Importantes cardeais defendem os privilégios dos clérigos. Artigo de José María Castillo

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19 Setembro 2017

“Está claro que o empenho para manter o latim na missa não é uma questão de fidelidade à tradição, mas o que está em jogo é a paixão pela manutenção do poder do clero”, escreve José María Castillo, teólogo espanhol, em artigo publicado por Religión Digital, 17-09-2017. A tradução é de André Langer.

Eis o artigo.

É do conhecimento de todos que na Igreja existem pessoas, seguramente mais do que imaginamos, que têm saudades da missa em latim. E deve-se notar que entre os saudosistas do latim eclesiástico, não faltam numerosos bispos e inclusive importantes cardeais. Aparentemente, esses "latinistas" mostram dessa maneira a sua fidelidade à tradição cristã. E, por sinal, parece que querem situar-se de frente – ou contra – com o Papa Francisco.

Não estou falando de uma questão trivial. A coisa tem mais substância do que certamente imaginamos. Pelo menos, é o que pensava São Paulo, desde os primeiros anos em que os cristãos começaram a se reunir em suas incipientes reuniões litúrgicas. Muitas pessoas, que se consideram cultas, não sabem que, na Antiguidade, especificamente no século I, em não poucas regiões do Império (em Roma, por exemplo), falavam-se duas línguas: o grego e o latim.

Em Romanos 1, 14, Paulo dirige-se a "ellenes kai barbaroi", aqueles que entendiam o grego e aqueles que não o entendiam, o que significava "aqueles que eram cultos e aqueles que não eram". Por isso, o termo "bárbaros" aplicava-se àqueles que falavam uma língua que não era entendida. Ele era o tipo estranho, com quem não havia como se comunicar.

Pois bem, sendo assim, São Paulo não hesita em fazer afirmações muito duras contra aqueles que, em reuniões litúrgicas, se põem a falar contra aqueles que, quando a comunidade está reunida, usam uma língua que ninguém entende. Paulo é claro e contundente:

“Por exemplo: se a igreja se reunir e todos falarem em línguas (estranhas), será que os simples ouvintes e os incrédulos que entrarem não vão dizer que vocês estão loucos?” (1Cor 14, 23).

Sabemos que, finalmente e depois de três séculos, o latim acabou se impondo como língua comum da Igreja, já que era a língua comum no "Império tardio". Mas, com o passar do tempo, acabou acontecendo "o que tinha que acontecer". E foi simplesmente que, à medida que o clero foi crescendo e se impondo, o "clero" acabou por se equiparar a Igreja. No século IX, autores como Amalário e Floro não tinham qualquer objeção ao afirmar que "a Igreja designa principalmente o clero". Ou, "a Igreja consiste sobretudo nos sacerdotes".

As consequências, que se seguiram a uma Igreja pensada dessa maneira e sobretudo organizada com uma presença clerical tão avassaladora e totalizante, foram de suma importância: o crescente desenvolvimento das línguas vernáculas não conseguiu impedir que a missa continuasse a ser dita em latim.

Além disso, a partir de então, os sacerdotes começaram a dizer a missa de costas para o povo, rezando em voz baixa, e começaram a se difundir as missas solitárias, isto é, missas que o padre dizia sozinho e sem a assistência de fiéis ou, no máximo, de um acólito. Além disso, as pessoas já não levavam suas ofertas ao altar, mas foi introduzida a prática de passar as "caixinhas" de esmolas, etc.

E assim eram as coisas na Igreja até o Concílio Vaticano II. Mas a força dessas tradições tem sido tão resistente, que já estamos vendo o que temos. Está claro que o empenho para manter o latim na missa não é uma questão de fidelidade à tradição, mas o que está em jogo é a paixão pela manutenção do poder do clero.

Em uma Igreja em que o Papa se aproxima mais do povo simples do que o clero, é inevitável que tenhamos que ver importantes cardeais defendendo os privilégios dos clérigos. Nisso jogam seu poder, seu prestígio e seu futuro, por mais que isso afaste mais ainda as pessoas da Igreja. Ou seja, inclusive, para muitos, motivo de risada e zombaria.

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