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12 Abril 2019

Questão espinhosa esta, do sofrimento do justo… O profeta e o salmista falam de sua própria caminhada espiritual através dos sofrimentos que lhes foram infligidos. Paulo e Lucas nos dão a contemplar o mistério de Cristo que assume o sofrimento da Cruz para a salvação do mundo. Hoje, a multidão de Jerusalém, cheia de alegria, acolhe este a quem reconhece como o Messias: Hosana no mais alto dos céus! Conforme a profecia de Zacarias, Jesus entra em Jerusalém montado num jumentinho. Acolhamos o extraordinário e sigamo-lo, com os ramos nas mãos: Ele é o nosso Rei.

A reflexão é de Marcel Domergue (+1922-2015), sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do Domingo de Ramos - Ciclo C (14 de abril de 2019). A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.

Referências bíblicas
A entrada messiânica do Senhor em Jerusalém: Lucas 19,28-40.
1ª leitura: “Não desviei o rosto dos bofetões e cusparadas... Sei que não sairei humilhado” (Isaías 50,4-7)
Salmo: Sl. 21(22) - R/ Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
2ª leitura: “Humilhou-se a si mesmo, por isto Deus o exaltou” (Filipenses 2,6-11)
Evangelho: Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo (Lucas 23,1-49 – mais breve)

Olhemos as coisas de frente

Durante toda esta semana, somos convidados a reviver a Paixão de Cristo e a nos perguntarmos pelo significado que estes acontecimentos podem ter para as nossas vidas. Com que estado de espírito devemos ler ou ouvir o relato da Paixão? A cada um de nós cabe responder a esta questão, de acordo com o que a vida, neste momento, nos dá para viver. Deixemos estas palavras penetrarem em nós. Estamos aqui no cume da Revelação. De fato, aí é que ficaremos sabendo da última verdade sobre Deus. Também, portanto, da última verdade sobre o homem, que só pode existir de verdade sendo imagem de Deus. Verdade que coroa toda a mensagem evangélica, tudo o que Jesus fez e ensinou, mas que a maior parte das testemunhas, cegas e surdas, recusaram ver e ouvir. Esta verdade de Deus e do homem vamos encontrá-la enunciada nos versículos 24-27 deste capítulo 22 de Lucas: Jesus põe-se no meio dos seus discípulos como quem os serve à mesa. E o que dará para comerem e beberem? A sua carne e o seu sangue, como acabara de significar oferecendo-lhes o pão e o cálice de vinho. O alimento que os manterá em vida é Ele mesmo. Para nós, este dom tornou-se um "sacramento". Jesus, contudo, irá passar por uma série de acontecimentos cuja crueldade nos escapa, talvez por nos termos acostumado a eles, mas, seguramente, porque temos dificuldade de olhar de frente o desvelamento da nossa verdade e da verdade de Deus. Temos feito da Cruz uma joia, um adereço.

As duas linhas

Apoiados nas promessas "divinas" e nas profecias expressas em linguagem de símbolos e parábolas, a maior parte dos contemporâneos de Jesus, inclusive os discípulos, esperava o advento de um reino independente, provedor de prosperidade e de riquezas. Esta esperança percorre toda a Bíblia e exprime a nostalgia do período idealizado dos reinos de Davi e de Salomão. Só que se tinha chegado à deportação e a ocupação estrangeira. Muitos, então, se passaram a outra concepção do Reino esperado: o da presença interior de Deus. A multidão que acolheu Jesus nas portas de Jerusalém havia, com certeza, permanecido naquela primeira forma de esperança. Até mesmo os apóstolos vão perguntar a Jesus, após a Ressurreição, se não seria aquele o momento em que se restabeleceria o Reino em Israel.

Foi preciso a vinda do Espírito para que entrassem na perspectiva do Reino não mais da terra, mas dos céus. Cada vez que esperamos de Deus vantagens materiais, recaímos naquele primeiro tipo de esperança, que a Cruz vem desmentir e substituir. De fato, foi na Páscoa do Cristo que ficamos sabendo o que somos e até onde vai o amor de Deus para conosco. A Cruz é a revelação do amor sem limites e a Ressurreição nos diz que a morte não tem a última palavra. Entrar no Reino é entrar no domínio da vida, sendo que é salva somente a vida que se dá.

A plenitude do amor

De um lado, temos a ambição de decidir o que é bom e o que é mau, para nós e para os outros, temos a busca da notoriedade, a vontade do poder, o culto do dinheiro, a ambição do primeiro lugar... No lado oposto, temos a escolha de nos tornarmos "servidor" até ao ponto de dar a própria vida. Esta é a diferença entre a "loucura" e a "Sabedoria" em sentido bíblico. Para os "insensatos", dar a própria vida é loucura. Paulo dirá que a Cruz é loucura para os pagãos e escândalo para os judeus (1 Coríntios 1,23). Foi "por inveja" que os responsáveis de Jerusalém enviaram Jesus à morte (Mateus 27,18). A inveja ciumenta é assassina. Só que a morte que decidiram lhe dar, foi Jesus mesmo, enfim, quem escolheu livremente: "Minha vida, ninguém a tira de mim, mas eu a dou livremente" (João 10,18).

Ele reúne todas as vítimas dos nossos desejos assassinos. E assim se manifesta a onipotência de Deus, capaz de abordar de frente o nosso mal, de tomá-lo para Si mesmo e superá-lo. Nossos malfeitos só puderam provocar de Sua parte um acréscimo de amor. A reflexão sobre a lógica divina do amor não deve nos impedir de olhar o que os evangelhos nos dão para ver, de escutar as palavras pronunciadas e de sopesar os silêncios. Certamente os evangelistas são muito sóbrios em suas descrições, e, assim, não se demoram no que Jesus está sentindo. Sabemos que no Getsêmani houve um movimento de recuo. Mas somente no Getsêmani? A crucifixão é algo horrível. Jesus passou por isso. O amor não tem limites.

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