Será que dom Paulo Evaristo Arns vai virar santo?

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14 Dezembro 2017

Quando garoto, ao estudar com jesuítas e maristas, sempre quis saber o que é preciso para uma pessoa virar santo.

Com o tempo, isso desapareceu do meu radar, e passei a acompanhar muito de longe a vida eclesiástica até que, como repórter desta Folha, em 1976, fui designado para cobrir a Cúria Metropolitana de São Paulo, com dom Paulo Evaristo Arns no comando. Mais do que uma cobertura, foi uma lição de vida.

O artigo é de Ricardo Carvalho, jornalista, diretor de "Coragem! As Muitas Vidas do Cardeal dom Paulo Evaristo Arns", documentário em parceria com a Globo Filmes e Globonews, que estreia nesta quinta (14), publicado por Folha de S. Paulo, 14-12-2017.

Não voltei a confessar nem a comungar, é verdade, mas pude sentir o que significa o trabalho profético de uma Igreja comprometida com os pobres e os direitos humanos. Com a morte dele, há exatamente um ano, voltou a minha curiosidade de menino: será que dom Paulo pode ser um santo?

Não é fácil, pois as leis da Igreja exigem, por exemplo, que o candidato tenha feito, ao menos, dois milagres, como ter curado duas pessoas com doenças... incuráveis!

Não há registro que dom Paulo tenha feito algo assim. Ele procurou curar outro tipo de doença, a de uma sociedade ávida pelo lucro, que prega o consumo desenfreado, que violenta o meio ambiente, que não está nem aí com a fome de milhões de pessoas.

Nos 28 anos como arcebispo (1970-1998), dom Paulo foi fazendo seus próprios milagres, como a multiplicação das comunidades de base. Convenceu o Vaticano —outro milagre— a vender o palácio episcopal por US$ 5 milhões e comprou, na periferia, 1.200 terrenos, construindo centros de convivência, onde o povo passou a se reunir e fazer a cabeça sobre seus direitos.

Outro quesito a favor de dom Paulo santo: ter protegido os pobres e humilhados. Ao ganhar, no Japão, o Niwano Pela Paz, ele destinou os US$ 190 mil do prêmio para a construção da Catedral do Povo da Rua, onde os abandonados da cidade grande encontraram um lugar para rezar e comer alguma coisa. É claro que soma pontos ter inspirado a irmã e médica Zilda Arns (1934-2010) a criar a Pastoral da Criança.

Proteger perseguidos pelas ditaduras é também ótima credencial. Ele enfrentou, tête-à-tête, um general presidente, levou parentes de desaparecidos para conversar com figuras destacadas do regime militar e pôs o dedo na cara de policiais quando chegou ao IML o corpo baleado do ativista cristão e operário Santo Dias da Silva. Perseguidos políticos argentinos e uruguaios também vieram buscar sua proteção.

Em outubro de 1975, o cardeal da resistência reuniu, sob duras ameaças do regime, 6.000 pessoas na Catedral da Sé para um ato ecumênico e denunciou o assassinato do jornalista Vladimir Herzog. Começava, ali, a ruir a ditadura.

Ah, sim, se mulheres votarem na eleição de santo, dom Paulo fica bem na foto. Foi o primeiro chanceler de uma universidade católica (PUC), no mundo, a nomear uma mulher reitora, Nadir Kfouri, e o primeiro cardeal a indicar uma mulher, Margarida Genevois, para representá-lo em uma solenidade oficial.

Outra exigência para a santidade: ter apoio do bispo local, o que não é problema. O arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, é um admirador do mais importante cardeal brasileiro do século 20.

E dom Paulo pode, com certeza, contar com a simpatia do hermano papa Francisco. Os dois têm muito em comum, como desconsiderar a ultraconservadora Cúria Romana. Sem contar que o papa, com seu atributo de infalibilidade —que nunca erra— pode elevar dom Paulo a santo pelo seu desejo pessoal.

Sorte da Igreja se assim for, pois ganharia um santo que é exemplo de dignidade, que enfrentou a tirania, defendeu os direitos humanos, protegeu os pobres e foi um profeta do seu tempo.

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