3º domingo da Páscoa - ANO A - Subsídios exegéticos

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24 Abril 2020

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana - ESTEF: Dr. Bruno Glaab, Me. Carlos Rodrigo Dutra, Dr. Humberto Maiztegui e Me. Rita de Cácia Ló. Edição: Dr. Vanildo Luiz Zugno.

Leituras do dia
Evangelho: Lc 24,13-35
Primeira Leitura: At 2,14.22-33
Sl 16,1-2a.5.7-8.9-10.11
Segunda Leitura: 2Pd 1,17-21

Nesta “aparição de reconhecimento” Lc recapitula os temas mais significativos do seu evangelho em uma densa síntese catequética de caráter narrativo. Ilustra como na comunidade se possa experimentar a presença do Cristo ressuscitado com a leitura das Escrituras e a Eucaristia.

As articulações principais do texto são duas: dois discípulos se afastam de Jerusalém (v.13-24); reconhecimento de Jesus ao partir o pão e regresso a Jerusalém (v. 25-35).

A conversa revela atitudes típicas de expectativas populares.

v. 13-14-  Os dois não pertenciam ao grupo dos “onze” (v.33). Regressavam a Emaus. Somente Lc menciona a missão dos setenta e dois discípulos próximos a Jesus (10,1-12). Um dos discípulos é chamado Cléofas, o outro (outra?) é anônimo. Quase como se Lc quisesse convidar-nos a identificarmo-nos com este/a outro/a discípulo/a.

v. 15-17 - Jesus se aproximou dos dois discípulos sem ser reconhecido. O seu corpo, ainda que real, estava espiritualizado. A tristeza dos dois discípulos exprime o fracasso das suas expectativas messiânicas. A crucificação significava para eles o fim de toda esperança.

v. 18-21 -A expressão “profeta poderoso em obras e palavras” alude ao profeta equiparado a Moisés (Dt 18,15; At 3,22-23). Cléofas, com suas palavras (v.20) antecipava o primeiro elemento do kerygma apostólico (1Cor 15,3-5), mas omitia a parte mais importante, deixando de lado a ressurreição de Jesus (v.21): tudo indica que se considerava definitiva a morte.

v. 22-24 - Os dois discípulos conheciam o relato da descoberta do túmulo vazio da parte de algumas mulheres, confirmado por “alguns dos nossos” referente à visita de Pedro (v.12). A descrição tipicamente lucana da “visão (optasía) de anjos a declararem que ele está vivo”, coloca em destaque a novidade da vida do Ressuscitado, bem diferente daquela de um cadáver reanimado.

v. 25-27 - Lucas ilustra pela boca de Jesus como experimentar-lhe a presença através das Escrituras e da Eucaristia. Jesus critica esses discípulos por serem desprovidos de “inteligência” (anóêtoi) e de rapidez “no coração” (kardía), focando assim o lado intelectual e emocional da fé.

Partindo de Moisés e dos Profetas, “interpretou-lhes” as Escrituras no que dizia respeito a ele. Temos aqui a legitimação da peculiar leitura cristã do AT, o tema implícito da Escritura judaica é Jesus.

Note-se o verbo diermêneusen (interpretou-lhes) cognato da palavra “hermenêutica”.

v. 28-30 - O evangelista sugere que para entrar em comunhão com Jesus é necessário rezar. Os dois discípulos convidam Jesus com uma súplica, “Fica conosco”. Jesus se faz presente em vários modos na comunidade, com a escuta da Palavra, a acolhida aos pobres, aos forasteiros, mas, sobretudo, na eucaristia. “E ele entrou para ficar com eles”, colocando-se todos em torno à mesa. Estas expressões revelam a experiência forte do encontro com o Ressuscitado.

Dois aspectos aparecem intimamente unidos no relato. Por todo o Evangelho de Lucas, a comensalidade é vista como teste decisivo da solidariedade social. Comer juntos significa que um laço permeava profundamente todos os participantes. Nos v. 30 e 35 a linguagem lucana, ao empregar o termo técnico “fração do pão” que retomará em At 2,42, aponta sem dúvida para a eucaristia.

Com conotações eucarísticas óbvias, a refeição conduz também a um acontecimento chave de interação social, levando a concluir que o Messias ressuscitado e seus seguidores estão unidos. A conclusão retoma o ponto central da narrativa: o reconhecimento do Ressuscitado na fração do pão.

 

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