Václav Havel, primeiro presidente do país na era pós-comunista.

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Por: Cesar Sanson | 19 Dezembro 2011

Herói do movimento que derrubou o regime comunista em 1989, Havel, que também era dramaturgo, acompanhou de perto tanto a transição democrática de seu país, quanto a divisão pacífica da então Tchecoslováquia.

A reportagem é de Holly Fox e publicada pelo sítio Deustche Welle, 18-12-2011.

O ex-presidente tcheco Václav Havel morreu na manhã deste domingo (18/12) em sua casa de campo no norte da República Tcheca, de acordo com informações de sua assistente Sabina Dancecova. Aos 75 anos, Havel lutava contra vários problemas de saúde, parcialmente causados pelo tempo em que passou detido em prisões do regime comunista e também por ter sido um fumante inveterado.

O dramaturgo dissidente teceu ligações entre o teatro e a política, tendo se tornado um herói do movimento que derrubou, em fins de 1989, o regime comunista da então Tchecoslováquia, 41 anos após seu início. Havel tornou-se o primeiro presidente do país na era pós-comunista.

Nascido em Praga no ano de 1936, ele descendia de uma família proprietária de estúdios de cinema e imóveis na cidade. Depois que os comunistas tomaram o poder, após a Segunda Guerra Mundial, Havel foi rotulado de burguês capitalista e expulso da universidade. Mas, apesar deste golpe do destino, seguiu caminho no teatro, tendo se tornado escritor e diretor.

Quando o regime foi atacado, na Primavera de Praga de 1968, ele foi banido também do teatro, mas continuou escrevendo e se envolveu ainda mais no movimento dissidente. Seu ativismo político começou, de fato, em janeiro de 1977, quando ele ajudou na constituição da Carta 77, um manifesto que conclamava as autoridades comunistas a cumprirem com as cláusulas internacionais, às quais haviam se comprometido, com relação aos direitos humanos.

Quando a onda de revoluções que assolava a Europa Central e o Leste Europeu chegou à Tchecoslováquia, em 1989, Havel foi, como ele mesmo definia, "catapultado" para a presidência da noite para o dia, poucos meses depois de ter sido libertado da prisão. No dia 29 de dezembro de 1989 ele foi eleito presidente da Tchecoslováquia pelo Parlamento ainda comunista do país.

Como presidente da Tchecoslováquia e, mais tarde, da República Tcheca, após a divisão pacífica em 1993, Havel conduziu o país por meio de uma transição democrática e econômica. Ele encabeçou o ingresso da República Tcheca na Otan, em 1999, e foi um dos principais responsáveis por sedimentar o caminho que levou à adesão do país à União Europeia, em 2004.

Aposentadoria ativa

Após cumprir o máximo de dois mandatos consecutivos no cargo, Havel deixou a presidência da República Tcheca em 2003. A partir de então, passou a dedicar seu tempo à luta internacional em defesa dos direitos humanos, apoiando dissidentes cubanos e chineses, a oposição democrática em Belarus, o combate à junta militar em Mianmar e à insistente aderência de Vladimir Putin ao poder na Rússia.

"A vida depois da presidência parece a vida de um presidente. Mas é mais difícil, porque você só pode ser presidente por alguns anos, mas será eternamente um ex-presidente, o que implica em numerosas obrigações", disse Havel certa vez.

Mesmo com todas as ocupações, ele continuou trabalhando com as artes, tendo publicado uma nova peça (Partida), sobre as lutas de um líder em seu caminho para deixar o poder, que teve sua estreia em 2008. Ele dirigiu também uma adaptação da peça para o cinema, lançada no início neste ano.

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