Comitê de Defensores de Direitos Humanos denuncia ataque em acampamento sem-terra, no Pará

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30 Julho 2018

Os relatos das/os trabalhadores/as conta que, por volta da uma da manhã, os pistoleiros chegaram atirando e tocando fogo nos pertences e carros que estavam no acampamento. Ataque foi no Acampamento Hugo Chavéz, Marabá/PA.

A informação é publicada por CIMI, 28-07-2018.

Em nota divulgada hoje, Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH) denunciou o ataque na madrugada deste dia 28, a 450 famílias que ocupam a fazenda Santa Tereza, em Marabá (PA). Segundo comunicação, as famílias foram violentamente atacadas por pistoleiros e policiais. Os relatos das/os trabalhadores/as conta que, por volta da uma da manhã, os pistoleiros chegaram atirando e tocando fogo nos pertences e carros que estavam no acampamento.

“Trabalhadores foram espancados. As famílias sem-terra relatam momentos de pânico e terror!”

(Foto: MST)

O CBDDH cobra urgência dos mecanismos de proteção aos direitos humanos para garantir segurança e investigar os crimes cometidos no acampamento.

O texto repudia, ainda, a incitação de violência em discurso realizado neste mês, no Pará, por Jair Bolsonaro. O deputado manifestou apoio a chacina dos 19 trabalhadores sem-terra em Eldorado dos Carajás.

 

Integrantes do MST que foram atacados por pistoleiros (Foto: MST)

Eis a nota.

 Nota em repúdio à violência e em solidariedade às trabalhadoras/es sem terra do Acampamento Hugo Chavéz, no Pará

O Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH), rede composta por organizações e movimentos populares, vem a público manifestar repúdio à violência sofrida pelas famílias sem-terra do Acampamento Hugo Chavéz, localizado em Marabá/PA.

O Comitê recebeu notícia de que, nesta madrugada, 28 de julho, as 450 famílias que ocupam a fazenda Santa Tereza, foram violentamente atacadas por pistoleiros e policiais. Segundo relatos das/os trabalhadores/as, por volta da uma da manhã, os pistoleiros chegaram atirando e tocando fogo nos pertences e carros que estavam no acampamento. Trabalhadores foram espancados. As famílias sem-terra relatam momentos de pânico e terror!

De acordo com notícia veiculada esta manhã, “o movimento procurou a Delegacia de Conflitos Agrários (DECA) de Marabá para denunciar e intervir no conflito. “Eles disseram que havia ordem de comando superior de que não poderiam agir, mesmo que houvesse uma carnificina”. Há suspeitas de que policiais também tenham participado da ação”.

As organizações que se reúnem no Comitê reiteram sua preocupação com o acirramento da violência contra defensoras/as de direitos humanos na região. Repudiamos atitudes como a do presidenciável Jair Bolsonaro, que em discurso realizado neste mês no Pará, manifestou apoio à ação criminosa dos policiais responsáveis pela chacina dos 19 trabalhadores sem-terra em Eldorado dos Carajás.

O Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos encaminhará a presente Nota Pública aos espaços e mecanismos de proteção aos direitos humanos para reivindicar providências urgentes para garantir a segurança e a vida dos/as trabalhadores/as rurais e investigar os crimes cometidos contra os/as acampados/as.


Sobre o contexto, veja notícia veiculada pelo Brasil de Fato:

“A Fazenda Santa Tereza foi reocupada na madrugada desta sexta-feira (27) por 450 famílias ligadas ao MST. De acordo com o movimento, a fazenda foi grilada (registrada de forma fraudulenta) pelo latifundiário Rafael Saldanha de Camargo, fazendeiro influente na região e um dos suspeitos, segundo o Ministério Público, pelo assassinato dos líderes sem-terra Doutor e Fusquinha, há mais de 20 anos.

A fazenda Santa Tereza foi ocupado em junho de 2014. Ainda segundo o MST, a fazenda é, na verdade, uma área pública e Rafael também é acusado de cometer crimes ambientais. Apesar disso, as famílias dos sem terra foram despejadas em dezembro de 2017 pela vara agrária de Marabá.”

 

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