''É preciso banir as armas nucleares.'' Entrevista com Susi Snyder

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13 Novembro 2017

Começou nessa sexta-feira, no Vaticano, a Conferência Internacional sobre o Desarmamento Nuclear – estão presentes 11 prêmios Nobel e a representante da ONU para o desarmamento – desejada pelo Papa Francisco como um debate da sociedade civil internacional que trabalha sob a coordenação da Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares (Ican, na sigla em inglês), que recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2017. Entrevistamos Susi Snyder, presidente da Ican, que fará seu discurso neste sábado no simpósio.

A reportagem é de Francesco Vignarca, publicada por Il Manifesto, 10-11-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

A conferência pode ajudar o tratado pelo banimento das armas nucleares a se tornar realmente “universal”?

A conferência que começou nessa sexta-feira é um ótimo modo para dar sequência às negociações e ao sucesso da adoção do texto do tratado sobre as armas nucleares. A mensagem do papa no início das negociações e o papel construtivo desempenhado pela Santa Sé em todo o processo foram realmente importantes. Não podemos esquecer a mensagem que foi enviada à Conferência sobre o Impacto Humanitário das Armas Nucleares de 2014 em Viena: a principal ocasião em que a dissuasão nuclear foi descrita com precisão como um problema e um risco para a humanidade.

Foi muito positivo que o Vaticano tenha sido um dos primeiros Estados a assinar e também a ratificar o tratado, no dia 20 de setembro passado. Isso poderá dar autoridade e apoio aos representantes das Igrejas em todo o mundo para terem a coragem de pedir também que outros países rejeitem as armas nucleares, assinando e ratificando o tratado com urgência. O pleno repúdio moral das armas nucleares continua sendo central como guia no caminho de uma verdadeira evolução positiva da civilização. O assassinato indiscriminado de civis, em várias gerações, não é algo nem mesmo distantemente aceitável. A conferência no Vaticano nos lembra de que não estamos falando apenas de um processo político, mas também social e de civilização.

Você acha que o Tratado contra as Armas Nucleares entrará em vigor em breve? E o que vocês pensam sobre as nações nucleares: elas assinarão mais cedo ou mais tarde, ou o tratado será usado apenas como um “impulso” para outros processos de desarmamento?

Sabemos muito bem que levará algum tempo para que os vários Estados possam realizar as várias passagens do processo de ratificação, e, portanto, a previsão é de que levará mais ou menos o mesmo tempo já necessário para a Convenção sobre as Minas, isto é, alguns anos. Enquanto isso, já está mudando o modo em que se fala das armas nucleares, forçando os governos que não querem o desarmamento a ficarem na defensiva e a terem que justificar as suas posições. E como qualquer uso das ogivas nucleares configuraria uma violação da legislação de guerra, é muito difícil conseguir fazer isso de modo realmente convincente. Eu realmente espero que os Estados nucleares cheguem a assinar, porque o tratado nos oferece um caminho claro e concreto rumo àquele desarmamento que eles mesmos continuam evocando como objetivo compartilhado.

O que você pode nos dizer sobre a Otan e os acordos de “nuclear sharing” [compartilhamento nuclear], segundo os quais algumas armas nucleares estadunidenses são implantadas em outros países? Você vive nos Países Baixos, e a Itália um dos países que acolhem dezenas de ogivas dos Estados Unidos. Que tipo de agilidade eles podem ter nos percursos de desarmamento nuclear? A sensação é de que eles são bloqueados pela sua adesão à Aliança do Atlântico, e que as ogivas na Europa são um perigo em termos estratégicos, políticos e de segurança.

As armas nucleares espalhadas pela Europa (particularmente na Itália, Alemanha, Países Baixos e Bélgica) estão em fase de modernização: estão sendo pensados novos projetos e novas capacidades para tais ogivas, e isso as tornará ainda mais perigosas do que já são agora. As bases nas quais elas estão hospedadas já estão passando por atualizações dos processos de segurança muito caros, pois, pelo menos desde 2006, os Estados Unidos começaram a temer riscos realistas de intrusão e sabotagem. Alguns ativistas conseguiram isso na Bélgica, por meio de ações de demonstração, e a recente tentativa de golpe de Estado na Turquia foi até lançada a partir da base de Incirlik, onde as bombas atômicas estadunidenses estão hospedadas. É um perigo para todos nós.

Ao mesmo tempo, não seria tão difícil que os países da Otan aderissem ao tratado. Certamente, significaria modificar os seus acordos com os Estados Unidos (mas, no passado, a Grécia e o Canadá já fizeram isso!) e se livrarem das ogivas nos seus territórios. Isso não significa automaticamente um abandono da Otan, mas apenas se excluir do planejamento nuclear da Aliança, o que já acontece com diversos membros. É importante lembrar que já existem países da Aliança do Atlântico com políticas nacionais que, sobre a questão nuclear, estão muito alinhados com as prescrições do tratado. Portanto, essa pertença absolutamente não pode ser utilizada como desculpa para se excluir do caminho, nem mesmo pela Itália. Que, por sua vez, poderia, desde agora, dar alguns passos positivos, ouvindo aquilo que é pedido pelas organizações da sociedade civil italiana que trabalham pelo desarmamento nuclear, como a Senzatomica e a Rede Italiana pelo Desarmamento, que são membros da nossa campanha Ican.

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