Desmond Tutu e a inclusão de gays na Igreja

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14 Junho 2011

O texto que segue é um trecho do novo livro do arcebispo anglicano e prêmio Nobel da Paz de 1984 Desmond Tutu, God Is Not A Christian: And Other Provocations [Deus não é cristão: E outras orovocações].

O arcebispo Tutu diverge das políticas oficiais da maior parte das Igrejas anglicanas do mundo, que defendem que gays e lésbicas devem ser celibatários. E, desde a sua aposentadoria como arcebispo da Cidade do Cabo, ele se tornou uma das figuras mais proeminentes do mundo que pedem uma mudança nas atitudes das instituições religiosas com relação à sexualidade humana.

O artigo foi publicado no sítio The Huffington Post, 11-06-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Um estudante uma vez me perguntou: se eu pudesse fazer um pedido para reverter uma injustiça, qual seria? Eu tive que pedir duas. Uma é para que os líderes mundiais perdoem as dívidas das nações em desenvolvimento que as mantêm nesse estado de submissão. A outra é para que o mundo acabe com a perseguição das pessoas por causa de sua orientação sexual, que é tão injusta quanto o crime contra a humanidade, o apartheid.

Essa é uma questão de justiça comum. Lutamos contra o apartheid na África do Sul, apoiados por pessoas de todo o mundo, porque os negros estavam sendo culpados e obrigados a sofrer por algo que não podíamos fazer nada a respeito – a nossa própria pele. É o mesmo com a orientação sexual. É um dado determinado. Eu não poderia lutar contra a discriminação do apartheid e não lutar também contra a discriminação que os homossexuais suportam, mesmo em nossas Igrejas e grupos de fé.

Estou orgulhoso porque, na África do Sul, quando ganhamos a chance de construir a nossa própria nova Constituição, os direitos humanos de todos foram expressamente consagrados nas nossas leis. Minha esperança é de que, um dia, isso vai acontecer em todo o mundo, e que todos terão direitos iguais. Para mim, essa luta é uma túnica sem costura. Opor-se ao apartheid era uma questão de justiça. Opor-se contra a discriminação contra as mulheres é uma questão de justiça. Opor-se contra a discriminação com base na orientação sexual é uma questão de justiça.

Também é uma questão de amor. Todo ser humano é precioso. Todos – todos nós – fazemos parte da família de Deus. Todos devemos ser autorizados a amar uns aos outros com honra. No entanto, em todo o mundo, pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros são perseguidas. Tratamo-las como párias e empurramo-las para fora das nossas comunidades. Fazemo-las duvidar de que elas também são filhos de Deus. Essa deve ser quase a blasfêmia suprema. Culpamo-las pelo que elas são.

As Igrejas dizem que a expressão do amor em uma relação monogâmica heterossexual inclui o aspecto físico – o toque, abraço, beijo, o ato genital. A totalidade do nosso amor faz com que cada um de nós cresça e se torne cada vez mais semelhante a Deus e compassivo. Se isso é assim para os heterossexuais, que motivos razões terrenas temos para dizer que não é assim com os homossexuais?

O Jesus a quem eu louvo provavelmente não colabora com aqueles que difamam e perseguem uma minoria já oprimida. Eu mesmo não poderia me opôr contra a injustiça de penalizar as pessoas por algo que elas não podem fazer nada – sua raça – e depois me manter em silêncio enquanto as mulheres são penalizadas por algo que elas não podem fazer nada – seu gênero. Daí o meu apoio à ordenação das mulheres ao sacerdócio e ao episcopado.

Igualmente, não posso ficar quieto enquanto as pessoas são penalizadas por algo que não podem fazer nada – sua sexualidade. Discriminar nossas irmãs e irmãos que são lésbicas ou gays com base em sua orientação sexual, para mim, é totalmente inaceitável e injusto quanto o apartheid sempre foi.

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