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03 Mai 2014

Cristo não vive mais “segundo a carne” (conforme meditamos na Quaresma), mas, no presente, ele vive “segundo o Espírito”. E só se revela aos que deixam os seus corações arderem no fogo da Palavra.

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 3º Domingo do Tempo Pascal. A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.

Eis o texto.

Referências bíblicas:
1ª leitura: Atos 2,14. 22-33
2ª leitura: 1 Pedro 1,17-21
Evangelho: Lucas 24,13-35

A morte superada

A primeira leitura, de Atos dos Apóstolos, recapitula de alguma forma as explicações dadas por Jesus aos dois discípulos, no caminho de Emaús. Esta leitura põe em evidência uma distinção que nem sempre alcançamos e que, no entanto, é de importância capital: muitos imaginam ter sido Deus quem quis que o Cristo morresse na cruz, para pagar as nossas dívidas para com ele, e sofrer em nosso lugar o castigo que merecemos. Mas não é isto o que diz o texto: «Este homem, entregue segundo o desígnio e a vontade de Deus, vós o matastes, crucificando-o pela mão dos pagãos.» Devemos ponderar as palavras: Deus quis certamente nos entregar o Cristo, ou seja, quis colocar-se, por ele e nele, à disposição da liberdade humana. A questão é: e nós, o que fizemos com ele? Nós o temos crucificado, eliminado das nossas cidades, das nossas vidas, e, no momento das decisões importantes, o temos reduzido ao silêncio. No coração de nossa história, Jesus vem revelar este drama quase sempre escondido e ignorado. Mas ao mesmo tempo ficamos sabendo que este assassinato do amor por nós perpetrado veio dar em nada menos do que na morte da morte. A peça necessária à formação da convicção, o cadáver, nos foi furtado; as mulheres que foram ao túmulo «não encontraram o corpo», dizem os discípulos de Emaús. E falam, no entanto, exatamente de um ser corporal, mas sobre este corpo não têm mais interferência alguma: o homem ômega superou a morte.

O acidentado caminho da fé

Os dois discípulos estão fugindo da cidade em que, acreditavam, veriam concretizadas as suas esperanças: Jerusalém! O lugar onde, para Lucas, tudo aconteceu. Um falso caminho, uma estrada de decepção e tristeza. «Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel!» Se o evangelista nos conta com tantos detalhes este episódio a que Marcos não consagra mais do que dois versículos e que é ignorado por Mateus e João, é sem dúvida para nos convidar a que nos projetemos no desespero destes dois discípulos. Isto acontece também conosco, ver a nossa fé anuviar-se ou até mesmo desaparecer. E este eclipse avança muitas vezes para um segundo grau: duplica-se com a angústia por não crermos mais. É difícil, nesse momento, compreender que esta angústia esconde de fato uma forma sutil da própria fé. Lucas nos revela que nossas falhas e fraquezas não são nem anormais nem condenadas à catástrofe. O mais comum é que, do mesmo modo que os discípulos de Emaús, estamos em vias de perder uma fé ingênua demais, para passarmos a uma forma de fé mais autêntica; e este processo não termina nunca. No versículo 32, vemos os discípulos tomados pela alegria de uma fé inteiramente nova; mas no versículo 37 (fora da leitura), a fé desaparece de novo, dando lugar ao «espanto e temor». Como no caso dos primeiros discípulos estas fraquezas foram previstas e toleradas, não devemos surpreender-nos por encontrá-las também em nós. Sejamos mais indulgentes no que nos diz respeito.

"Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles"

Eles não o reconheceram porque «estavam como que cegos». As Escrituras levam em conta muitas vezes esta cegueira. Por exemplo, depois do sonho em que viu a escada que une a terra e o céu, Jacó diz: «Na verdade, Deus está neste lugar e eu não o sabia!» (Gênesis 28,16). Para tomar consciência da presença divina, foi preciso que Ele se revelasse. O mesmo acontece conosco: de tempos em tempos, tomamos consciência de que o Cristo caminhava conosco enquanto pensávamos estar passando pela maior solidão. De fato, Deus está sempre aqui, ao nosso lado, ou melhor, dentro de nós, e a ausência d’Aquele que nos faz ser significaria o nosso desaparecimento. Por isso Inácio de Loyola nos recomenda que, em momentos de abandono e solidão, lembremos os instantes em que «o nosso coração estava ardendo» com a presença divina. O Cristo jamais nos deixa sozinhos; intangível, Ele é sempre o nosso companheiro de estrada e não temos de nos preocupar quando nós também nos encontramos «lentos para crer». Um lembrete: os discípulos de Emaús são os nossos precursores. Assim como nós, estão já nos três pilares da fé que são próprios aos que nunca viram Jesus: as Escrituras, que Jesus fez com que compreendessem; o pão partido e repartido, que é o símbolo do amor que deve nos unir; a comunidade que chamamos Igreja e que os dois discípulos reencontram no final do relato.

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