma cesta de flores que colocou sobre o altar. Permanecemos em oração por um pouco de tempo, em silêncio, e depois cantamos a Salve Regina à Nossa Senhora.

Na sua opinião, o que levou os cardeais a escolherem o cardeal Bergoglio? A vontade de virar a página depois dos conflitos internos? Ou o quê?

No conclave, não fizemos essas considerações. Pedimos ao Senhor que nos inspirasse a pessoa certa para este tempo e estamos felizes que isso tenha acontecido. O Colégio Cardinalício, em um clima cordial e franco, de intensa comunhão, sem esconder os limites e os erros, examinou a vida da Igreja nos vários continentes e os desafios que a esperam nesta complexa passagem da história.

O que vocês se disseram na Capela Sistina, assim que ocorreu a eleição?

Ficamos admirados e comovidos. Eu diria que, talvez, aparentemente, o menos comovido era justamente ele, porque ele permaneceu ali, se confiou à misericórdia de Deus e, então, depois, aceitou diante de todo o Colégio Cardinalício esse mandato para o qual todos devemos rezar, porque não é fácil ser papa.

O que o senhor disse ao Papa Francisco, assim que ele foi eleito?

Eu prometi fidelidade e afeto também em nome de todos os romanos: bispos auxiliares, sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos. Assegurei-lhe que a Igreja de Roma ficará perto dele, acolherá com fé e docilidade a sua orientação e o apoiará ao carregar o enorme peso que o Senhor colocou sobre as suas costas.

Bento XVI, nas meditações da Via Sacra de 2005, no Coliseu, falou da necessidade de que ocorresse na Igreja uma obra de purificação. Será assim também para Francisco?

O novo papa é uma alegre testemunha do Senhor Jesus, anunciador incansável, forte e humilde do Evangelho para infundir confiança e esperança. Ele continuará guiando a Igreja, a esposa do Senhor ressuscitado, purificando-a das manchas que às vezes obscurecem o esplendor do seu rosto, fará sentir a sua proximidade a todas as pessoas, para que a Igreja seja a casa de todos e para que ninguém sinta o constrangimento de não se sentir bem nela: os pobres e os últimos se sentirão compreendidos e amados.

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