Colômbia. Um ano de paz. A violência foi reduzida, mas falta implementar o acordo

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27 Novembro 2017

"A guerra terminou. O que está em discussão é a qualidade do pós-conflito", assegura a Iniciativa União pela Paz no relatório anual apresentado por conta do aniversário da assinatura da paz.

A reportagem é de Katalina Vásquez Guzmán, publicada por Página|12, 26-11-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

Com pesar, a Colômbia comemorou nesta sexta-feira o primeiro ano do fim da guerra entre o Estado e a maior e mais poderosa guerrilha do país: as Farc. Neste dia 24 de novembro o presidente Juan Manuel Santos e Rodrigo Londoño, líder do atual partido político FARC, encontraram-se novamente no Teatro Colón, onde há um ano assinaram o acordo para a construção de uma paz estável e duradoura. Centenas de pessoas aplaudiram-lhes quando, longe da formalidade e da tensão dos anos anteriores, o presidente se aproximou por entre o público até chegar em Timochenko, Iván Márquez e outros líderes ex-guerrilheiros, para estender-lhes a mão.

"A guerra terminou. O que está em discussão é a qualidade do pós-conflito", assegura a Iniciativa União pela Paz no relatório anual da implementação da paz, apresentado por conta do aniversário. "Entendo a impaciência e a urgência que muitos expressam. Todos queríamos que as mudanças e as oportunidades para a paz fossem uma realidade", disse o presidente no icônico teatro de Bogotá, cercado por cidadãos, congressistas e vítimas de dezenas de ex-combatentes, que no ano anterior ainda carregavam seus fuzis nos ombros, entre as trincheiras. Jaime era um deles. Integrava o histórico Bloco Martín Caballero e se dedicava à propaganda rebelde na rádio, além das operações militares de rigor. Agora, sem uniforme de guerra, vestindo calça jeans e uma camisa simples, ele conta para o PáginaI12 que decidiu deixar seu Espaço Territorial de Reintegração, em La Guajira, para instalar-se na capital e começar a estudar. "Com o apoio da organização, o governo ainda não cumpre totalmente as medidas de reintegração", diz encorajado pela etapa que começa junto a outros 10 mil ex-combatentes e milicianos que se concentraram nas zonas de desarmamento e se juntaram a este controverso Processo de Paz.

"Sei que houve atrasos, dificuldades, erros. Mas estamos trabalhando incansavelmente para acelerar o ritmo e avançar", explicou Santos pela manhã, no Teatro Colón, diante de uma grande audiência, mas que não estava completa, da mesma forma que ocorreu na Plaza de Bolívar, onde apenas duzentas pessoas se reuniram para celebrar o aniversário. As atividades foram conduzidas por organizações da sociedade civil como a Viva La Ciudadanía, mas ao contrário do ano passado, a participação foi mínima. "Talvez as pessoas estejam cansadas, ou com medo, não esqueçamos que estão matando e ameaçando os líderes que apoiam o Acordo de Paz, já foram mais de 90 apenas neste ano", diz uma cidadã no coração de Bogotá, pedindo que seu nome seja omitido por razões de segurança. "Timochenko" falou acerca desse assunto, referindo-se aos seus 36 ex-combatentes assassinados e pedindo por garantias para a vida de suas fileiras.

José Antequera, membro do movimento Paz A La Calle e filho de José Antequera, membro da União Patriótica assassinado, pegou o microfone no Teatro Cólon para falar também pelos líderes sociais, e para denunciar que o Congresso está mudando o espírito e o texto do que foi acordado, favorecendo seus interesses políticos acima do respeito ao Acordo Final de Paz, que demorou cinco anos para negociar, em Havana, Cuba. Enquanto isso, o líder das Farc, e agora pré-candidato presidencial, assegurou que "o mesmo Congresso que aprovou há um ano o Acordo de Paz, hoje está empenhado de modo vergonhoso em deixá-los em farrapos". Timochenko questionou os poucos avanços em terras, projetos produtivos, as alterações nos projetos de lei e o risco iminente que a implementação do acordo corre após o fim do governo de Santos e o fim do mecanismo de aprovação rápida de reformas "Fast Track", que será neste dia 30 de novembro.

E acrescentou que há uma grande mobilização nacional para que se cumpra sem burlas o que foi acordado. Por sua vez, a advogada Patricia Linares, eleita juíza do Jurisdição Especial de Paz (JEP), assegurou que o Tribunal não será um cenário de vingança e pediu respeito por todos os magistrados. Isto se deu por conta da recente aprovação do Congresso de uma medida para que defensores dos direitos humanos e pessoas associadas a organizações não governamentais, escolhidas para a JEP, não exerçam seus cargos.

O Instituto Kroc, entretanto, continuou divulgando o relatório que foi encomendado por ambas as partes (o governo e as Farc) para medir o impacto da implementação das disposições. De acordo com a organização internacional, no momento ainda não foram iniciadas nem 55% das 558 disposições incluídas no Acordo de Paz. Foram concluídas apenas 17%, enquanto 22% foram as medidas iniciadas minimamente.

As vítimas e as organizações sociais recordaram que durante este período, desde a assinatura do acordo, foram salvas mais de 2.700 vidas, e 2016 foi registrado como o ano menos violento em relação a taxa de homicídios colombiana, nos últimos 27 anos. Além disso, foram entregues mais de 9 mil armas, e mais de 10 mil homens e mulheres não fazem mais parte da guerra. Para eles, no entanto, as condições de vida são hoje preocupantes, porque estão começando apenas os projetos produtivos que tem o apoio da sociedade civil, pois por parte do governo nada foi começado ainda e, portanto, a sua sobrevivência não está garantida. A Fundação Idéias para a Paz calcula que há entre 800 e mil ex-combatentes que regressaram à ilegalidade, em parte, por conta do descumprimento do governo e em busca de sobrevivência.

Jaime diz ao PáginaI12 que desde que as zonas de desarmamento tornaram-se espaços territoriais de capacitação, não há alimentos ou condições providas pelo Estado. Inclusive, os farcianos estão pagando as despesas comuns, como a internet, a partir dos subsídios mensais de menos de 200 dólares que eles receberam por 6 meses. "De qualquer forma é preciso seguir, devemos seguir", disse o jovem de 26 anos, que tem o sonho de se tornar administrador de empresas e que se soma ao chamado de seu agora líder político, mas que antes era comandante-chefe, assegurando que, embora diversos setores do governo não cumpram as medidas, as FARC seguirão em seu propósito de paz como único caminho.

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