''Casamento para todos'': o que me entristece e me inquieta

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28 Janeiro 2013

O que me entristece e me inquieta é o rosto de uma Igreja que, em vez de tentar acolher e construir o futuro, para aproveitá-lo melhor e fecundá-lo por dentro, se fixa em posições conservadoras senão reacionárias.

A opinião é do músico e compositor católico francês Laurent Grzybowski, em artigo publicado no sítio da revista católica La Vie, 15-01-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Se, em vez de sair maciçamente às ruas portando slogans, tomássemos esse tempo para dialogar e para discernir...

No dia seguinte à manifestação contra o casamento para todos, muitas vozes cristãs se fizeram ouvir para deplorar a ausência de diálogo dentro das Igrejas. Bispos também se manifestaram. Muitos assumiram posições decididas contra o projeto de lei. Há meses, pedem um debate sobre essa questão para se fazer ouvir a opinião pública francesa... omitindo, contudo, que se leve em consideração a diversidade de opiniões dos fiéis. Como convidar a um debate na sociedade civil quando não se favorece o debate entre os fiéis?

Quanto a mim, eu já disse e escrevi, neste debate, eu me recuso a escolher o meu lado. Não quero entrar em um confronto que eu considero estéril. Como cidadão francês e como católico, tento compreender e acolher a realidade, não a que eu gostaria que fosse, mas como ela é: hoje, no nosso país, há casais homossexuais que desejam construir a sua vida de casal e de família sobre o matrimônio. Isso pode nos surpreender, nos preocupar talvez, mas é um fato. Essa reivindicação, que não é nova, também é fruto de uma evolução das nossas sociedades ocidentais.

Somado ao pluralismo e ao princípio de laicidade, dou um espaço fundamental aos direitos humanos e em particular aos direitos dos mais fracos e do excluídos.

Como cidadão francês e como católico, tento me empenhar na construção das relações sociais e, sobretudo, no diálogo inter-religioso. Para mim, a fé não é (e não pode ser) uma questão privada, pois é o sopro da minha vida, é o que dá sentido a todo o meu empenho. Eu tento ser testemunha com relação aos meus filhos (sou casado e pai de família) e àqueles que encontro nos meus diversos ambientes de vida. Para mim, Cristo é uma pessoa viva, e o Evangelho, uma força de conversão para hoje.

Como cidadão francês e como católico, também tento ser lucidamente consciente dos desvios possíveis dos nossos sistemas de pensamento (sejam políticos, filosóficos ou... religiosos!). Desvios que se chamam: sectarismo, maniqueísmo, fundamentalismo, dogmatismo, obscurantismo ou integralismo. Esses desvios existem em toda parte, tanto à direita quanto à esquerda, seja entre os crentes quanto entre os não crentes, entre as pessoas leigas e entre as pessoas religiosas.

Mas hoje não me sinto em sintonia com a posição de uma grande parte dos meus correligionários, ao menos a parte mais visível, a que saiu às ruas, pois parece, segundo uma pesquisa publicada no dia 10 de janeiro na revista Pèlerin, de que 41% dos católicos praticantes são a favor do casamento para todos.

Não que eu, pessoalmente, seja resolutamente a favor desse casamento, não que eu não perceba os aspectos discutíveis, mas porque respeito a necessidade de uma legislação e a legitimidade do legislador de refletir a respeito e de tomar decisões conscientemente. Além das possíveis objeções, vejo também muitas boas razões para me pronunciar a favor do casamento para todos. Reivindico o direito de estar dividido sobre um assunto como esse. Para mim, trata-se de articular uma ética da responsabilidade com uma ética da convicção.

Eu acredito que as pessoas homossexuais merecem a nossa escuta e merecem ser ajudadas a não sofrer mais os ataques incessantes do opróbrio e da suspeita. Eu acredito que a atenção às minorias faz parte dos fundamentos da democracia e da ética. Eu acredito que os filhos de casais homossexuais têm a necessidade de serem reconhecidos, respeitados e amados. Eu acredito que eles precisam, assim como todos os filhos, de uma família estável. Eu acredito que, a esse respeito, o casamento é ao mesmo tempo estruturante e portador de sentido, e que pode ajudar um casal a se enraizar na fidelidade, no respeito ao outro, no cuidado e na ajuda mútua. Essa é uma das razões pelas quais, além disso, a Igreja Católica sempre preferiu o matrimônio à união livre... Exceto em casos específicos. Não há nisso uma contradição? Eu acredito, por fim, que a aceitação da realidade não é apenas uma das condições de um viver bem, mas, acima de tudo, é uma exigência fundamental para aqueles que anunciam um Deus encarnado.

