Evangelho de João 4, 5-15. 19-42

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17 Março 2014

Fonte: http://bit.ly/1iTudN9

Naquele tempo, Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era por volta de meio-dia. Chegou uma mulher de Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: "Dá-me de beber".

Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. A mulher samaritana disse então a Jesus: "Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?". De fato, os judeus não se dão com os samaritanos.
Respondeu-lhe Jesus: "Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: 'Dá-me de beber', tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva".

A mulher disse a Jesus: "Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar água viva? Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?".

Respondeu Jesus: "Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna".

A mulher disse a Jesus: "Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la". "Senhor, vejo que és um profeta! Os nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar."

Disse-lhe Jesus: "Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus.

Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito, e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade".

A mulher disse a Jesus: "Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas". Disse-lhe Jesus: "Sou eu, que estou falando contigo".
Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus. Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. E muitos outros creram por causa da sua palavra. E disseram à mulher: "Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o salvador do mundo".

Leitura do Evangelho de João 4, 5-15. 19-42 (Correspondente ao 3º Domingo de Quaresma, ciclo A do Ano Litúrgico).

O comentário é de Ana Maria Casarotti, Missionária de Cristo Ressuscitado.

 

A mulher de Samaria

Neste terceiro domingo de Quaresma, a Igreja nos convida para meditar e reviver o encontro de Jesus com a mulher samaritana.

Sabemos o lugar importante que têm as mulheres no quarto evangelho, o que é reflexo da história, da teologia e dos valores da comunidade joanina. Não é em vão que quase no início do evangelho apareça esta mulher estrangeira, com a qual Jesus tem a ousada iniciativa de iniciar um diálogo.

Desta maneira, ele transgride quatro preceitos e costumes que estavam muito arraigados na sua cultura: um judeu não dialoga com uma samaritana, um mestre não procura discípulas, um justo não se aproxima de uma mulher com cinco maridos, um homem não dirige a palavra a uma mulher publicamente.

Podemos então imaginar a surpresa que tem a mulher quando chega ao poço e escuta esse homem falando para ela e ainda se colocando em uma condição de necessidade, mendigando água: "Dá-me de beber".

Um pouco mais adiante o texto nos narra a surpresa dos discípulos diante deste fato: “ficaram admirados de ver Jesus falando com uma mulher, mas ninguém perguntou o que ele queria, ou por que ele estava conversando com a mulher”. Jesus também quebra suas ideias!

No pedido de Jesus para a mulher, ele mostra-se necessitado, frágil, humano! Depois da longa caminhada com seus amigos, chega a Samaria, encontra um poço com água, senta-se à borda do poço, cansado e com sede.

Somos capazes de imaginar um Jesus assim? Sentado na beira do poço, não como um super-homem, onipotente, senão como um judeu desse tempo que sofre o calor e o cansaço.

Pensemos também na mulher samaritana. Ela questiona Jesus sobre sua ignorância na relação entre judeus e samaritanos: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou samaritana?” E ela continua questionando Jesus: “certamente não pretendes ser maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço, e do qual ele bebeu junto com seus filhos e animais!”.

É um diálogo com um forte conteúdo simbólico, e a nova relação que se estabelece implica um progressivo conhecimento mútuo.

 

Assim como a mulher samaritana, também nós precisamos percorrer um caminho para conhecer quem é verdadeiramente o Messias. Como ela, temos várias imagens ou ideais de Deus que pouco têm a ver com o Deus revelado por Jesus.

No diálogo que nos narra o evangelista, percebemos como Jesus vai se revelando à samaritana, aos poucos despertando nela o desejo cada vez maior de saber quem Ele é, qual é essa água que Ele possui.

No início do diálogo ela o reconhece como judeu, depois aceita que ele é maior que Jacó, mais adiante o reconhece como profeta, para chegar finalmente ao reconhecimento como o Messias esperado.

Até que ela mesma consegue "tocar" sua necessidade profunda e exclamar: "Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la".

Creio que poderíamos colocar nos lábios da samaritana as palavras do profeta Jeremias: "Seduziste-me, Senhor, e me deixei seduzir".

Esta experiência de encontro com Jesus, que também a fez conhecer a verdade de si mesma, fez dela uma discípula missioneira. É de notar que o evangelista coloque uma mulher em uma função missioneira, a ponto de atrair a muitos com a força de sua palavra: "os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles".

Um primeiro desafio que este texto nos oferece é nos abrirmos à novidade. Não quer dizer que seja alguma coisa inexistente, mas é uma forma nova de ver a realidade. Nesta situação de progressiva aproximação de um para o outro vai se gerando um novo vínculo.

O texto nos convida a ser como esta mulher: procurar e dialogar com os/as desconhecidos/as com o risco de carregar sobre as costas as críticas alheias.

A diversidade abre fronteiras que delimitam e excluem pessoas. Estabelece pontes onde geralmente há grandes muros de separação, como fez o Papa Francisco em Lampedusa.

E para isso é preciso quebrar o silêncio e nos comprometermos com os diferentes ainda que nossas convicções sejam questionadas. Muitas vezes um aparente respeito mútuo não deixa espaço para a sensibilidade com o/a outro/a. Por isso é preciso quebrar o individualismo que se disfarça de muitas formas de silêncio.

Na comunidade joanina não existe diferença no seguimento de Jesus entre homens e mulheres. O que capacita tanto uns como outras é o encontro com Jesus e o seguimento à sua pessoa e proposta de vida: "Não há mais diferença entre judeu e grego, entre escravo e homem livre, entre homem e mulher, pois todos vocês são um só em Jesus Cristo" (Gal 3, 28).

Perguntemo-nos se, em nossa família, nossa comunidade local, nossa Igreja, se vivem essas relações de confiança e igualdade. E que passos poderíamos dar para que as mesmas acontecessem.

As últimas palavras que nos oferece o evangelho deste domingo – "Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o salvador do mundo" – revelam como se bem a mediação da mulher foi importante, a experiência de encontro com Jesus é pessoal.

Cada um deles guiados pelas palavras da samaritana acorreu ao encontro de Jesus e o conheceram pessoalmente.

Hoje também nós podemos nos deixar guiar pela palavra deste evangelho que tem esta função de ser mediadora, para que cada ouvinte crente possa viver a experiência de descobrir sua sede e beber da fonte de água que jorra para a vida eterna.

Oração

BENÇÃO DA MULHER

Que o Senhor te conceda a audácia de Débora
E a valentia de Ester e de Judite.
Que te encha da alegria com a Ana
E de lealdade
E de amor fiel como Rute.
Que possas cantar e dançar
Junto ao mar
Como Maria, a profetisa
E que, como Maria de Nazaré,
Proclames a grandeza do Senhor,
No triunfo dos famintos e dos humildes.
Que chegues a encontrar-te com Jesus, o Senhor,
Como o encontraram Maria Madalena e Marta
E Salomé e a Samaritana.
Ele lhes devolveu a dignidade
E a liberdade de lhes deu um nome novo.
E que, como aquela mulher encurvada
De quem Jesus e aproximou e pôs de pé,
Possa tu viver erguida
E ajudar a erguer a outros, a outra.
Porque ela
E tu, e nós
e todas as mulheres e homens,
somos chamados e chamadas
a pôr-nos de pé,
glorificando a Deus.

Autor desconhecido.

Referências

BROWN, Raymond. La comunidad del discípulo amado. Salamanca: Ed. Sígueme, 1983.

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