“O Papa Francisco pede para sermos uma Igreja profética”, afirma o cardeal Rosa Chávez

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07 Julho 2017

O cardeal Gregorio Rosa Chávez, auxiliar de San Salvador e discípulo de dom Óscar Arnulfo Romero, foi recebido por centenas de salvadorenhos que aguardavam sua chegada no Aeroporto Internacional de Iliopango, após este retornar de Roma investido com a púrpura cardinalícia.

A reportagem é de Israel González Espinoza, publicada por Religión Digital, 06-07-2017. A tradução é de André Langer.

“Eu volto com muitos sonhos e também muitas tarefas, que vamos detalhar nos próximos dias perante todos vocês”, disse o cardeal salvadorenho.

No terminal aeroportuário salvadorenho, que hoje tem o nome do arcebispo mártir Romero, o cardeal Rosa Chávez foi recebido pelo presidente de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén, o arcebispo de San Salvador, dom José Luis Escobar Alas, e alguns membros do episcopado salvadorenho, assim como o núncio apostólico do Papa, León Kalenga.

“Estou feliz em poder voltar à pátria. Trago uma mensagem do Santo Padre de esperança, de alegria e de paz. O Senhor nos abençoe e nos permita trabalhar por este mundo novo que tanto sonhamos e agora pode ser possível se todos trabalharmos para isso”, disse o cardeal Rosa Chávez à multidão de jornalistas que o aguardavam no terminal aeroportuário.

O novo cardeal salvadorenho relatou que o Papa Francisco estava muito emocionado quando lhe impôs o capelo cardinalício, e revelou que o Pontífice guarda um carinho entranhável pela Igreja e pelo povo de El Salvador e por dom Óscar Arnulfo Romero.

“Quando estive com ele, quando me impôs o capelo, o Papa Francisco estava muito emocionado; todos viram isso pela televisão e quero dizer-lhes que ele estará acompanhando tudo o que acontece aqui, neste momento, com vocês e nestes dias e meses que vêm e trago sua mensagem de paz, de esperança e de alegria”, disse Gregorio Rosa Chávez em sua conversa improvisada com os jornalistas no lado de fora da entrada principal do aeroporto de San Salvador.

O novo cardeal insistiu em que o papa quer uma Igreja que tem uma marcada opção preferencial pelos pobres. “O Papa Francisco nos impulsiona para que sejamos uma Igreja profética, material, servidora e com esperança (...), uma Igreja que se coloque de pé e olhe nos olhos do outro de frente para o futuro, mas sobretudo que se inspire em dom (Óscar Arnulfo) Romero”, disse Rosa Chávez.

Saindo do aeroporto, ao longo da estrada que separa o aeroporto de San Salvador do centro da capital salvadorenha, centenas de fiéis fizeram barreiras humanas para saudar e receber o cardeal Rosa Chávez, e este não teve dúvidas e parou os carros da caravana para saudar e abençoar os fiéis católicos que aplaudiam, gritavam, cantavam emocionados e pediam uma “selfie” com o novo cardeal.

À altura do monumento do Cristo da Paz, na entrada da cidade de San Salvador, rodeado de uma multidão de fiéis católicos, anunciou três temas que ocuparão sua agenda no futuro próximo: a reabertura do caso do assassinato do bispo castrense Roberto Joaquín Ramos, que aconteceu em 1993; o anúncio de uma mega peregrinação a Ciudad Barrios (lugarejo onde nasceu Óscar Romero) para comemorar o centenário de seu aniversário de nascimento, em agosto; e trabalhar pela paz em El Salvador, uma tarefa especialmente difícil tendo em conta que o triângulo norte da América Central (Guatemala, Honduras e El Salvador) tem um dos índices de insegurança e criminalidade mais altos do mundo.

Só em El Salvador, segundo dados oficiais da Polícia Nacional Civil, foram registrados 5.278 homicídios (81.2 sobre cada 100 mil habitantes). Entretanto, o cardeal Gregorio Rosa, sempre curtido no trabalho pela pacificação desde a década de 1980 durante as negociações de paz entre o governo salvadorenho e a guerrilha, acredita que a paz em El Salvador é possível.

