Insatisfação pode provocar nova greve em Suape

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03 Abril 2011

As reclamações vão da falta de chuveiro e vestiário a desvio de função. De perseguição religiosa a salário menor que o prometido. Os conflitos nas obras da Refinaria Abreu e Lima e da Petroquímica Suape - ambas da Petrobrás e incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - no complexo industrial portuário de Suape, na região metropolitana do Recife, começaram a vir à tona em janeiro.

Desde então, foram 34 dias de greve, um alojamento da Odebrecht incendiado e um trabalhador ferido, Tiago Ramos de Souza. Atingido por um tiro no rosto, ele passa bem.

A reportagem é de Angela Lacerda e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 03-04-2011.

As insatisfações persistem. Os trabalhadores querem abono dos 13 dias parados na última greve e se preparam para novo embate no dissídio coletivo da categoria, dia 1.º de agosto. Uma das metas será a unificação de salários e benefícios das construtoras no País. "As empresas são as mesmas, mas o trabalhador do Nordeste e do Norte recebe menos que o do Sul e Sudeste", destaca o integrante da comissão de negociação dos trabalhadores, José Adalberto Silva.

A última paralisação, encerrada na quarta-feira, uniu os 34 mil empregados da refinaria e da petroquímica em torno das reivindicações de 100% sobre as horas extras do sábado e vale-alimentação de R$ 160. A greve foi considerada ilegal pelo Tribunal Regional do Trabalho da 6.ª Região, que concedeu as reivindicações econômicas. A proposta das empresas era 80% e R$ 130.

Os dois lados entrarão com recursos, provavelmente na próxima semana. Os trabalhadores não aceitam compensar os dias de greve e a classe patronal não aceita a decisão sobre horas extras e vale-alimentação.

Encarregado de obras de alvenaria do consórcio Conest (Odebrecht e OAS) - responsável pela construção das unidades de hidrotratamento e de destilação atmosférica da refinaria, com 4.822 empregados -, José Adalberto Silva atribui à falta de infraestrutura a principal causa dos problemas.

"Eles botaram a carroça na frente dos bois quando iniciaram uma megaobra como a refinaria sem a devida infraestrutura", afirma ele, que não exime a Petrobrás de responsabilidade. "A Petrobrás contratou empresas e consórcios para construir a refinaria e a petroquímica, mas, se acompanhasse o processo, não teria chegado a esse ponto."

A Petrobrás não se pronuncia sobre prejuízos causados pelas paralisações nem sobre possíveis impactos nos custos das obras. O consórcio Conest ainda avalia os impactos e a Odebrecht Engenharia Industrial - responsável pela construção das unidades de PTA, PET e POY que constituem a Petroquímica Suape - antecipa que deverá haver alterações nos custos e prazos das obras da petroquímica, embora ainda não tenha concluído o levantamento do prejuízo.

Reclamações

Cícero diz que trabalha como carpinteiro, mas recebe como ajudante. Júnior Pedro reforça: "Minha função é de ajudante, mas na prática trabalho como profissional". Josinaldo, marteleteiro, acredita que o Conest está descontando os dias parados porque recebeu só R$ 8,00 na última quinzena.

Evandro Santos, 27 anos, veio do Maranhão e reclama: "Sou armador, estava desempregado e vim em outubro com a promessa de fazer muita hora extra. Em vez de hora extra, estou tendo desconto sem saber do quê".

"Os banheiros são químicos, não tem vestiário, trabalho o dia todo e volto para casa, à noite, sujo e suado", diz José Amaro, carpinteiro. "Sou evangélico e me sinto discriminado", diz Cristiano, que trabalha na área do almoxarifado e afirma não poder fazer suas orações.

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