Vida religiosa: com boa saúde, mas muitos abandonam

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19 Novembro 2017

Durante a 57ª Assembleia dos Superiores Maiores da Itália, realizada em Salerno de 8 a 10 de novembro sobre o tema “Fidelidade e perseverança”, da qual participaram 120 superiores maiores de todas as ordens religiosas presentes na Itália, foram fornecidos alguns dados sobre o andamento atual da vida consagrada.

A reportagem é de Antonio Dall’Osto, publicada no sítio Settimana News, 12-11-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Como um todo – afirmou Dom José Rodríguez Carballo, secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica – a vida consagrada é uma realidade que goza de boa saúde: tem vitalidade, expressa significado e é uma escola de santidade.” Mas é inegável que existem lados obscuros, como os abandonos que, como diz o Papa Francisco, são uma hemorragia entre frades e freiras. Um problema preocupante não só pelo número – entre 2015 e 2016, houve, em média, por ano, 2.237 abandonos no mundo – mas “também pela idade em que ocorrem, entre os 20 e os 40 anos, quando ainda podem dar muito da sua vida”.

Os países que tiveram mais abandonos foram o Brasil, Índia, México, Polônia, Itália e Espanha. É um processo que dura há muito tempo, embora nos últimos anos os abandonos permaneçam constantes; um processo devido a alguns fatores, como o desencanto: é como se desaparecesse aquela atração que havia feito com que se escolhesse a vida religiosa. E, depois, um mal-estar, um “descontentamento crônico – apatia – que torna deserta a alma”. E ainda uma “anemia espiritual que ocorre quando a oração perde sentido, e a Eucaristia é ignorada”. Soma-se a isso, às vezes, “a busca de experiências afetivas que se torna uma via de fuga”.

Hoje, precisamos de uma “vida consagrada desperta”, enfatizou Dom Carballo, capaz de captar os desafios atuais. Uma realidade “profética”, que transmita alegria, proximidade e comunhão, esperança: uma vida consagrada aliviada das estruturas e cada vez mais a serviço da missão; uma realidade em saída para as periferias existenciais e do pensamento.

Mas por que os abandonos? Dom Carballo respondeu: “Entre as causas, certamente está a dificuldade de viver os votos, de compartilhar a vida de fraternidade. E, a partir delas, a profunda crise espiritual e de fé que se segue. Há ainda o medo de assumir compromissos definitivos, em um mundo que vive a crise das sociedades cada vez mais ‘líquidas’, como explicam os sociólogos: isto é, quer-se sempre deixar uma porta aberta, e isso não favorece compromissos de longo prazo”. Mas as nossas sociedades também são do bem-estar, afirmou o secretário da Congregação, sociedades que “estão indo rumo a uma profunda mudança dos valores: são esses os desafios que devemos enfrentar”.

Quanto ao mundo juvenil, Dom Carballo observou que os jovens de hoje pertencem, não todos, àquela que ele definiu como a “geração selfie”, ou seja, são a primeira geração de nativos digitais; uma geração narcisista – parecem não pertencer a ninguém –, consumista, que perdeu “a categoria do mistério” e é marcada por “uma cultura fraca”.

Repropor a validade da escolha vocacional significa ter uma vida consagrada que “crê, ama e espera” - acrescentou –, uma vida de liberdade evangélica, de pobreza, “sem nada próprio”; de castidade, “uma fecundidade que gera filhos na Igreja”. Ainda há a necessidade de uma formação apropriada para os nossos dias, que se abra aos valores humanos, à fé prática; uma formação permanente, “evangelicamente exigente e motivada”; uma formação inculturada.

É preciso promover uma fidelidade que seja capaz de dar novamente valor à vocação, uma escolha que significa ir contra a corrente em relação a um mundo onde não há lugar para o sacrifício, a renúncia, nem para outros valores semelhantes. Promover ainda uma formação que seja capaz de “mostrar a beleza de Cristo no próprio carisma”.

Durante a assembleia também foram propostos os números sobre religiosos italianos. No dia 1º de janeiro de 2016 (último dado do censo), eles eram 19.005. Destes, 15.643 são residentes na Itália, enquanto os 3.362 restantes atuam no exterior.

Os estrangeiros nos conventos italianos aumentaram de 5% em 1999 para 11% em 2016. A idade média também aumentou: 60% está entre os 60 e os 80 anos. Porém, não diminuiu o compromisso in loco: são 1.136 as paróquias confiadas a religiosos através de um acordo com o instituto, e 147 a título pessoal. Somam-se a isso os 665 santuários ou igrejas não paroquiais, 477 oratórios, 171 estruturas pastorais, 89 centros de missão ao povo e 207 casas de espiritualidade.

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