Em 2013, China terá maior parque gerador de energia do mundo

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12 Novembro 2012

Qualquer indicador macroeconômico que sugira a desaceleração do ritmo da economia da China parece ficar em segundo plano quando se observam as dezenas de milhares de gruas que espetam o solo do país. A previsão de crescimento econômico de 7,5% para 2012, segundo o banco de investimentos Morgan Stanley, embora abaixo da média de dois dígitos por ano observada ao longo da última década, ainda implicará na necessidade de um grande volume de energia elétrica adicional no sistema chinês.

A reportagem é de Rodrigo Polito e publicada pelo jornal Valor, 12-11-2012.

Segundo o governo da China, o país deve chegar ao fim de 2012 com um parque gerador de 1.140 gigawatts (GW), quase dez vezes o sistema elétrico brasileiro. A expectativa é que no próximo ano o gigante asiático ultrapasse os Estados Unidos, que possui hoje 1.190 GW, e se torne o país com a maior capacidade instalada de energia elétrica do mundo.

Em volume de energia de fato produzida, a China já ocupa o primeiro lugar no ranking mundial, com 4,720 milhões de GWh/ano. Para comparação, o Brasil produziu 531,8 mil GWh em 2011, de acordo com o Balanço Energético Nacional (BEN).

O dilema agora é como saciar a fome por energia nova sem provocar grandes impactos ao meio ambiente. Em discurso no 18º Congresso do Partido Comunista Chinês, na semana passada, o presidente do país, Hu Jintao, apelou para a necessidade de realizar uma "redução drástica" do consumo de energia. "Devemos lançar uma revolução na produção e no uso de energia, impondo um teto para o consumo total e economizando energia", disse. Para ele, a China deve se concentrar em problemas que "apresentem riscos de saúde para o povo" e ter uma "abordagem holística" para prevenir e controlar a poluição do ar, água e solo.

No fim de outubro, o governo chinês publicou um relatório com diretrizes para a expansão da oferta de energia elétrica no país nos próximos anos. O principal objetivo é ampliar a participação de fontes limpas na oferta energética. De acordo com o documento, semelhante aos divulgados no Brasil pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o governo chinês espera aumentar a capacidade instalada de hidrelétricas, de 230 GW para 290 GW. No mesmo período, a China pretende expandir, de 45 GW para 100 GW, a potência instalada de energia eólica e, de 3 GW para 21 GW, a de usinas solares.

Para Manish Bapna, vice-presidente do World Resources Institute, organização que trata da relação entre desenvolvimento econômico e meio ambiente, a estratégia da China é motivada por quatro fatores: segurança energética [reduzir a dependência de carvão importado]; visão de longo prazo; estabilidade doméstica e melhoria da imagem no cenário internacional.

Apesar de estar no topo do ranking mundial em capacidade instalada de energia hidrelétrica e eólica, a China ainda é muito dependente do carvão mineral para o seu abastecimento elétrico. As termelétricas a carvão somam hoje 765,5 GW, o equivalente a 72,5% de todo o parque gerador chinês. E tudo indica que continuarão tossindo fumaça por muito tempo, para manter aceso o desenvolvimento do país, que já ocupa a incomoda posição de líder mundial em emissões de gases do efeito estufa, que afetam o planeta inteiro.

"Com o tempo, essa estrutura vai mudar. Mas não dá para ser da noite para o dia", afirma Sun Jinping, diretor de investimentos da State Grid Corporation of China (SGCC), uma das estatais energéticas chinesas. Segundo ele, no longo prazo, o país se tornará menos intensivo no consumo elétrico. Hoje a relação entre consumo de energia e PIB ainda é superior a 1. Mas o executivo espera que essa relação se inverta no futuro, com o aumento da participação do setor de serviços e uma redução gradual da fatia da indústria pesada na economia chinesa. Do consumo elétrico do país, 70% é industrial. E o restante é dividido entre residencial e comercial.

Para tornar a matriz elétrica mais limpa, o governo chinês está apostando fortemente em novas tecnologias. Uma das ações é o desenvolvimento de linhas de transmissão mais potentes para transportar a energia gerada por grandes hidrelétricas no oeste até os principais centros consumidores no leste.

A SGCC investiu 24 bilhões de iuans [aproximadamente R$ 7,8 bilhões] na construção de uma linha de transmissão de ultra-alta tensão, em corrente contínua, de quase 2 mil quilômetros de distância, ligando a hidrelétrica de Xiangjiaba até Xangai. A tecnologia, em tensão de 800 quilovolts, inédita no mundo, reduz as perdas em 6%, em comparação com a linha convencional, e pode transmitir até 30% a mais de energia.

A tecnologia é cara para os padrões brasileiros. Devido ao maior consumo de material para a construção das linhas, o custo por quilômetro alcança quase R$ 4 milhões. No Brasil, as linhas de transmissão têm custo de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões por quilômetro.

Segundo a empresa, a linha de ultra-alta tensão permite economizar cerca de 13 milhões de toneladas de carvão, que seriam necessários para produzir a quantidade de energia gerada pela hidrelétrica que está conectada a linha. A primeira linha entrou em operação em 2010. O governo planeja agora dois novos empreendimentos do mesmo tipo.

Na área de fontes renováveis, o governo está investindo 12 bilhões de iuans [cerca de R$ 3,9 bilhões] no desenvolvimento de um sistema capaz de armazenar e estabilizar a produção de energia de parques eólicos e usinas solares. A oscilação da produção de energia é o principal gargalo para o desenvolvimento dessas fontes. Na prática, o equipamento capta a geração eólica, mais intensa à noite, e a produção de energia solar ao longo do dia e fornece uma quantidade de energia estável para o sistema.

Iniciado em 2009, o projeto já conta com 98,5 megawatts (MW) de parques eólicos, 40 MW de painéis fotovoltaicos e 20 MW de capacidade de armazenamento de energia, por meio de baterias de lítio e sódio. A previsão é que o projeto alcance 500 MW de eólicas, 100 MW de painéis fotovoltaicos e 110 MW de capacidade de armazenamento de energia.

Com o objetivo de reduzir, ou ao menos desacelerar, as emissões de gases do efeito estufa, a China voltou a ver com bons olhos a energia nuclear, que havia sido descartada após o desastre na central nuclear japonesa de Fukushima Daiichi, em 2011. De acordo com o relatório, a capacidade instalada de energia nuclear saltará dos atuais 12,57 GW para 40 mil GW em 2015. "O desenvolvimento da energia nuclear é importante para otimizar a estrutura e a segurança do setor energético nacional", diz o governo chinês no documento.

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