Kim convida o papa, a Santa Sé não comenta. Mas a Coreia está no centro da diplomacia vaticana

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10 Outubro 2018

O “ditador” Kim Jong-un quer se encontrar com o Papa Francisco e não vê a hora de recebê-lo “calorosamente”. Mais um movimento surpreendente do líder norte-coreano, neto daquele Kim Il-Sung que extirpou os católicos do país.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada em L’HuffingtonPost.it, 09-10-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Será o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, que apresentará formalmente o convite do líder de Pyongyang ao papa quando for recebido em audiência no Palácio Apostólico no próximo dia 18 de outubro.

O porta-voz vaticano, Greg Burke, declarou que a audiência ocorrerá no dia seguinte a uma missa solene que o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, celebrará em São Pedro pela paz na península coreana, da que também participará o católico Moon.

A Coreia do Norte e o Vaticano não têm relações diplomáticas, mas o convite não é o primeiro dirigido a um pontífice pelo regime da família Kim. O New York Times ressalta que Kim “foi condenado como um dos piores opressores da liberdade religiosa no mundo”. A nota da Associated Press também foi fria, recordando o convite anterior da Coreia do Norte a João Paulo II, que condicionou a abertura aos padres católicos no país onde vive um “pequeno rebanho” de católicos (entre 800 e 3.000 pessoas). Também se recorda que Kim é um aliado próximo da China, com a qual o papa assinou “um acordo provisório” para a nomeação dos bispos católicos.

O convite de Kim a Francisco chega a dois dias do encontro entre o secretário de Estado estadunidense, Mike Pompeo, e o próprio Kim Jong-un na Coreia do Norte para discutir – como comunicou o Departamento de Estado – os detalhes de uma segunda cúpula entre o presidente Donald Trump e o presidente Kim, para continuar as negociações sobre a desnuclearização da península coreana. E o próprio Trump – enfaticamente – declarou em um tuíte há alguns dias que está “apaixonado” por Kim.

Parece difícil, então – ao contrário do que ocorreu inicialmente com as acusações de Dom Viganò –, que a mídia católica conservadora nos Estados Unidos encontre margens mais ou menos escondidas na administração estadunidense.

A Santa Sé não comentou de modo algum a possibilidade de uma visita papal, mas o Vaticano está comprometido há meses em um constante trabalho diplomático na península coreana.

O secretário vaticano para as Relações com os Estados, Paul Gallagher, visitou a Área de Segurança Conjunta na zona desmilitarizada entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul no dia 5 de julho passado e, naquela ocasião, proferiu palavras de esperança sobre o processo de paz.

As negociações diplomáticas entre as duas Coreias continuaram na terceira cúpula intercoreana entre Kim e Moon, que ocorreu no dia 18 de setembro, em Pyongyang, durante uma semana em que os católicos da Coreia do Sul celebraram os santos mártires da península.

A primeira-dama da Coreia do Sul, Kim Jung-sook, participou da missa com os bispos coreanos como parte das festividades. Ela pediu orações pelas negociações diplomáticas na catedral Myeongdong de Seul, poucos dias antes de partir de volta para Pyongyang para a cúpula.

“Desde 1965, a Igreja Católica coreana rezou pela verdadeira paz das duas Coreias e pela reconciliação da nação”, escreveu o presidente da Conferência Episcopal Coreana, o arcebispo Kim Hee-Jung Gwangju, em abril passado, após o primeiro encontro entre os líderes coreanos.

“Através dessas orações, algo de milagroso está ocorrendo nessa terra com a ajuda de Deus para quem nada será impossível”, acrescentou o arcebispo. Neste ano, o papa enviou à Coreia do Sul como seu novo embaixador uma personalidade de destaque, o arcebispo maltês Alfred Xuereb, que foi secretário de Bento XVI e do próprio Francisco. O diretor da revista La Civilta Cattolica, Antonio Spadaro, também foi à Coreia alguns dias antes do primeiro encontro histórico entre Kim e Moon.

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