Áustria: novo bispo é a favor de diaconisas e padres casados

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06 Outubro 2017

Não é utopia esperar que as mulheres serão um dia inclusive ordenadas ao sacerdócio na Igreja Católica, acredita o bispo-eleito Herman Glettler. “Mudanças estruturais e medidas concretas para aliviar os sacerdotes são necessárias”.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada por La Croix International, 05-10-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O recém-nomeado chefe da Diocese de Innsbruck, na Áustria, o bispo-eleito Herman Glettler, surpreendeu a todos ao sair em apoio da ordenação de mulheres ao diaconato.

Ele também sugeriu não ser exagero pensar que as mulheres um dia ainda serão admitidas ao sacerdócio.

O padre de 52 anos, numa série de entrevistas após a sua nomeação em 27 de setembro para o episcopado, disse também que é a favor de homens casados se tornarem padres e de fiéis divorciados e recasados receberem a Comunhão.

Não apenas estes comentários é que deixaram alguns preocupados na diocese, mas também o fato de que o Glettler não é do estado de Tyrol, do qual Innsbruck é a capital. Diferentemente, o religioso é proveniente do sul do país, da Diocese de Graz, assim como membro da Comunidade Emanuel.

Roma decide contra Tirol”, diz a manchete no Tiroler Tageszeitung, o primeiro meio de comunicação do país a noticiar a nomeação de Gletter.

Esta é a terceira vez consecutiva, desde 1997, que um clérigo não tirolense é escolhido para liderar a diocese, que estava vacante há quase dois anos.

O Tiroler Tageszeitung disse que o atraso no preenchimento da vaga deveu-se a “disputas ferozes” entre o Papa Francisco e a Congregação para os Bispos. Sem apresentar detalhes, afirmou que Roma havia “mais uma vez decidido contra as sugestões feitas pela Igreja local e pelos órgãos diocesanos”.

“Nunca será possível esclarecer completamente o mistério de quem bloqueou quem”, escreveu Dieter Neuwirth, correspondente para religião do jornal austríaco Die Presse.

Neuwirth afirmou também que era um “fato bem conhecido” que o núncio apostólico na Áustria, Dom Stephan Zurbriggen, não se dava bem com o prefeito da Congregação para os Bispos, o Cardeal Marc Ouellet. “Eles são tudo, menos amigos”, concluiu o comentarista.

Não deve surpreender, portanto, que se perguntasse ao bispo-eleito Gletter no início da coletiva de imprensa se ele achava que o procedimento para a nomeação dos bispos era apropriado.

“Ele precisa, urgentemente, ser repensado”, falou sem hesitar.

“Não quero parecer apressado; os bispos da Congregação para os Bispos são todos muito experientes. Mas eu vejo uma necessidade urgente de mudança”, continuou.

“Todo bispo tem o dever de nomear três possíveis sucessores. Às vezes isto é ignorado. Intervenções sem transparência são entediantes e também nocivas aos envolvidos”, disse o religioso.

“Certa vez um franciscano do Tirol me contou: ‘No instante final, sempre podemos supor que o Espírito Santo está agindo por trás destas decisões humanas, mas é melhor não assistir o Espírito Santo em ação em tais casos já que isto tende a nos deixar desorientados’”, disse Glettler citando o frade.

Ele disse também entender que as pessoas possam se irritar e se frustrar com o fato de alguém de fora de Innsbruck ser o escolhido. “Devemos permitir um tempo para o luto. E em seguida devemos ponderar sobre o porquê o procedimento atrasou tanto assim”, disse.

Na coletiva de imprensa, perguntaram-lhe por que achava que o Papa Francisco o designou para ser bispo.

“Talvez porque eu seja muito pouco tradicional, talvez porque eu seja muito desajeitado, talvez porque eu seja bastante astuto para ele”, disse o novo bispo com um sorriso.

Glettler assinalou a sua maneira pouco tradicional numa breve cerimônia religiosa com os batizados na Catedral de Innsbruck antes de partir para a coletiva. Ele convidou os presentes a se aproximarem ao redor dele e lhes pediu para estenderem as mãos em oração.

Esta escolha do papa pode ser um reflexo do trabalho de Gletter junto aos imigrantes. No ano de 2000, ele começou a receber católicos africanos em sua paróquia na Arquidiocese de Graz. Hoje, ela é o lar para uma comunidade grande e vibrante de língua inglesa que celebra a missa três vezes por semana acompanhada por música africana ocidental.

Nestes dias desde a nomeação para Innsbruck, o bispo-eleito tem concedido uma série de entrevistas à imprensa austríaca. Nelas, o religioso não evita responder a questões candentes na Igreja atualmente.

Por exemplo, ele disse que “ficaria muito feliz” se a comissão papal de estudos sobre o diaconato feminino na Igreja primitiva chegasse “a uma decisão positiva relativamente logo” para que as mulheres possam ser ordenadas diaconisas.

“Isto seria um passo maravilhoso e muito importante”, declarou, acrescentando que não era utopia esperar que elas um dia venham a ser ordenadas ao sacerdócio na Igreja Católica.

“Mudanças estruturais e medidas concretas para aliviar os sacerdotes são necessárias”, disse Glettler. Segundo ele, isso incluía a ordenação de homens casados de virtude provada (viri probati), muito embora advertiu contra a abolição do celibato voluntário.

“Aparentemente, o celibato é um sacrifício idiota, porém, visto de dentro, se estiver for nutrido por uma fonte espiritual, o celibato é uma prova do amor de Jesus”, disse o bispo-eleito.

Ele acrescentou que continuaria a dar o seu melhor para convencer os jovens de que o celibato deste tipo é “um estilo de vida fascinante”. Em outras ocasiões, Glettler disse ser a favor de permitir que os católicos divorciados e recasados recebam a Comunhão.

“Do ponto de vista evangélico, faz muito sentido”, disse.

Quanto às relações com o Islã, o novo pastor de Innsbruck afirmou que é a favor de sermos “acolhedores mas também sensatos”. Ao mesmo em que rejeita o Islã político salafista como “perigoso”, Glettler disse respeitar a maioria dos muçulmanos.

“O principal é o diálogo, diálogo, e mais diálogo”, insistiu. Perguntaram ao bispo-eleito quais as ideias do Papa Francisco mais o surpreendiam e quais ele gostaria de adotar.

“O Papa Francisco é uma consciência crítica para o público mundial, uma figura imensamente unificadora”, respondeu, para acrescentar: “Como bispo recentemente nomeado, quero continuar aprendendo com ele. O modo como ouve as pessoas para ver o que se passa no coração delas é um dom tremendo”.

“O que o papa diz é tão vivo, é um frescor. Espero que a minha nova Diocese de Innsbruck me acompanhe em continuar aprendendo com ele”.
Glettler deverá ser ordenado ao episcopado em 2 de dezembro na Catedral de Innsbruck.

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