Torres Queiruga. Conferência Episcopal Espanhola aponta sete erros doutrinais

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02 Abril 2012

A Conferência Episcopal Espanhola publicou uma dura condenação contra o teólogo galego devido a sete erros doutrinais.

A reportagem é de Juan G. Bedoya, publicada no jornal El País, 30-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O catolicismo espanhol tem, a partir da última sexta-feira, um novo herege. Trata-se de Andrés Torres Queiruga, nascido em 1940 na paróquia de Aguiño, Ribeira (A Coruña). Ele é professor de teologia no Instituto Teológico Compostelano e de filosofia da religião na Universidade de Santiago de Compostela, mas os bispos espanhóis, mediante uma chamada Notificação, o acusam de sete erros que se referem ao "realismo da ressurreição de Jesus Cristo, enquanto acontecimento histórico (milagroso) e transcendente", ao "caráter indedutível da Revelação" e à "unicidade e universalidade da mediação salvífica de Cristo e da Igreja".

O termo “notificação”, no jargão vaticano, significa que a autoridade doutrinal torna pública uma resolução contra alguém. Nesse caso, a vítima é um teólogo de renome social, especialmente na Galícia, onde Torres Quiroga é membro da Real Academia Galega e do Conselho de Cultura Galego. Autor de mais de 20 livros de prestígio, ele também é Prêmio Nacional de Melhor Tradução da Bíblia. Ele diz que a Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé, nome atual do sinistro Santo Ofício da Inquisição, que, com essa condenação, os bispos "querem salvaguardar aspectos essenciais da doutrina da Igreja para evitar a confusão no Povo de Deus e contribuir para o fortalecimento da sua vida cristã". A Notificação não fala de heresia, nem condena nenhuma obra do teólogo galego, mas é uma mensagem de condenação doutrinal propriamente dita.

Assim percebeu o afetado, que se mostra "triste, confuso e escandalizado por um procedimento eclesialmente irregular". Ele fez essa declaração assim que soube que os bispos tornaram pública a sua decisão no site da Conferência Episcopal Espanhola (CEE) [texto disponível aqui, em espanhol]. Em declarações ao site Religión Digital, Torres Queiruga acrescenta: "Não é só uma condenação injusta, mas acima de tudo teologicamente infundada e desviada. A retidão de uma obra como a minha não seria questionada em nenhuma outra nação europeia com uma séria tradição teológica. Todo o meu trabalho sempre tem sido presidido por um grande cuidado em preservar a fé da Igreja, tentando repensá-la com um espírito construtivo, para que seja fundamentada, compreensível e vivível para os homens e as mulheres de hoje".

A hierarquia do catolicismo espanhol tomou ao pé da letra a recente instrução do Vaticano que deposita sobre os bispos a máxima autoridade. A Espanha, antiga "luz de Trento" (nas palavras do exagerado Marcelino Menéndez Pelayo), é a primeira a apagar a investigação teológica livre seguindo a nova consigna romana. A Notificação (eufemismo para a palavra condenação) foi maquinada em Madri pela Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé, presidida pelo bispo de Almería, Adolfo González Montes, sem julgamento prévio e sem dar a oportunidade de defesa para o processado. Tendo sido elevada à Comissão Permanente da Conferência Episcopal, a resolução foi ratificada no dia 29 de fevereiro passado.

A nota de condenação começa apelando a um "diz-se", sem rosto. Afirma-se: "Em repetidas ocasiões, chegaram à Conferência Episcopal consultas sobre a conformidade dos escritos do reverendo professor padre Andrés Torres Queiruga com o ensinamento da Igreja Católica".

A Notificação, de apenas 20 páginas, defende que o teólogo galego "quer romper com uma concepção da Revelação como ditado e entende como uma descoberta de Deus já presente e, nesse sentido, não mais misteriosa do que outro conhecimento. Deus não precisa 'chegar', porque já está sempre. Por isso, a revelação efetiva é sempre uma experiência já realizada, algo com o qual o sujeito religioso se encontra no próprio ato de tomar consciência dela. [...] Tomada nessa estrutura original e sob esse aspecto, a revelação não é nem mais misteriosa nem menos simples do que um ato cognitivo qualquer".

Convencido da ortodoxia de seus escritos, Torres Quiroga desafia seus inquisidores para que, se em algum escrito veem que se possa danificar a fé, o demonstrem "com razões que corrijam ou refutem" as que o condenado oferece. Ele também diz que está vivendo essa censura como "uma desqualificação pessoal" que, objetivamente, o expõe "a uma calúnia pública em matéria muito grave".

Na sua opinião, a condenação irá causar "uma perturbação desnecessária nos fiéis e é um duro golpe para a credibilidade pública da fé, que muitas julgarão, mais uma vez, como sobrecarregada por um peso autoritário e por uma negação da liberdade intelectual".

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