III Congresso Continental de Teologia Latino-americana e caribenha: “o clamor dos pobres e da Terra nos interpelam”

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13 Setembro 2018

"Entre 30 de agosto e 2 de setembro celebrou-se em El Salvador, terra de mártires, especialmente de Dom Arnulfo Romero, o III Encontro Continental de Teologia Latino-americana e caribenha por ocasião dos 50 anos de Medellín (1968), reunião dos bispos latino-americanos e caribenhos que selaram a grande virada da Igreja na direção dos pobres e de sua libertação. Foi o batismo da Igreja nesta nova fase da história. Acorreram mais de 600 pessoas de todo o Continente e do estrangeiro, o que demonstra o interesse geral por esse evento e suas consequências posteriores. Damos aqui parte do relatório final que nos oferece um belo resumo do evento promovido pela Rede Ameríndia na Universidade UCA de San Salvador", escreve Leonardo Boff, escritor, teólogo e filósofo.

Mensagem aos povos da América Latina e do Caribe

1- Marcaram aqui sua presença jovens teólogos e teólogas, assim como também alguns irmãos e irmãs de Igrejas evangélicas e pentecostais.

2- Nesses dias, vivemos uma experiência, marcada pela convivência alegre e afetuosa, que se expressou em belas celebrações, diálogos em grupo, conferências, teatro, música, danças e peregrinação aos lugares sagrados do martírio de Monsenhor Romero e de outros mártires. Nossas Igrejas começaram a mudar o seu olhar de uma perspectiva que antes era centrada em si mesma para o olhar de uma Igreja para fora, ou como agora diz o papa Francisco: “em saída”. Medellín lhes deu a missão de ser “uma Igreja pobre, missionária e pascal, a serviço da libertação de toda a humanidade e de cada ser humano em todas as suas dimensões” (Medellín 5, 15).

3- Nesses dias, reaprendemos a ler a nossa fé e a vivê-la a partir dos princípios que nos ensinaram Dom Oscar Romero, o padre assassinado Ellacuría e tantos outros irmãos e irmãs que se fizeram nossos mestres e mestras, no seguimento de Jesus. Eles e elas nos revelam que temos de viver a fé dando atenção e importância à realidade social, política e cultural, olhada a partir da causa dos empobrecidos.

4- Em Medellín, a Igreja se inseriu nos processos de transformação social e política, vigentes no continente. Não descansaremos enquanto não possamos viver uma economia a serviço do bem comum e do cuidado com a Terra, a Água e toda a natureza à qual pertencemos como filhos e filhas.

5- Em todo o continente, continua nos interpelando o que Medellín chamou de “violência institucionalizada”. Até hoje, a sociedade dominante não respeita nem valoriza as comunidades indígenas de diversas etnias e suas culturas ancestrais.

6- Unimo-nos às lutas das mulheres que, em todos os países, são vítimas de diversos tipos de violência. Nesses 50 anos, reconhecemos a contribuição das teologias negras, as dos povos originários e, de maneira especial, a proposta feita pela teologia feminista de pensar uma Igreja de fato fundamentada no discipulado de iguais. Assumimos a causa das vítimas de abusos sexuais, cometidos contra crianças, adolescentes e contra mulheres e os irmãos e irmãs LGBT. É urgente mudar a estrutura patriarcal e clerical de nossas Igrejas.

7- Sabemos dos massacres de jovens, especialmente pobres e, em alguns países, em sua maioria negros, vítimas da deterioração das condições de vida e da violência urbana. Alguns de nossos teólogos e teólogas jovens estão acompanhando de forma criativa essas lutas.

8- As conquistas de novos processos sociais e políticos pertencem ao povo e merecem ser defendidas a partir das bases.

9- Denunciamos a responsabilidade do império norte-americano, que prossegue com sua política de desestabilização de governos que não se dobrem a suas exigências colonialistas. Seguiremos lutando contra as políticas xenófobas, racistas e desumanas do presidente dos Estados Unidos contra os migrantes, especialmente, nossos irmãos e irmãs pobres, que tentam entrar na fronteira norte-americana.

10- A conferência de Medellín propôs uma Igreja profética, a serviço da libertação de nossos povos, a partir da opção pelos pobres. Hoje queremos nos comprometer com o projeto de uma Igreja mais sinodal e valente, em permanente diálogo com a humanidade e especialmente com os movimentos sociais, organizados para mudar o mundo.

11- Reconhecemos como sinal do Espírito a proposta do “Bem Viver”, que recebemos dos povos originários do continente. Compreendemos que o “Bem viver” é caminho de uma sociedade de comunhão, que privilegia o bem comum sobre o particular e toma a sério os direitos da irmã Mãe Terra e da Vida.

Os zapatistas do sul do México nos ensinaram: Somos um exército de sonhadores/as. Por isso, somos invencíveis. Como disse São Oscar Romero, “sigamos fazendo o que possamos fazer, mas o importante é fazer”. Nessa esperança firme e inquebrantável, a força do Espírito que se expressa na força dos pobres nos ilumine e nos guie a todos/as pelos caminhos do Reino.

Nota:

Todos os presentes subscreveram um texto de apoio ao Papa Francisco face às oposições e resistências que vem sofrendo ultimamente pelos grupos conservadores que não querem mudanças no estilo de viver a fé cristã nos conturbados dias atuais.

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