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Por: Wagner Fernandes de Azevedo | 10 Setembro 2018

Os repetidos casos de violência na Universidad Autónoma de Mexico – UNAM foram alvo de indignação de milhares jovens que protestaram na maior cidade universitária da América Latina, na Cidade do México. Um ataque de porros ocorrido na segunda-feira, 03-09, contra estudantes no campus, foi o estopim para a mobilização ocorrida na quarta-feira, 05-09. Depois de sucessivas situações de violência, diferentes universidades e setores da sociedade civil juntaram-se ao enfrentamento dos grupos de porros.

Os grupos de porros são existentes há décadas nas universidades mexicanas. São movimentos organizados autonomamente para o controle paralelo das instituições de ensino ou atuando de maneira mercenária. Os grupos são formados geralmente por jovens próximos ao ambiente universitário, como alunos ou ex-alunos, que mantém o controle do tráfico e, financiados, servem a diferentes interesses nos conflitos políticos internos.

Na segunda-feira, 03-09, os porros atacaram um grupo de estudantes que estavam no hall da reitoria da UNAM protestando contra a existência do “porrismo” no campus e a falta de professores. Um grupo de porros foi até a manifestação para agredir os estudantes. Dezenas de jovens ficaram feridos, dois em estado grave.

O caso da segunda-feira é mais um em uma lista de violências. Nos últimos dois anos chamou a atenção os feminicídios de duas estudantes. Em maio de 2017, a jovem Lesvy Berlín foi encontrada enforcada no campus universitário. A investigação da Fiscalía mexicana concluiu que a jovem se suicidou em frente ao namorado. Entretanto, em vídeo divulgado pelo jornal El País, seu ex-namorado Jorge Luís Gonzalez aparece agredindo-a a poucos metros de onde o corpo foi encontrado. Apesar de preso pela agressão, Gonzalez não foi imputado pela morte de Lesvy.

No dia 20-08-2018, a estudante de 18 anos, Miranda Mendoza foi sequestrada depois que saía da aula. Os sequestradores cobraram um resgate de 5 milhões de pesos mexicanos (aproximadamente 1 milhão de reais, na cotação de 06-09-2018). A família não pode arrecadar o dinheiro, e em 21-08 seu corpo foi encontrado incinerado à beira de uma rodovia. A investigação em curso não apresentou nenhum suspeito.

A Cidade Universitária da UNAM abriga cerca de 300 mil estudantes. A instituição possui autonomia universitária para a sua segurança. Entretanto, os repetidos ataques levam a comunidade à indignação. O reitor Enrique Graue defende a continuidade do modelo e acusa que a violência não é gerada dentro do campus, mas chega da sociedade para lá. Na terça-feira, 04-09, pronunciou-se dizendo que é responsabilidade de toda a comunidade acadêmica garantir a segurança e a resolução pacífica dos conflitos na universidade.

A reitoria identificou e divulgou o nome de 18 estudantes envolvidos nos ataques da segunda-feira. Em nota oficial, o reitor anunciou que todos foram expulsos da universidade. Embora esses atos busquem demonstrar a legitimidade da atuação da universidade na segurança e a reitoria informe que o ambiente seja de tranquilidade, os centros universitários estão convocando assembleias para decidir uma greve. Também o coordenador de auxílio operativo da universidade, Teofilo Licona, foi afastado do cargo. Licona foi acusado de tentar diálogo com os porros enquanto ocorriam ataques com pedras e coquetéis molotov contra os estudantes.

No protesto da quarta-feira milhares estudantes pediram por soluções à violência no campus. As principais reivindicações eram pelo fim da violência de gênero e pelo fim dos porros. A polícia divulgou que foram 25 mil estudantes em marcha, as organizações estudantis estimaram entre 50 e 60 mil manifestantes.

Os massacres contra estudantes no México

No dia 2 de outubro serão completados 50 anos do Massacre de Tlatelolco. Não há cálculo correto sobre o número de mortos na manifestação estudantil contra a ocupação militar da UNAM pela ditadura do Partido Revolucionário Institucional. Estimam-se mais de 300 mortos, embora ainda haja processo investigativo.

Em 26 de setembro de 2014, 43 estudantes de uma Escola Rural de Ayotzinapa que se deslocavam para uma manifestação em Iguala estão desaparecidos. As investigações acusam o grupo narcotraficante Guerreros Unidos de serem os encarregados pela morte e incineração dos corpos em um aterro sanitário. Entretanto, a versão apresentada pela Procuradoria Geral da República do México é rechaçada e questionada por diversos organismos, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos – CIDH e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos – ACNUDH, de conter conclusões frágeis e de acobertar o papel das autoridades do Estado no desaparecimento.

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