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28 Maio 2018

O prêmio Nobel Milton Friedman, durante uma visita a um estaleiro público de um país asiático, onde havia muitos trabalhadores com pás e poucas escavadeiras, diante das explicações dos funcionários que falavam de "projeto ocupacional", respondeu ironicamente perguntando por que, então, aos trabalhadores não era dada uma colher em vez de uma pá. Estávamos na década de sessenta do século passado e para um economista do porte de Friedman era fácil satirizar sobre as resistências mais ou menos difusas contra a inovação tecnológica no trabalho. Hoje aquela férrea certeza provavelmente soaria quase arrogante. E fora do lugar. "As máquinas, antigamente instrumentos para incrementar a produtividade dos trabalhadores - escreve Martin Ford no best-seller Il futuro senza lavoro (O futuro sem trabalho) - se transformaram elas mesmas em trabalhadores, e a linha divisória entre as possibilidades de trabalho e aquelas do capital está se tornando mais sutil do que nunca."

A reportagem é de Marco Patuchhi, publicada por La Repubblica, 24-05-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

A demissão de um trabalhador em Melzo substituído por uma máquina, é a representação plástica do gigantesco dilema que está apaixonando (e angustiando) o mundo. Robotização e cibernética revolucionaram o trabalho e a produção (na Itália essa virada foi rebatizada de Indústria 4.0), um salto quântico que muitos economistas avaliaram de forma positiva comparando-a com as revoluções industriais anteriores (começando com a revolução inglesa do final do século XVIII): o advento de novas máquinas que sempre desencadearam um círculo virtuoso de produtividade, crescimento das fábricas, empregos, aumentos salariais, aumentos do consumo e do bem-estar.

Mas precisamos lidar com outros números e outras análises que retratam uma história muito menos feliz. O Fundo Monetário Internacional, por exemplo, debita a robôs e informática a substancial redução (4 pontos percentuais a partir dos anos 1970 até o presente) da cota de renda nacional que nos países avançados foi transferida para os trabalhadores. Para os pesquisadores de Bruegel, think-tank de Bruxelas, entre 45 e 60% da força de trabalho europeia corre o risco nas próximas décadas de ser substituída por robôs. De acordo com um relatório da McKinsey, no mundo inteiro são 1,2 bilhões de empregos substituíveis com a tecnologia e, mais ainda, uma pesquisa do MIT e da Universidade de Boston, afirma que, em média, um robô instalado a cada mil trabalhadores destrói 6.2 lugares trabalho e reduz em 0,6% o salário médio. Em suma, é aquele "futuro sem trabalho" (e não por motivos conjunturais, como recessões e crises várias, mas justamente pelo desaparecimento do trabalho) que iniciou o grande debate planetário sobre as rendas da cidadania, inclusive porque é muito difícil que o saldo entre profissões extintas e emergentes possa ser positivo.

Para não mencionar outro aspecto da questão que diz respeito àqueles que continuarão a ter uma ocupação: porque o trabalho no tempo dos "big data", onde o "código é lei", como declara o guru de Harvard, Lawrence Lessing, o presente e o futuro de um trabalhador ou um empregado podem ser decididos pela combinação de enormes volumes de dados (inclusive pessoais, comportamentais, geográficas e comerciais), provenientes da Internet, das redes sociais, dos telefones celulares e dos navegadores por satélite. Em suma, um algoritmo para selecionar uma contratação, promover o melhor empregado, identificar o empregado improdutivo. Talvez até para discriminar. Então, bom trabalho para todos nós.

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