Agora, quer queiramos ou não, as famílias homoparentais já existem, em muitas formas. É um fato inegável, e não será a lei que irá criá-las. De que temos medo? Por que não reconhecer o valor e a beleza daquilo que elas vivem? Por que encerrar-se logo em uma visão pessimista com relação a elas? O modo como reagimos diante delas é, para mim, revelador da relação que temos com o mundo. Esse mundo é capaz de inteligência e de grandeza ou está apenas se perdendo? Vivemos na confiança ou na desconfiança? Como discípulo de Santo Inácio, tento cultivar a bondade a priori.

A Igreja defende um modelo familiar, certamente pertinente, mas deve ser o único? Eu não tenho uma resposta. Outras formas de educação ou de filiação seriam imagináveis? Absolutizar o modelo "um pai, uma mãe, filhos", assim como absolutizar a "natureza" ou não sei qual antropologia (sempre relativa) significa assumir o risco de cair em uma forma de idolatria que me parece muito distante da mensagem evangélica.

Jesus talvez se expressou uma única vez em defesa deste ou daquele modelo social ou familiar? Encorajou a heterossexualidade? Condenou a homossexualidade? Ele falou alguma vez de sexo ou de orientação sexual? Nunca! Ele convidou ao amor pelos inimigos, ao perdão incondicional, à lealdade, à acolhida do outro e à alegria de amar. Ele também condenou veementemente os fariseus e outros defensores da ordem moral.

Jesus teria ido manifestar no dia 13 de janeiro no Champs-de-Mars? Embora me seja impossível responder em seu lugar, eu duvido, porque ele sempre desconfiou dos movimentos multitudinários, assim como dos riscos de manipulação político-religiosa. Ele nunca foi daqueles que gritavam mais forte, porque, como nos diz São Paulo, a sua força era a sua fraqueza. E, para ele, as pessoas reais sempre foram mais importante do que qualquer sistema teológico ou ideológico, por mais fundamentado que fosse.

Nesse debate sobre o "casamento para todos", o que me entristece e me inquieta é a radicalização das posições pró e contra, tanto na sociedade quanto na minha Igreja. É o deslizamento para posicionamentos duros, frontais, anátemas, alertas para se declarar de forma decisiva, em particular por parte de certos pregadores que, nessas últimas semanas, durante a missa dominical, se esqueceram de comentar as Escrituras para melhor convidar as suas ovelhas a se manifestarem. Que mistura de gêneros!

O que me entristece e me inquieta são as reações viscerais que substituem os argumentos, e os "a priori" bíblicos ou teológicos que evitam o questionamento e a escuta do Evangelho. São aquelas afirmações que soam falsas quando anunciam, mais uma vez, o colapso da nossa civilização.

O que me entristece e me inquieta é ver esses jovens manifestantes, alguns dos quais inscritos contra a sua vontade em um confronto que os confunde, enquanto havia hoje tantas batalhas a se combater, vitais e urgentes, em que os cristãos (particularmente os mais jovens) nem sempre estão presentes: a resistência à sociedade dos consumos, a luta contra a pobreza e contra a fome no mundo, a promoção dos direitos dos homens (e das mulheres!), a rejeição da injustiça, a luta pela paz, a busca da fraternidade e do viver juntos através do diálogo intercultural e inter-religioso, o desafio ecológico, o desenvolvimento sustentável... Como eu gostaria que houvesse, nessas últimas semanas, nas paróquias francesas e nas redes sociais, tanta publicidade para a Démarche Diakonia [convite da Igreja francesa às comunidades para viver mais a fraternidade e a esperança com as pessoas em situações de fragilidade, próximas ou distantes] quanto para a Manif pour Tous.

O que me entristece e me inquieta é o recurso ao sagrado, tanto na sociedade quanto na nossa Igreja, para justificar posições pessoais. É o fato de constatar que, por trás da questão do casamento gay, a minha Igreja nem sempre tem clareza sobre a ideia da acolhida das pessoas homossexuais. Que espaços elas têm nas paróquias, nos conselhos pastorais, nos movimentos e nos seminários (dos quais estão excluídas)? Como são reconhecidas, ouvidas, respeitadas? Que olhar voltamos para elas?

