"Nunca mais a tragédia inútil da guerra", clama Francisco, e pede: "Que o Senhor nos dê a graça de chorar"

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03 Novembro 2017

Missa do Papa, no Dia dos Finados, por todas as vítimas da guerra, no cemitério romano-americano de Netuno. Triste, Francisco lança do cemitério militar, um novo "nunca mais a guerra", com a qual "se perde tudo". E adverte que "hoje o mundo está em guerra em capítulos e está se preparando para ir novamente à guerra".

A reportagem é de José Manuel Vidal, publicada por Religión Digital, 02-11-2017. A tradução é de André Langer.

A primeira leitura é do Livro de Jó. A segunda, da carta de São Paulo aos Romanos. Leitura da passagem do Evangelho de João: "Aquele que vem a mim, eu não o rejeitarei... Que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu... Esta é a vontade do meu Pai... Eu o ressuscitarei no último dia".

Concelebraram a Eucaristia com o Papa o bispo de Albano, dom Marcello Semeraro, e o prefeito da Casa Pontifícia, dom Georg Gänswein.

Papa Francisco (Foto: Frame do vídeo do Centro Televisivo do Vaticano)

Eis a homilia do Papa Francisco

"Todos nós estamos hoje reunidos na esperança. Cada um de nós, em seu nosso coração, pode repetir as palavras de que ouvimos na primeira leitura: "Eu sei que o meu Redentor vive e que ele, o último, se levantará do pó". A esperança de reencontrar a Deus, de nos reencontrarmos todos como irmãos, essa esperança não decepciona. Paulo foi forte nessa expressão da segunda leitura "a esperança não decepciona".

Mas a esperança, muitas vezes, nasce e enraíza-se em tantas chagas humanas, em tantas dores humanas, e nesse momento de dor, de ferida, de sofrimento, nos faz olhar para o céu e dizer: eu creio que o meu Redentor está vivo. Mas pare, Senhor. E essa é a oração que talvez brota em todos nós quando olhamos para este cemitério: "eu tenho certeza de que o Senhor está contigo, tenho certeza": nós dizemos isso. "Mas, por favor, Senhor, pare. Não mais, nunca mais a guerra. Nunca mais esta ‘inútil chacina’, como disse Bento XV. É melhor esperar sem essa destruição: jovens, milhares, milhares, milhares e milhares... esperanças defraudadas, não mais Senhor! E devemos dizer isso hoje, quando rezamos por todos os defuntos, mas neste lugar rezamos de maneira especial por esses rapazes. Hoje, quando o mundo está novamente em guerra e está se preparando para entrar mais fortemente na guerra. Não mais Senhor, não mais. Com a guerra perde-se tudo.

Vem-me à mente aquela idosa que, olhando para as ruínas de Hiroshima com resignação sapiencial, mas com muita dor, com essa resignação lamentadora que sabem viver as mulheres, porque é o seu carisma, dizia: "os homens fazem de tudo para declarar e fazer a guerra e, no fim, eles se destroem a si mesmos". Isso é a guerra: a destruição de nós mesmos. Certamente, aquela mulher, aquela idosa tinha perdido filhos e netos. Ela tinha apenas a ferida no coração e as lágrimas.

E se hoje é um dia de esperança, hoje também é um dia de lágrimas. Lágrimas como as que sentiam e choravam as mulheres quando chegava o correio: "a senhora tem a honra de que o seu marido tenha sido um herói da Pátria"; "que seus filhos sejam heróis da Pátria". São lágrimas que hoje a humanidade não deve esquecer. Este orgulho desta humanidade que não aprendeu a lição e parece que não quer aprendê-la.

Quando, muitas vezes na história, os homens pensam em fazer uma guerra, estão convencidos de trazer um mundo novo, fazer uma "primavera". E acaba em um inverno feio, cruel, com o reino do terror e da morte. Hoje rezamos por todos os defuntos, por todos. Mas de modo especial por esses jovens, em um momento em que muitos morrem nas batalhas de cada dia, nesta guerra em capítulos. Também rezamos pelos mortos de hoje, os mortos da guerra, também crianças inocentes. Este é o fruto da guerra: a morte. E que o Senhor nos dê a graça de chorar."

Uma vez de volta ao Vaticano, o Santo Padre Francisco dirigiu-se às Grutas da Basílica do Vaticano para um momento de oração privada, como é tradicional nesta data, em sufrágio de seus predecessores e de todos os mortos.

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