Bispo sudanês fala sobre possível visita papal ao Sudão do Sul em 2018

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17 Agosto 2017

O presidente da conferência episcopal sudanesa diz que conversas recentes que teve com a secretaria de Estado do Vaticano lhe deram a esperança de que o Papa Francisco visite, em 2018, o Sudão do Sul, país assolado pela guerra.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 16-08-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em entrevista no dia 11 de agosto, Dom Eduardo Hiiboro Kussala, presidente da Conferência dos Bispos do Sudão e Sudão do Sul, disse que está à espera de que uma equipe da secretaria de Estado visite o país nos próximos meses e que “possa indicar que Francisco estará vindo”.

“É uma coisa que temos de trabalhar para colocar no calendário de 2018”, disse o prelado. “É por isso que estou aqui [em Roma], na realidade, para insistir: vamos marcar esta visita no calendário 2018 do Santo Padre”.

Bispo da Diocese de Tombura-Yambio, no Sudão do Sul, Kussala esteve por aproximadamente duas semanas em Roma no começo de agosto para se reunir com representantes de vários dicastérios.

Embora Francisco tivesse a esperança visitar o Sudão do Sul em 2017, em maio o Vaticano anunciou que a viagem não acontecerá. Reportagens na imprensa indicam que o papa adiou a viagem por causa de preocupações com a segurança no país, que está em guerra civil desde 2013.

Em entrevista que durou meia hora concedida ao National Catholic Reporter, Kussala falou que veio a Roma para “levar o interesse do povo do Sudão do Sul de que o Santo Padre visite o país”.

O bispo falou ainda que, em suas conversas na secretaria de Estado, as autoridades empregavam a palavra “adiamento” em vez de “cancelamento” para a viagem programada de 2017.

“Estaremos comprometidos em orar a Deus para fazer acontecer esta viagem, e também para nos preparar – vendo o que não deu certo, por que motivo o Santo Padre não veio”, afirmou Kussala sobre os católicos no Sudão do Sul. “Daremos o nosso melhor, tanto na Igreja quanto na comunidade (...) para conseguir com que o Santo Padre venha”.

O Sudão do Sul é um dos países mais novos do mundo, tornando-se independente do Sudão em 2011. Um confronto político irrompeu no país em dezembro de 2013, levando a uma guerra civil na qual estima-se que já morreram 300.000 e cerca de 3 milhões tiveram de se deslocar.

Devido à guerra em curso, os serviços disponíveis no país são mínimos. O terminal de chegadas do aeroporto de Juba, por onde Francisco provavelmente chegaria em uma visita papal, atualmente é uma pequena área a céu aberto, com pedaços de madeira cobrindo o solo lodoso.

Kussala disse não achar que as preocupações envolvendo a logística de uma visita papal em tais circunstâncias fará Francisco desistir de ir o país.

“O meu pensamento é que o Santo Padre escolherá vir somente pelo amor ao seu rebanho no Sudão do Sul”, falou. “A questão do aeroporto ainda está sendo trabalhada e as estradas não estão finalizadas. Mas se isto fosse o padrão, o Santo Padre nunca viria”.

“Penso que há uma necessidade de o Santo Padre vir ao país, como quando veio à República Centro-Africana”, disse Kussala referindo-se à visita do papa à África em 2015. “É como se dissesse: ‘Eu vou porque o meu povo está lá’”.

Quando os representantes da secretaria de Estado visitarem o Sudão do Sul nos próximos meses, o bispo espera que eles expliquem aos católicos locais as possibilidades atuais para a visita papal. Disse que, quando se adiou a viagem de 2017, o povo não ficou sabendo dos motivos da decisão.

“Não houve uma mensagem oficial, clara por parte do Santo Padre, do porquê ele não viria”, disse Kussala.

“Visto que as pessoas já estavam animadas com a notícia da sua vinda, seria bom a secretaria de Estado vir a público e dizer o que o Santo Padre pretende fazer”, sugeriu.

“É provável que, durante a visita que receberemos, eles indiquem que o papa está por vir e o que nós precisamos consertar”.

Kussala, que se elegeu presidente da conferência episcopal em outubro de 2016, disse que também veio a Roma para conhecer os que trabalham nos vários dicastérios vaticanos.

O bispo quer “entender onde estamos enquanto Igreja – para onde estamos nos movendo e o que está acontecendo – para atualizar-me, me informar sobre a Igreja e como posso melhor trabalhar para que os meus irmãos no Sudão do Sul e no Sudão atuem de acordo com o espírito da Igreja de hoje”.

Uma solicitação que Kussala fez ao Vaticano é nomear bispos para quatro dioceses no Sudão do Sul que atualmente estão vacantes.

“Há tempos essas dioceses estão sem os bispos”, disse. “Sem eles, a própria conferência se enfraquece”.

“Estou aqui também para alertar e dizer: ‘Olhem, a Santa Sé precisa fazer algo’”, explicou Kussala. “Temos bons padres, temos boas pessoas, mas precisamos saber qual é o programa e como podemos ter novos bispos”.

Kussala, à frente de sua diocese desde 2008, descreveu a situação de seu país como terrível. Disse que a fome generalizada provavelmente ocorrerá se os combates não pararem, já que as pessoas que normalmente cultivam os alimentos não estão tendo condições de continuar com a atividade.

Grupos internacionais de monitoramento dizem que milhões de pessoas no Sudão do Sul poderão enfrentar a escassez de alimentos. Num relatório divulgado em fevereiro deste ano, o Mercy Corps estimou que 4.8 milhões de pessoas correm o risco de passar fome nos próximos anos.

“No Sudão do Sul, estamos ansiosos pela paz, desesperadamente ansiamos pela paz”, disse Kussala. “Estamos todos muito tristes, não conseguimos realizar os nossos planos e programas. A presença da guerra no Sudão do Sul (...) faz refém muitas das iniciativas”.

“A guerra no país não tem sentido”, disse. “Não há, realmente, nenhuma agenda política própria para esta guerra. Não há como justificá-la. Esta guerra tem que terminar”.

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