O que me entristece e me inquieta é o esquecimento das famílias envolvidas, por causa de uma abordagem essencialmente ideológica. Quem se interrogou sobre o modo pelo qual certos slogans retomados ou mostrados no dia 13 de janeiro, durante a Manif pour Tous, podiam ser percebidos pelos casais homossexuais ou pelos seus filhos? Estima-se que existam 150 mil casais homossexuais na França, dos quais aproximadamente 10% têm filhos (um ou dois), o que significa entre 20 mil e 25 mil crianças... Assim como as outras, eles também merecem a nossa atenção e o nosso respeito. Não devemos estigmatizá-las.

O que me entristece e me inquieta é a constatação de que muitos fiéis ainda não aceitaram a ideia de que não vivemos mais em uma sociedade "cristã". Assim como o casamento civil já não tem muito a ver com o casamento religioso, o nosso mundo secularizado se afasta das suas raízes judaico-cristãs (que ainda continuam muito fortes). É um fato, não uma catástrofe. Na China, na Índia, no Egito, no Brasil e na França, a vocação dos cristãos não é defender uma civilização, mas sim testemunhar a sua fé e a felicidade de crer. Nesse contexto, a Igreja Católica não pode mais pretender estar acima do bem e do mal, distribuindo recompensas ou castigos. À atitude de quem olha de cima, eu prefiro a da escuta. É porque nós ouvimos os outros que os outros nos ouvirão e poderemos viver um diálogo fecundo com eles.

O que me entristece e me inquieta é o fosso que continua aumentando entre as nossas Igrejas e o conjunto da sociedade. Como uma válvula de escape, a Manif sem dúvida fez bem àqueles que dela participaram. Ela deve ter permitido que os reivindicantes expressassem as suas frustrações ou a sua não compreensão de um mundo em mudança. Mas, na hora da nova evangelização, terá contribuído para fazer com que Cristo seja amado e o Reino, construído? Eu tenho algumas dúvidas. Ao invés, estou convencido do contrário. A esse respeito, acredito muito mais no testemunho humilde e discreto no cotidiano do que em qualquer demonstração de força. Especialmente quando se trata de defender uma causa questionável, que mexe com as paixões e divide a sociedade francesa mais do que a une.

O que me entristece e me inquieta é o rosto de uma Igreja que, em vez de tentar acolher e construir o futuro, para aproveitá-lo melhor e fecundá-lo por dentro, se fixa em posições conservadoras senão reacionárias (no sentido etimológico dos dois termos). Muitas vezes, enrijece-se sobre os problemas de moral sexual e familiar, está pronta para se manifestar junto com organizações muito caracterizadas politicamente, do UMP ao Front National, com todos os riscos de instrumentalização que isso implica. Nem falo dos militantes do movimento integralista Civitas. Nessa triste confusão, que imagem os católicos dão de si mesmos ao conjunto da sociedade? Essa manifestação inútil (porque, como sabemos, a lei será votada) deixará marcas. Será apenas um elemento de difamação a mais para uma instituição que, francamente, não precisa disso.

Para concluir, retomo com gosto as declarações de Dom Albert Rouet, ex-arcebispo de Poitiers, no Le Monde do dia 4 de abril de 2010: "A Igreja está ameaçada a se tornar uma subcultura. A minha geração estava apegada particularmente à inculturação, à imersão na sociedade. Hoje, o risco é de os cristãos se encerrem entre si, simplesmente porque têm a impressão de estar diante de um mundo de incompreensão. Mas não é acusando a sociedade de todos os males que nos tornamos luz para as pessoas. Ao contrário, é preciso uma imensa misericórdia para esse mundo em que milhões de pessoas morrem de fome. Cabe a nós nos abrirmos ao mundo e cabe a nós nos tornarmos amáveis".

O que se pode dizer mais?

Veja também:

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“Uma conversão de todos nós se faz necessária”, diz arcebispo de Maringá
''Casamento para todos'': o que me entristece e me inquieta
A batalha perdida da Igreja. Artigo de Danièle Hervieu-Léger

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