Papa abre a porta da santidade aos que oferecem sua vida pelos outros

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12 Julho 2017

Chega um novo “caminho” para o processo de beatificação e canonização: ele diz respeito àqueles cristãos que, movidos pela caridade, oferecem heroicamente as suas vidas pelo próximo. É “a oferta da vida” que se soma aos casos de “martírio” e da “heroicidade das virtudes”, a partir dos quais, até agora, começavam os processos da Igreja para declarar uma pessoa santa. A decisão foi tomada pelo Papa Francisco em um motu proprio publicado nessa terça-feira, 11 de julho de 2017.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 11-07-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Com “Maiorem hac dilectionem. Sobre a oferta da vida”, o papa abre o caminho para a beatificação daqueles fiéis que se entregaram pelo próximo, aceitando livre e voluntariamente uma morte certa e prematura.

São “dignos de especial consideração e honra – afirma o documento papal – aqueles cristãos que, seguindo mais de perto os passos e os ensinamentos do Senhor Jesus, ofereceram voluntária e livremente a vida pelos outros e perseveraram até a morte nesse propósito. É certo – explica-se – que a heroica oferta da vida, sugerida e sustentada pela caridade, expressa uma verdadeira, plena e exemplar imitação de Cristo e, portanto, é merecedora daquela admiração que a comunidade dos fiéis costuma reservar àqueles que, voluntariamente, aceitaram o martírio de sangue ou exerceram, em grau heroico, as virtudes cristãs”.

É uma novidade que modifica regras em vigor há séculos. Permanece a necessidade de que, nesses casos, verifique-se “o exercício, pelo menos em grau ordinário, das virtudes cristãs” antes da oferta da vida. De todos os modos, para a beatificação, é necessário a verificação de um milagre depois da morte.

Até agora, a Igreja Católica previa a possibilidade de prosseguir à beatificação de um servo de Deus percorrendo uma destas vias: a do “martírio” ou a das “virtudes heroicas”. Depois, há “uma terceira via, menos conhecida e menos percorrida”, explica Dom Marcello Bartolucci, secretário da Congregação para as Causas dos Santos, ao L’Osservatore Romano, “que, porém, leva ao mesmo resultado das outras duas. É a via dos chamados ‘casus excepti’, assim chamados pelo Código de Direito Canônico de 1917. O seu reconhecimento leva à confirmação de um culto antigo, ou seja, posterior ao pontificado de Alexandre III (1181) e anterior a 1534, assim como estabelecido por Urbano VIII (1623-1644), o grande legislador das Causas dos Santos. A confirmação do culto antigo também é chamada de ‘beatificação equipolente’”.

Portanto, a essas duas vias, hoje, acrescenta-se outra: a da oferta de vida. De fato, “ultimamente, a Congregação para as Causas dos Santos fez-se a pergunta – relata Bartolucci – se não são merecedores de beatificação aqueles servos de Deus que, inspirados pelo exemplo de Cristo, livre e deliberadamente ofereceram e imolaram a própria vida pelos irmãos em um supremo ato de caridade, que tenha sido diretamente causa de morte, pondo em prática, assim, a palavra do Senhor: ‘Ninguém tem um amor maior do que este: dar a vida pelos próprios amigos’”.

A reflexão sobre esse caso remonta a “Bento XIV, o Magister”, que “não excluía das honras dos altares aqueles que tinham dado a vida em um ato extremo de caridade, como, por exemplo, a assistência das vítimas da peste, que, provocando o contágio, tornava-se causa certa de morte. Toda essa problemática – afirma o secretário da Congregação para as Causas dos Santos – começou a se tornar objeto de reflexão explícita” da Congregação a partir de 2014.

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