Canadá. Falta de consenso entre os bispos impede decisão sobre o pedido de desculpas do Papa aos indígenas

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27 Abril 2018

A falta de consenso entre os bispos canadenses teve um papel importante na decisão do Papa Francisco de negar o pedido para visitar o Canadá e pedir perdão aos povos indígenas pelas escolas residenciais, de acordo com o arcebispo de Regina.

A reportagem é de Jorge Barrera, publicada por CBC News, 26-04-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

A Conferência Canadense de Bispos Católicos (CCCB, em inglês Canadian Conference of Catholic Bishops) anunciou numa carta de 27 de março que Francisco não ia poder "responder pessoalmente" ao pedido da Comissão para a verdade e a reconciliação de que ele visitasse o Canadá e pediu desculpas.

A decisão levou o NPD (Novo Partido Democrático) a escrever uma proposta pedindo que o pedido de desculpas seja debatido na Câmara, na quinta-feira. Os liberais planejam apoiar a proposta, mas os conservadores deixaram os deputados votarem conforme sua consciência, e alguns devem se opor.

O arcebispo de Regina, Donald Bolen, que apoia o pedido de visita e desculpas, disse que os bispos do Canadá não conseguiram chegar ao consenso que Francisco espera para esse tipo de decisão. O Papa é conhecido por depender do conselho dos bispos em relação a esse tipo de problema.

"As nossas relações com os povos indígenas são diferentes em diferentes partes do país, e as coisas que ouvimos deles também", disse Bolen.

"Acho que há muitas questões complexas envolvidas".

O papel da política

Bolen afirmou que parte da preocupação vem do custo gerado por uma visita papal e do desconforto com a nova exigência do governo federal liberal de que grupos que buscam empregos temporários têm de assinalar num formulário que respeitam direitos reprodutivos como o acesso ao aborto.

"Sentimos que o governo está pedindo que traiamos a nossa consciência em relação à certificação e, com isso, nosso relacionamento com o governo... seria mais um fator, dentre muitos", afirmou.

O Vaticano também está relutante em responder a uma solicitação direta de um governo, disse.

Ainda que a Comissão para a verdade e a reconciliação tenha sido criada pelo Indian Residential Schools Settlement Agreement (um acordo estabelecido sobre as escolas residenciais indígenas), negociado entre Ottawa, as igrejas e os sobreviventes, o governo federal apoiou o pedido de perdão e o primeiro-ministro Justin Trudeau solicitou que o Papa o fizesse pessoalmente.

"Isso coloca a Igreja em um lugar complicado, porque ela quer reconhecer os erros, quer reconhecer os erros do passado, mas não quer ficar à disposição de um governo", disse Bolen.

Lionel Gendron, bispo da diocese de Saint-Jean-Longueuil e presidente da CCCB, e Richard Gagnon, arcebispo de Winnipeg e vice-presidente do grupo, realizaram uma conferência de imprensa na semana passada, em Ottawa, defendendo a decisão do Papa.

Gagnon disse que o Papa ainda pode ir ao Canadá e realizar algum gesto pedindo perdão.

Bispo 'frustrado' com a decisão

Jon Hansen, bispo da diocese de Mackenzie-Fort Smith, que abrange o noroeste do Canadá e partes do norte de Saskatchewan e do oeste de Nunavut, disse que estava decepcionado com a forma como a liderança da CCCB lidou com a questão do pedido de desculpas.

Hansen, nomeado bispo em dezembro do ano passado, disse que não tem falado abertamente nas discussões sobre o pedido de perdão, mas não concorda com o resultado.

"Fiquei frustrado e decepcionado com a decisão", disse Hansen, que também foi padre em Inuvik, no noroeste do Canadá e de Saskatoon.

"Foi pedido pela comissão e nós consideramos um passo necessário para a reconciliação no Canadá. É por isso que acredito que seja importante".

Joe Gunn, que atuou na Conferência dos bispos católicos canadenses de 1994 a 2005, disse que se os bispos tivessem "apresentou um convite forte e único ao Papa" o resultado poderia ter sido diferente.

Gunn, que hoje é diretor-executivo da organização Citizens for Public Justice (Cidadãos pela Justiça Pública), disse que acredita que questões financeiras tenham um papel importante no debate entre os bispos.

A visita do Papa João Paulo II a Toronto, em 2002, na Jornada Mundial da Juventude, deixou a Igreja Católica Canadense com uma dívida de cerca de $36 milhões, e algumas dioceses tiveram que cortar programas de justiça social para redirecionar os fundos para o pagamento dessa conta.

Gunn, que apoia o pedido de desculpas, disse que as dioceses católicas em Quebec estão com dificuldades financeiras por causa da queda de fiéis na igreja.

"A possibilidade de um grande dispêndio de dinheiro é algo que faria os bispos analisarem melhor a natureza do convite", declarou.

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