Discernir os caminhos a seguir

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11 Novembro 2016

Algumas pessoas comentavam sobre o Templo, enfeitado com pedras bonitas e com coisas dadas em promessa. Então Jesus disse: «Vocês estão admirando essas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído.»

Eles perguntaram: «Mestre, quando vai acontecer isso? Qual será o sinal de que essas coisas estarão para acontecer?»

Jesus respondeu: «Cuidado para que vocês não sejam enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu!.” E ainda: ‘O tempo já chegou’. Não sigam essa gente. Quando vocês ouvirem falar de guerras e revoluções, não fiquem apavorados. Primeiro essas coisas devem acontecer, mas não será logo o fim.» E Jesus continuou: «Uma nação lutará contra outra, um reino contra outro reino. Haverá grandes terremotos, fome e pestes em vários lugares. Vão acontecer coisas pavorosas e grandes sinais vindos do céu.»

«Mas, antes que essas coisas aconteçam, vocês serão presos e perseguidos; entregarão vocês às sinagogas, e serão lançados na prisão; serão levados diante de reis e governadores, por causa do meu nome. Isso acontecerá para que vocês deem testemunho. Portanto, tirem da cabeça a ideia de que vocês devem planejar com antecedência a própria defesa; porque eu lhes darei palavras de sabedoria, de tal modo que nenhum dos inimigos poderá resistir ou rebater vocês. E vocês serão entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vocês. Vocês serão odiados por todos, por causa do meu nome. Mas não perderão um só fio de cabelo. É permanecendo firmes que vocês irão ganhar a vida!»

Evangelho de Lucas 21, 5-19. Correspondente ao 33° Domingo do Tempo Comum, Ciclo C do Ano Litúrgico.

Discernir os caminhos a seguir

Quando lemos este texto é fundamental lembrar a situação dos cristãos no momento que foi escrito. Lucas escreve para comunidades que foram testemunhas da perseguição de Tito no ano 70 d.C.

Muitos cristãos foram assassinados pelos romanos. Num primeiro momento, Nero, que em Roma provocou um incêndio para depois acusar os cristãos. Logo depois Domiciano, que continuou com as perseguições, ainda mais severamente.

O Templo já tinha sido destruído, a cidade foi assolada e, como consequência, os judeus fugiram para diferentes cidades.

O drama já tinha acontecido! Neste contexto as palavras de Jesus são proféticas e oferecem uma explicação e alimentam a esperança para os/as cristãos desanimados.

Lemos com atenção as palavras que hoje nos oferece o texto evangélico.

Há um grupo de pessoas no Templo e ficam impressionadas pelo esplendor e grandeza da construção, pela perfeição das pedras que o constituíam. Lembremos que nessa construção participaram milhares de pessoas, que possivelmente eram escravos à disposição dos judeus.

Diante desta atitude de assombro, Jesus prevê sua destruição. Apesar dos/as discípulos/as já estarem acostumados à linguagem às vezes dura de Jesus, diante dessa premonição, perguntam-lhe se há um sinal para saber quando será isso.

A linguagem apocalíptica que prenunciava o final dos tempos gerava uma contínua expectativa nas pessoas. Cada destruição, fracasso ou pestes podia ser um sinal do final dos tempos. E os discípulos perguntam a Jesus sobre possíveis sinais para saber distinguir esse momento.

Mas a resposta de Jesus deixa em evidência uma realidade fundamental dos discípulos: a necessidade de discernir “para não ser enganados”. 

A busca do conhecimento sobre o fim dos tempos acompanha o ser humano ao longo da história. Por isso é preciso saber distinguir a presença do Espírito no tempo histórico que cada comunidade vive.

Jesus não oferece uma receita, senão outorga uma forma de vida de todos os cristãos ao longo da história. Cada período está inserido entre dificuldades, adversidades, tribulações, crises.

Hoje constatamos com pena que os assassinatos e perseguições dos cristãos não são uma lembrança do passado, mas sim um contínuo presente que exige ser firmes na fé e viver atentos! 

Lembremos o Pe. Jacques Hamel assassinado quando celebrava missa numa Igreja na França. Ele dizia que "Podemos ouvir neste tempo o convite de Deus para cuidar deste mundo, para torná-lo, lá onde vivemos, mais caloroso, mais humano, mais fraterno". O padre também convidava a rezar pela paz, "atentos àquilo que acontece no nosso mundo nestes tempos". (Leia a Notícia completa: Quem era o padre Jacques Hamel, morto pelos terroristas na França)

O Papa Francisco disse aos escritores de revista jesuíta Civiltá Católica que hoje é necessário diálogo, discernimento e novas fronteiras. 

“A tarefa de vocês é reunir e expressar as expectativas, os desejos, as alegrias e os dramas do nosso tempo, e oferecer os elementos para uma leitura da realidade à luz do Evangelho. As grandes perguntas espirituais hoje são mais vivas do que nunca, mas há a necessidade de que alguém as interprete e as entenda.” E continua dizendo que “Deus está agindo na vida de cada pessoa e na cultura: o Espírito sopra onde quer.” “Tentem descobrir o que Deus tem feito e como continuará a sua obra”.

Peçamos ao Senhor que nos conceda viver de olhos abertos, com capacidade de diálogo para discernir os caminhos a seguir.

Oração

«Tomai, Senhor, e Recebei», de Santo Inácio de Loyola

Tomai, Senhor, e recebei
toda a minha liberdade,
a minha memória,
o meu entendimento
e toda a minha vontade,
tudo o que tenho e possuo;
Vós mo destes;
a Vós, Senhor, o restituo.
Tudo é vosso,
disponde de tudo,
à vossa inteira vontade.
Dai-me o vosso amor e graça,
que esta me basta.

Referências

  • BARBAGLIO, Giuseppe; FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. Os Evangelhos. São Paulo: Loyola, 1990.
  • CRB, NACIONAL. Que nossos olhos se abram. Uma leitura de Mateus em perspectiva do Tesouro. Brasília: CRB, 2011.
  • SICRE, José Luis. O Quadrante I. São Paulo: Paulinas, 2000.

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