Igreja Valdense se diz pronta para aceitar a eutanásia: “É preciso entender razões de quem está sofrendo”

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25 Agosto 2017

Por enquanto, tudo está fechado em um documento de 17 páginas que chegará esta semana ao Sínodo de Torre Pellice. Um texto que abre à eutanásia, ao contrário da Igreja Católica e da maioria das Igrejas protestantes.

A reportagem é de Andrea Rossi, publicada por La Stampa, 23-08-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ele foi redigido pela Comissão de Bioética das Igrejas Batistas, Metodistas e Valdenses na Itália, órgão do qual fazem parte 11 pessoas, entre teólogos, professores universitários, médicos, juristas, pastores, que, desde 1992, ocupa-se das questões éticas levantadas pela ciência à fé. Eles trabalharam nele durante dois anos. Não sem se dividir, assim como a comunidade valdense está dividida: no fim, três não votaram nele.

O texto será apresentado à assembleia que reúne representantes de todo o mundo e depois será transmitido às comunidades, discutido e, eventualmente, recebido dentro de um ano. Um caminho longo e tortuoso, que se propõe a considerar a ajuda ao morrer não necessariamente como a expressão máxima da autonomia individual, mas, em casos específicos e excepcionais, como a expressão de uma pluralidade de princípios: o amor por quem sofre, a justiça entendida como equidade de acesso às possibilidades que a medicina põe à disposição, o respeito por uma sociedade pluralista que as confissões religiosas devem levar em conta.

O documento – diz Luca Savarino, professor de bioética na Universidade do Piemonte Oriental e coordenador da comissão – é uma contribuição. “Ele se tornará a posição oficial da Igreja Valdense somente se e quando for recebido.”

Mas é a última peça de um debate no protestantismo europeu que dura 40 anos e vê duas posições frente a frente. A primeira, majoritária, considera como lícita a renúncia ou a suspensão dos tratamentos, incluindo a hidratação e a alimentação artificiais em pacientes em estado vegetativo persistente, mas não o suicídio assistido: uma coisa é matar, outra é deixar morrer; o risco de abusos é muito alto; e a disseminação dos cuidados paliativos reduzirá a demanda social pela eutanásia.

A segunda posição, na qual a Comissão de Bioética se inspirou, sem prejuízo da dignidade de cada ser humano que nunca desaparece e o conceito de que a liberdade humana não é autodeterminação absoluta, considerar outros aspectos.

“Em uma discussão sobre o fim da vida, é preciso assumir, primeiramente, o ponto de vista da pessoa que sofre e apenas em um segundo momento o do médico e da sociedade”, explica Savarino. “E, de um ponto de vista moral, eutanásia e suicídio assistido não são necessariamente atos arbitrários e egoístas.”

A discussão chega a 20 anos de um primeiro documento em que os valdenses tinham se demonstrado possibilitas. Nesse meio tempo, as coisas mudaram: “Houve um enorme desenvolvimento dos cuidados paliativos, e podemos discutir tendo à disposição os dados epidemiológicos daqueles países que legalizaram ou descriminalizaram a eutanásia, como Bélgica, Holanda, Suíça”, diz o professor.

Resta um ponto firme: um diagnóstico médico rigoroso que evite abusos e superficialidades. “Uma sociedade não pode ajudar alguém a morrer por causa de um desconforto que é ela mesma quem provoca, por exemplo, a falta de tratamentos”, diz Savarino.

“Mas há casos limites em que é preciso reconhecer o fato de que todas as armas à disposição para reduzir a dor são insuficientes e é preciso dar uma resposta ao eventual pedido do paciente.”

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