A Igreja ortodoxa russa descarta visita do futuro papa

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Por: André | 07 Março 2013

A Igreja ortodoxa russa está agradecida a Bento XVI por sua contribuição para a melhoria nas relações entre Roma e Moscou, e respeita sua decisão de renunciar ao papado, mas descarta uma visita do novo pontífice à Rússia.

A reportagem é de Jesús Bastante e publicada no sítio espanhol Religión Digital, 07-03-2013. A tradução é do Cepat.

“Nós recordamos com gratidão o pontificado de Bento XVI. O papa foi muito sensível às inquietudes da Igreja ortodoxa”, assegurou nesta quarta-feira o metropolita Hilarión, chefe do departamento de Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou.

Hilarión, que se reuniu em três ocasiões com o papa, destacou a clara visão que o pontífice tinha das relações com a Igreja ortodoxa russa e seu grande conhecimento dos problemas que ambas as Igrejas enfrentam, como é o caso da Igreja católica de rito oriental da Ucrânia (Uniata).

“Gostaria de expressar a esperança de que o novo papa, cujo nome ainda não sabemos, siga a mesma linha, que seja tão sensível ao diálogo entre católicos e ortodoxos, e que esta destacada dinâmica positiva durante o papado de Bento XVI continue com seu sucessor”, disse.

O chefe da diplomacia dos ortodoxos russos destacou que a Igreja ortodoxa russa não pode colocar em dúvida a decisão de Bento XVI de renunciar, que “agiu como um cristão (...), agiu conforme a sua consciência”.

“Eu creio que ele tinha em mente o anterior pontificado, quando João Paulo II sofria de uma grave doença (...) e durante muito tempo era, de fato, incapaz de trabalhar, mas, de qualquer forma, continuou no seu posto, e outras pessoas dirigiam a Igreja em seu lugar”, disse.

Na sua opinião, “Bento XVI não queria repetir essa situação em sua carne e decidiu renunciar para ceder o lugar a alguém mais jovem e dinâmico”.

O metropolita garantiu que o que acontece agora no Vaticano poderia ocorrer perfeitamente no Patriarcado de Moscou, já que o direito canônico da Igreja ortodoxa russa também contempla a renúncia voluntária e a convocação de um sínodo de bispos para a escolha do sucessor.

“Houve poucos casos de renúncia voluntária (na história da Igreja ortodoxa), mas houve, assim que existem estes precedentes”, recordou.

Em relação ao futuro papa romano, Hilarión ressalta que na agenda não consta uma possível viagem à Rússia, “um país ortodoxo onde a Igreja conhece um renascimento, após 70 anos de perseguição” soviética.

“Este assunto foi excluído por Bento XVI. Entretanto, não foi descartada uma reunião entre o papa e o patriarca em um local neutro, quer dizer, fora da Rússia e da Itália”, indica.

Contudo, para que esse encontro aconteça, adverte que ambas as partes devem chegar a um consenso preliminar sobre alguns comportamentos pastorais, tais como: o proselitismo e a política em relação à Igreja uniata.

“Caso essa reunião não puder reforçar o consenso entre ambas as Igrejas, seria prematura. Não nos interessa apenas o ato protocolar, apertar as mãos diante das câmeras. Nos interessa uma melhoria significativa das relações bilaterais”, apontou.

Um dos temas que ambas as Igrejas enfrentam é o proselitismo, já que a Igreja ortodoxa russa traça uma diferença fundamental entre o trabalho missionário de cristianização e a conquista de fiéis em território de outra confissão cristã.

“Ali onde existem instituições paralelas das Igrejas católica e ortodoxa podemos realizar um trabalho missionário interno, mas devemos nos abster de qualquer forma de proselitismo. Por exemplo, se falamos da Rússia, onde a grande maioria das pessoas é ortodoxa, está fora de questão” o proselitismo, assegura.

Hilarión considera que a “recusa do proselitismo deve ser mútua” e que ambas as Igrejas “devem desenvolver suas relações não no espírito de competitividade e de roubo dos fiéis da outra Igreja, mas de cooperação e aliança”.

O representante da Igreja russa acredita que ortodoxos e católicos compartilham desafios comuns, como o relativismo moral, contra os quais devem forjar uma aliança para defender os valores cristãos tradicionais.

“Devemos concentrar os nossos esforços na defesa dos valores cristãos e morais tradicionais (...) que, atualmente, estão sob ameaça e postos em dúvida pela ideologia secular”, disse Hilarión, que criticou os protestantes por se aliarem aos defensores do relativismo moral.

Hilarión denuncia que o “secularismo beligerante coloca-se como objetivo não a aniquilação do cristianismo, mas o seu desaparecimento do espaço social”.

“Pode-se ser cristão, segundo esse secularismo beligerante, no templo, em sua comunidade social, na família, mas a pertença à fé cristã não deve influir na vida do homem na sociedade, em seu comportamento, em suas posturas políticas e sociais”, adverte.

Além disso, destacou que o radicalismo religioso no Oriente Médio e no Norte da África “ameaça a própria existência do cristianismo – na Síria, Iraque, Líbia e Egito – (...) e a concórdia religiosa forjada durante séculos no Oriente Médio e no Norte da África”.

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