Papa Francisco em Bari: as palavras e as ações que produzirão mais frutos são aquelas que nenhum de nós viu nem ouviu

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10 Julho 2018

Aquelas palavras e aqueles gestos que o Papa, os patriarcas e os bispos trocaram entre si ao redor daquela mesa redonda preparada no meio da nave central da basílica: um encontro fisicamente "a portas fechadas”, mas espiritualmente a portas escancaradas para acolher a dor e para difundir a esperança.

O comentário é de Enzo Bianchi, monge italiano, fundador da Comunidade de Bose, publicado por SIR, 09-08-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Só o tempo poderá dizer qual das muitas sementes lançadas pelo Papa Francisco e pelos patriarcas, metropolitas e bispos das Igrejas do Oriente Médio reunidas em Bari para rezar e refletir sobre a paz naquelas terras martirizadas produzirá flores e frutos, não só para as Igrejas e cristãos presentes na região onde se afundam "as raízes das almas" de todos os cristãos, mas também pelo testemunho dos discípulos de Cristo na companhia dos homens e para o mundo inteiro.

Talvez sejam as palavras e os gestos informais de uma fraternidade cada vez mais intensa e manifesta entre alguns dos participantes que dialogaram "encorajando uns aos outros", graças a uma proximidade assídua que com o tempo se tornou autêntica familiaridade espiritual. Talvez seja a invocação comum de "Jesus, Príncipe da Paz" diante das relíquias de São Nicolau com o acendimento daquela lâmpada que arde na cripta tão cara aos cristãos do Oriente e do Ocidente.

Talvez o que produzirá frutos serão as palavras fortes proferidas em várias ocasiões por aqueles que têm responsabilidade de governo e de formação da opinião pública, para que cesse "o silêncio de tantos e a cumplicidade de muitos", para que seja derrotada "a indiferença que mata" e ressoe com força "a voz dos sem voz, a voz que contrasta o homicídio da indiferença".

Talvez a frutificar será a semente transportada pelo vento da orla marítima de Bari, irmão vento que apagou quase todas as lâmpadas da paz nas mãos de papas e patriarcas, como para indicar a eles e para nós que a única chama que não devemos deixar apagar é aquela da caridade fraterna. Ou talvez serão outras palavras, aqueles de consolação e de proximidade dirigidas aos cristãos que naquelas terras continuam a permanecer, a rezar e a trabalhar, testemunhando também com o ecumenismo do sangue que vale a pena viver e morrer por Cristo, proclamando com a sua própria existência da boa notícia em um mundo que quer nos convencer a aceitar como normais as guerras, o ódio, a desumanidade.

Atrevo-me a pensar que as palavras e os gestos que produzirão mais frutos serão aqueles que nenhum de nós viu nem ouviu, nem na praça de São Nicolau, nem na beira-mar ou através dos meios de comunicação. Aquelas palavras e aqueles gestos que o Papa, os patriarcas e os bispos trocaram entre si ao redor daquela mesa redonda preparada na nave central da basílica: um encontro fisicamente "a portas fechadas", mas espiritualmente a portas escancaradas para acolher a dor e para difundir a esperança. Lá, naquela circularidade símbolo da comunhão trinitária, lá naquele fórum em que ninguém ocupava o primeiro lugar e todos o deixaram ao único Senhor, lá os participantes puderam dizer um ao outro o que ardia em seus corações caminhando juntos em busca de paz que vem do Senhor, lá puderam narrar e ouvir os sofrimentos e as esperanças dos cristãos das respectivas Igrejas, lá puderam render graças ao Senhor pelo comum testemunho de fé que os trágicos acontecimentos daquelas terras despertam nos discípulos do Senhor, lá puderam renovar juntos a memória dos lugares e dos tempos em que pela primeira vez se ouviu o termo "cristão" para significar "aqueles do caminho", os seguidores do homem de Nazaré que morreu e ressuscitou para a salvação de todos.

E do limiar da igreja, junto com as pombas anunciadoras da paz, quem sabe não tenha alçado voo também o desejo mais ardente pela unidade visível dos cristãos, quem sabe se o encontro de todos como irmãos em torno da única mesa não seja profecia que apresse o dia em que à mesma mesa será possível comungar o único pão e o único cálice, o corpo e sangue do único Senhor das nossas igrejas e das nossas vidas.

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