República Centro-Africana. “Estão decapitando homens e crianças”, denuncia o bispo de Bangassou

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10 Agosto 2017

As desesperadas mensagens de Juan José Aguirre, o comboniano espanhol que está à frente da diocese centro-africana de Bangassou: “Eles atacaram e saquearam a missão de Gambo; há 50 mortos”.

El obispo Juan José Aguirre Muñoz (Foto: La Stampa)

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 09-08-2017. A tradução é de André Langer.

Juan José Aguirre Muñoz, de 63 anos, é um bispo comboniano de origem espanhola que vive na República Centro-Africana. Na terça-feira, 08 de agosto, à noite, enviou ao seu irmão Miguel desesperadas mensagens pelo correio eletrônico e no WhatsApp. Miguel, por sua vez, enviou-as a alguns vaticanistas de língua espanhola.

“Eles atacaram uma missão a 75 quilômetros de Bangassou chamada Gambo. Degolaram vários homens e crianças. O ambiente está muito tenso. Os jovens muçulmanos não escutam ninguém e querem brigar e se sentam bem na frente da catedral, para que ninguém passe. Estamos há três domingos sem abrir a catedral, pois ninguém quer entrar”.

Dom Aguirre explicou ao Miguel que no domingo vai para o Congo para celebrar uma missa para os cerca de 10 mil deslocados e disse que não confiava nos soldados da Minusca, a força coordenada pela ONU com tropas africanas.

As milícias cristãs “anti-balaka” chegaram a Gambo. Elas “expulsaram os Seleka anteontem”, os milicianos muçulmanos, “mas ontem (ele estava se referindo à segunda-feira, ndr.) entrou a Minusca egípcia e expulsou os anti-balakas. Por essa razão, os Selekas voltaram e cortaram cerca de 10 gargantas”. O bispo disse que ficou “entrincheirado” com três de seus sacerdotes; todos eles têm telefone celular. “Precisamos das orações de vocês”, escreveu ao seu irmão.

E em seguida, uma nova mensagem: “A missão de Gambo foi saqueada. Houve 50 mortos”. E em outra comunicação Aguirre informou que a missão de Bema também corre o risco de ser atacada.

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