Bergoglio incentiva estudantes a irem contra o populismo

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03 Outubro 2017

“Não se contentem com pequenos sonhos, mas sonhem grande. Eu também sonho, mas não só enquanto durmo, porque temos os verdadeiros sonhos de olhos abertos e os levamos em frente sob a luz do sol.” O Papa Francisco se dirige aos estudantes no encontro com os universitários na Praça San Domenico, em Bolonha, doa-lhes a coragem dos sonhos, incentiva-os, depois que o jovem Davide Leardini, 20 anos, matriculado em Medicina, fizera-lhe mais de uma pergunta: “O que significou para o senhor buscar a verdade? Que valor tem o nosso estudo?”.

A reportagem é de Ilaria Venturi, publicada no jornal La Repubblica, 02-10-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mais do que aos professores, Bergoglio, acolhido pelos celulares que tiram fotos e pelos aplausos, fala principalmente aos jovens, reivindicando para eles o direito de “não serem submergidos pelas frases prontas dos populismos e pela propagação inquietante e lucrativa de falsas notícias”, o direito a “crescer livres do medo”. É uma das passagens mais aplaudidas.

E, se Francisco tinha definido os refugiados, na sua chegada a Bolonha, como “lutadores da esperança”, aqui, na praça dos dominicanos e do studium, ele convida os acadêmicos a serem “artesãos da esperança”. Como seria bonito, disse o pontífice, “que as salas das universidades fossem canteiros de esperança”.

Há três mil pessoas ouvindo-o: professores, os responsáveis pelos órgãos acadêmicos e administrativos, todos de toga, e especialmente estudantes, também os requerentes de asilo que a universidade permite que estudem gratuitamente, uma iniciativa lembrada no seu discurso pelo reitor Francesco Ubertini.

Na sua chegada, o papa se detém para uma oração na basílica em frente ao túmulo de São Domingos. Depois desce, percorre o breve trajeto que o leva até o palco em um carrinho de golfe. Cumprimenta, abençoa. E, no seu discurso, propõe três direitos aos universitários: à esperança, à cultura e à paz.

Bergoglio exorta ao “sacrossanto direito para todos de ter acesso ao estudo – em tantas áreas do mundo, muitas jovens estão privados dele –, mas também ao fato de que o direito à cultura significa proteger um saber humano e humanizante”.

O estudo, acrescenta, “serve para se fazer perguntas, buscar o sentido da vida”, porque “o saber que se põe a serviço do melhor proponente, que chega a alimentar divisões e a justificar abusos não é cultura”.

Aos estudantes, ele confidencia uma tarefa: “Responder aos refrões paralisantes do consumismo cultural com escolhas fortes, com a pesquisa, o conhecimento, a partilha”. É necessária, diz, uma boa cultura, “precisamos de palavras que cheguem às mentes e disponham os corações, não gritos dirigidos ao estômago. Não nos contentemos em satisfazer a audiência, não sigamos os teatrinhos da indignação que muitas vezes escondem grandes egoísmos”.

Por fim, o grito do papa contra a guerra. E, nessa passagem, Bergoglio cita o cardeal Lercaro: “A Igreja não pode ser neutra contra o mal”. Portanto, o convite aos universitários é a não permanecerem neutros, “inclinar-se pela paz”, porque “a história ensina que a guerra é sempre e somente um inútil massacre”.

Assim, a invocação é pelo ius pacis. “É um desafio atual: afirmar os direitos das pessoas e dos povos, dos mais fracos, de quem é descartados e da criação, nossa casa comum”.

O reitor entregou ao papa o Sigillum Magnum que a universidade entregou, em 1988, ao Papa João Paulo II. No palco, subiu a ministra da Educação italiana, Valeria Fedeli. O papa subiu no papamóvel para se dirigir ao estádio, aos gritos dos jovens que ritmavam com as mãos: “Forza, Francesco” [Força, Francisco].

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