Cardeal Müller acusa o Papa de não basear sua autoridade magisterial em uma teologia “competente”

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15 Setembro 2017

“Não faz nem ideia disto!”. O cardeal Gerhard Müller fez eco às palavras com as quais são Roberto Belarmino, certa vez, jogou na cara do Papa Clemente VIII sua falta de competência teológica, para investir mais uma vez contra o Papa Francisco, acusando-lhe de não basear sua “autoridade magisterial” em uma teologia sólida.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 14-09-2107. A tradução é do Cepat.

Segundo informações fornecidas tanto por Tagespost como por Mannheimer Morgen, aquele que foi Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé participou, na semana passada, de um colóquio em Mannheim para apresentar seu novo Der Papst. Sendung und Auftrag (O Papa. Missão e Mandato).

Müller aproveitou suas intervenções para, mais uma vez, se queixar das diferenças que mantém com o Papa, o que desencadeou em sua destituição como cabeça do Santo Ofício, em fins de junho.

A substância dos novos protestos do purpurado alemão se baseia em que Francisco, em seus quatro anos de pontificado, desvalorizou o papel da Doutrina da Fé na vida da Igreja, até o ponto – dolorosíssimo para Müller – de seu Prefeito já não gozar de nenhum prestígio.

“Ao invés da Congregação [da Doutrina da Fé], é a Secretaria de Estado do Vaticano que agora se considera a instituição mais importante”, criticou Müller a respeito da política do Papa Bergoglio.

“Questões de diplomacia e poder agora têm prioridade”, afirmou, lamentando que essa é uma mudança “crucial”, mas “equivocada... que é necessário corrigir”. “Em seu lugar, deveria ser a fé cristã a permanecer no centro, e o Papa deveria, simplesmente, ser um ‘servo da salvação’”.

Para jogar sal na ferida, Müller investiu até contra a viagem recente do cardeal Pietro Parolin, atual Secretário de Estado, à Rússia. Ainda que o Papa, segundo Parolin, tenha se mostrado “satisfeito” com os “resultados positivos” que a viagem rendeu, Müller quis passar por cima dos dois, criticando a “ótica desafortunada” com a qual muitos interpretaram a visita, “porque, aqui, se pode cair na armadilha de pensar que a religião e a política são uma só unidade”.

É que, segundo Müller, a associação entre religião e política “nunca prosperou, quando a missão da Igreja estava centrada [e se concentrava] no poder.

E mais, o destituído ex-Prefeito da Doutrina da Fé quis lançar um aviso a mais ao atual Bispo de Roma, recordando-lhe que “o centro do papado não é o Papa em si mesmo, mas a fé cristã”, a partir da qual Francisco deve levar em conta a necessidade – sentida pelos ‘cardeais das dubia’ a respeito do conteúdo da Amoris Laetitia – de “uma preparação teológica mais clara dos documentos [oficiais]”.

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