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26 Mai 2017

Os onze discípulos foram para a Galiléia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando viram Jesus, ajoelharam-se diante dele. Ainda assim, alguns duvidaram. Então Jesus se aproximou, e falou: «Toda a autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra. Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo.»

Leitura do Evangelho de Mateus 28, 16-20 (Corresponde ao Domingo da Ascensão do Senhor, ciclo A
do Ano Litúrgico).

O comentário é de Ana Maria Casarotti, Missionária de Cristo Ressuscitado.

Deus conosco no quotidiano

Celebramos hoje a Festa da Ascensão de Jesus aos céus. Jesus ressuscita e aparece às mulheres e aos discípulos. E o Evangelho de Lucas nos diz que, após se despedir deles, Jesus sobe aos céus. Nos Atos dos Apóstolos, separa-se em 40 dias a Páscoa da Ascensão, “que podemos qualificar de tempo teológico de transformação e conversão, para enfatizar simplesmente que os discípulos de Jesus precisaram de tempo para tomar consciência de que Jesus, morto, não somente partiu (Ascensão), mas que também está vivo e presente de outra maneira (Páscoa) na sua Igreja”, como assinala Raymond Gravel no seu comentário: Ascensão do Senhor. Como dizer a Páscoa de outra maneira?.

Para melhor entender a narrativa do texto Evangélico (Lucas) que descreve este fato, é preciso lembrar, em termos gerais, a linguagem utilizada nessa época, que responde a um olhar mítico da realidade. Acreditar que Deus está no céu significa que está no mais alto, e o mais baixo, ou seja, o que está por debaixo da terra, o inferno, representa a presença do mal. O homem situa-se entre o céu e a terra, entre Deus que está nas alturas e a terra que representava todo o negativo. Jesus desce do céu, se faz homem e depois da sua morte
desce ao inferno e logo volta a subir.

A Páscoa-Ascensão e o Pentecostes são um só acontecimento, mas é necessário colocar em diferentes momentos do tempo para entender melhor sua complexidade.

Voltando ao nosso texto, lemos que “Os onze discípulos foram para a Galileia”. Eles atuam respondendo a um pedido de Jesus: “dirigem-se ao monte que Jesus lhes tinha indicado”. Em várias oportunidades Mateus relata que Jesus sobe a um monte ou montanha.

Por exemplo, no capítulo 4, quando, estando no deserto conduzido pelo Espírito"é levado pelo diabo a um monte muito alto para ser tentado” (Mt 4). No capítulo 5, 1-2, Mateus narra que “Jesus viu as multidões, subiu à montanha e sentou-se. Os discípulos se aproximaram, e Jesus começou a ensiná-los”. A montanha é um lugar de ensino e cura (Mt 15). Também aparece em momentos importantes da vida de Jesus como o lugar ao qual ele dirige-se para orar (Mt 14,23), ou na Transfiguração: “Jesus tomou consigo Pedro, os irmãos Tiago e João, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E se transfigurou diante deles (17, 1-2a)”.

O monte significa o espaço onde está Deus, o âmbito do sagrado, onde se situa também Jesus. Ele prometeu sua presença nesse espaço quotidiano da vida dos discípulos, onde Jesus esteve com eles antes de dirigir-se a Jerusalém e enfrentar os que se consideravam donos da vida das pessoas tanto a nível religioso como imperial. Sabia que seria assassinado, mas ele não renuncia a proclamar sua mensagem e a viver o confronto que o leva à morte.

Os discípulos se ajoelham diante de Jesus e ainda há alguns que duvidam. É um sinal de respeito e também da fragilidade da comunidade, mas Jesus permanece no meio deles como prometeu aos discípulos: “Eu estarei com vocês todos os dias até o fim do mundo”.

Jesus está no meio deles, ele é o Emanuel, o Deus conosco, como anuncia-se no início e também neste trecho do Evangelho.

Caminha com seu povo entre certezas e dúvidas, no meio de luzes e sombras. Nessa realidade a comunidade é convidada a ser discípula e missionária. Para isso entrega-lhes a capacidade de fazer discípulos entre os povos de todo o mundo.

Jesus entrega seu Espírito que fortalece nossa vida como discípulos e discípulas e oferece-nos sua luz e sabedoria para ir aonde ele está nos convidando.

Qual é nosso mundo hoje? Sabemos que como cristãos não podemos ficar fechados num pequeno grupo. Somos convidados e convidadas a ir àqueles lugares “de fronteira”, onde o sofrimento, a realidade social e até religiosa clama por vida, por uma paz justa e libertadora.

Nosso lugar é o mundo, com seus avanços e retrocessos, com suas vitórias humanas e suas devastações de diferentes índoles. Mundo que interpela e desafia a fé da comunidade eclesial.

Neste tempo histórico tão conflitivo, o Papa Francisco é considerado o Papa da Paz. Ele procura permanentemente a paz nas diferentes situações de guerras, lutas, injustiças, que acontecem diariamente no nosso mundo.

No encontro do Vaticano entre Francisco e Trump, acontecido no 24 de maio, o Papa deu a Trump um grande medalhão que traz dois ramos de oliveira entrelaçados como símbolo da paz e da unidade, dizendo ao presidente: “Aqui, a divisão da guerra, no meio, e a oliveira está tentando reuni-los lentamente em paz. (...) É o meu desejo que você se torne uma oliveira para construir a paz”

Celebrar a festa da Ascensão é agradecer a Deus o presente de nossa vocação eterna já alcançada para todos/as por Jesus e renovar nosso compromisso eclesial de ser comunidade convocada e enviada para que todos os povos tenham vida e vida em abundância.


Aprofunde sua reflexão...

Abrir o horizonte

Ascensão: subir à Galileia, descer em direção ao vasto mundo

"Eu estou com vocês todos os dias, até ao fim do mundo"

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