Até mesmo o Islã venera Maria

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18 Agosto 2017

"Maria é a mulher mais elogiada no Alcorão", escreve o jesuíta libanês e especialista em islamismo Samir Khalil Samir, "a única mulher mencionada pelo nome, definida como Siddiqah (santa, verdadeira, crente) título reservado para os homens (Siddiq). Só ela, e por duas vezes, aparece no Alcorão por ter sido "escolhida" por Deus e por ser a preferida de Deus sobre todas as mulheres da terra, aliás, consagrada no ventre de sua mãe antes do nascimento. Mais ainda, um ditado sagrado atribuído a Maomé e considerado muito fidedigno, afirma que toda criança quando nasce é "tocada" por Satanás, exceto Maria e seu filho; ditado que evoca o conceito cristão de Imaculada Conceição. Que a importância de Maryam, Maria, para os crentes islâmicos seja grande é um fato conhecido, embora muitas vezes não seja lembrado.

A reportagem é de Andrea Galli, publicada por Avvenire, 15-08-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Seu nome aparece bem 34 vezes no Alcorão, 11 se for excetuado quando é citado como parte da descrição do seu filho (Isá, ou Jesus, filho de Maryam). Existem inúmeros santuários marianos no Oriente Médio e além, onde se unem à oração dos cristãos também muçulmanos. "Um desses é, por exemplo, o de Mariamabad, no Paquistão - conta o arcebispo emérito de Trento, Luigi Bressan - que anualmente é meta de uma grande peregrinação por ocasião da festa do nascimento da Virgem, quando de 100 a 200 mil pessoas se reúnem em oração. E muitos também são muçulmanos. Lá onde estão as réplicas da gruta de Lourdes, até mesmo as mulheres muçulmanas param para rezar e pedir ajuda diante daquela mulher que veem representada com véu, como elas".

Desta realidade, Bressan foi testemunha ocular, durante seus anos como núncio apostólico no Paquistão, de 1989 a 1993, uma experiência que deixou nele um forte interesse na veneração de Maria no Islã, a ponto de publicar, em 2011 pela editora Jaca Book, o livro intitulado Maria nella devozione e nella pittura dell’Islam (Maria na devoção e na pintura do Islã, em tradução livre). É uma coleção de material iconográfico, em grande parte inédito, que além de lançar luz sobre a "mariologia" islâmica demonstra que o Islã é apenas em parte uma religião "anicônica", que recusa as representações da figura humana e do sacro. "O Alcorão não estabelece nada sobre o aniconismo (a ausência de imagens, ndt) - Bressan explica - apenas há a proibição de erigir estelas (monólitos, ndt), o resto é baseado em tradições orais, mas no mundo a presença de imagens, inclusive da Virgem, é evidente. Particularmente na Índia, nos territórios do antigo Império Otomano e da antiga Pérsia. Existia também uma competição entre as escolas desses locais para produzir as mais belas e refinadas pinturas".

Mas, além do aspecto cultural ou comparação religiosa, é realmente possível, na vida concreta, tornar Maria um elemento de diálogo entre cristãos e muçulmanos, mesmo em países tão marcados pela intolerância religiosa como o Paquistão? "Se há uma figura que pode representar uma ponte entre o Islã e o Cristianismo, esta é Maria – afirma Bressan com bastante convicção - Maria que se torna, para todos os efeitos, a "mulher do encontro". É importante lembrar isso na festa da Assunção, em um momento histórico em que as tensões entre essas duas religiões representam uma ferida para toda a humanidade".

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