Bodas simbólicas

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19 Janeiro 2013

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 2o Domingo do Tempo Comum -  Ciclo C. A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara, e José J. Lara.

Eis o texto.


Referências bíblicas:
1a leitura
: Isaías 62,1-5
2a leitura: 1Cor 2,4-11
Evangelho: João 2,1-11

O tempo do Natal nos fez descobrir um Deus próximo dos homens, um Deus que reside entre os homens. Hoje, vemos Deus revelar-se enamorado, amoroso da humanidade. De fato, a Bíblia inteira é uma grande história de amor, uma história de Aliança. Mas, nos textos deste domingo, esta imagem é ainda mais forte: é a imagem dos esponsais entre Jerusalém e o Senhor (primeira leitura), entre o Cristo e a Igreja, e o relato das “bodas de Caná” (Evangelho), em que Jesus realiza o primeiro sinal do Reino. Pela Encarnação de seu Filho, Deus desposou a humanidade e cada Eucaristia anuncia a festa das núpcias eternas.

Bodas simbólicas

No evangelho de João, Jesus realiza o seu primeiro sinal durante um banquete de núpcias. Como podemos perceber pelo epílogo de seu evangelho, estes sinais são relatados “para que creia que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo nele, tenhais a vida em seu nome.” Trata-se, portanto, uma vez mais, em Caná, da revelação do Cristo, de sua manifestação, de sua Epifania. Um banquete de núpcias: na simbologia de João, este “detalhe” é significativo. Não esqueçamos que o Apocalipse, último escrito do Novo Testamento, termina quase que pelas “bodas do cordeiro”: as Núpcias do Cristo com a humanidade. Implícito aí, como em filigranas, está a nossa primeira leitura. O Novo Testamento voltará ao tema inúmeras vezes. Por exemplo, quando Jesus e os discípulos são repreendidos por não jejuarem e sua resposta é que, enquanto o esposo estiver entre eles, os amigos do esposo não podem jejuar. Jejuarão sim, mais tarde, quando este lhes tiver sido tirado. Pois, justamente em Caná vai-se ter de “jejuar”, uma vez que o vinho veio a faltar. Estes, de Caná, são esposos simbólicos: o esposo não é ainda o esposo verdadeiro e o banquete é uma figura apenas do banquete escatológico, do banquete das núpcias do Cordeiro. A sua hora não havia ainda chegado. Por isso mesmo, talvez, o relato não está focado nos esposos; estes ocupam nele apenas um pequeno espaço. É outro o casal que está no primeiro plano: Maria e Jesus.

O horizonte da Páscoa

A psicanalista Françoise Dolto diz que Maria gestou Jesus para a sua vida pública assim como o havia posto no mundo, em Belém. De fato foi ela que fez com que Jesus realizasse o seu primeiro sinal, o sinal pelo qual a sua glória se manifestará. As palavras “Fazei tudo o que ele vos disser” nos fazem pensar nas que foram ditas no momento da Anunciação: “Faça-se comigo segundo a tua palavra!”. Mas não nos afastemos de João: em seu Evangelho não se falará novamente de Maria, a não ser ao pé da cruz. E ela, aí, ficará muda; só Jesus irá falar. Palavras misteriosas que, de algum modo, falam de uma terceira gravidez, pois Maria foi declarada mãe do discípulo e o discípulo, filho de Maria. Temos aí, já, através deste discípulo, o novo corpo, o corpo único de que fala a segunda leitura, e que é como que o fruto da esposa do Espírito. As Escrituras não receiam misturar nem superpor as imagens: a esposa é Maria, exatamente, uma vez que é a mãe, mas a esposa é também a humanidade, que nasce deste ato gerador, esta Igreja pela qual Jesus dá a sua vida, como explica Paulo com lirismo, em Efésios 5,25-33. As bodas figurativas de Caná correspondem à realidade das núpcias do Calvário, mas, desta vez, o leito nupcial é a cruz na qual a nova humanidade é gerada. É a uma só vez gerada e desposada. Esta espécie de incesto não nos deve surpreender. Isaías escrevia já: “como um jovem homem se casa com uma virgem, assim o teu arquiteto te desposará” (62,5).

O vinho do fim

Ao pedido de Maria, Jesus responde: “Por que dizes isso a mim? Minha hora ainda não chegou.” De que hora se trata? Da hora pascal, evidentemente. Sobretudo em São João, são frequentes as menções a “a hora pela qual Jesus veio ao mundo”. Citemos somente 12,23 que, como em Caná, associa o tema da hora ao tema da glória. “É chegada a hora em que o Filho do homem será glorificado.” Mas como o fato de intervir para providenciar vinho para os convivas do banquete pode antecipar a sua hora pascal? É que esta “multiplicação” do vinho remete às multiplicações dos pães que, também, remetem aos relatos da última Ceia. Com certeza, não lemos em João: “Isto é a minha carne (...) isto é o meu sangue”, mas seu capítulo 6 repete sob diversas formas que “minha carne é verdadeiramente comida, meu sangue é verdadeiramente bebida.” A menção às talhas de pedra, destinadas às abluções rituais, faz pensar na cena do lava-pés que, em João, substitui o que chamamos de instituição da Eucaristia. O batismo pelo qual Jesus será batizado e que fará dele o servidor de Deus e dos homens vem em continuação. Temos aí, portanto, o vinho do fim, o melhor vinho que foi guardado “até agora” (a hora). Não se poderia imaginar nada melhor: ele antecipa o vinho do “banquete celeste” (ver Mateus 26, 29).

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