“O Papa (Francisco) sente que este povo, vocês, são capazes de qualquer milagre e que vocês vão fazer o milagre da paz; cabe a mim fazer a minha parte. A paz é possível e a paz depende também de nós”, disse o cardeal Gregorio Rosa Chávez. Ele insistiu em que El Salvador precisa sorrir e não contar mais mortos.

Sobre a investigação do assassinato do bispo castrense Roberto Joaquín Ramos, o cardeal Gregorio Rosa manifestou que a Igreja conta com suficiente documentação nos arquivos da Tutela Legal da Arquidiocese de San Salvador (escritório criado por dom Rivera y Damas, sucessor de Romero, para socorrer juridicamente os pobres durante o regime militar) para reabrir o caso e buscar a verdade e a justiça.

“Sua morte ainda não foi esclarecida e isso não pode ficar assim. Vamos recuperar essa memória, a de dom Ramos, um mártir de El Salvador, bispo também como dom Romero. Temos documentos na Tutela Legal da Arquidiocese, temos toda a investigação para fazer um bom trabalho de buscar a verdade e não podemos deixar isso relegado ao esquecimento”, prometeu o cardeal Gregorio Rosa Chávez, arrancando os aplausos dos presentes no monumento do Cristo da Paz.

O momento mais emocionante do percurso foi quando o carderal Rosa Chávez chegou à cripta da Catedral Metropolitana de San Salvador, onde estão enterrados os restos de dom Óscar Arnulfo Romero e de dom Arturo Rivera y Damas, que foram seus mentores e amigos. O lugar estava abarrotado de fiéis que carregavam imagens do arcebispo mártir e do novo cardeal salvadorenho.

Parado diante do monumento de bronze que resguarda os restos mortais do Beato Romero, o cardeal Rosa Chávez fez uma emocionante oração, indicando o que já havia dito anteriormente, que ele seria cardeal em nome de dom Romero.

Rosa Chávez, visivelmente emocionado, rezou: “Este povo recuperou a esperança e a alegria. Dom Romero, antes de nascer, você estava aqui. Peço-lhe que imitemos a Cristo. Estamos aqui alegres, porque você é o cardeal deste país. Peço-lhe que me ajude a ser um bom cardeal. Dom Romero, precisamos da sua ajuda”.

Ao fazer uma referência aos seus mestres, Rosa Chávez insistiu em que a Igreja salvadorenha possui “boas colunas na Igreja, mas uma péssima memória. Eu fiz a memória do que é este país e sua Igreja. E penso que um povo que recupera sua memória é um povo com futuro”. O arcebispo Escobar Alas, por sua vez, disse que a presença de um cardeal entre os salvadorenhos é sinal de Deus.

“É um tempo de graça que nos seja dado um cardeal e um tempo para nos aproximarmos mais do Senhor”, disse Escobar Alas, que agradeceu às diferentes instituições e organizações que prepararam zelosamente a chegada do cardeal Rosa Chávez.

Rosa Chávez, ao concluir sua visita à cripta da Catedral, reiterou sua promessa de organizar em agosto uma mega peregrinação, partindo de San Salvador, até Ciudad Barrios, a terra natal do arcebispo mártir e beato dom Romero, por ocasião do centenário do seu nascimento.

“Todos vão caminhar, não importa o quanto, mas em cada setor se deve sair para caminhar. Somos um país em movimento e isso não pode ser mudado”, assinala o cardeal Rosa Chávez.

A caravana do cardeal Rosa Chávez terminou na Igreja de São Francisco, no centro de San Salvador, que foi sua paróquia desde 1996. Seus paroquianos prepararam para ele uma recepção com cartazes, música e muita emoção.

Nessa paróquia, Rosa Chávez, em companhia do arcebispo Escobar Alas, do núncio León Kalenga e outros hierarcas salvadorenhos, celebrou sua primeira missa em solo salvadorenho como cardeal. A igreja ficou pequena e foi preciso preparar a parte externa da igreja e o ginásio poliesportivo do colégio adjacente à paróquia para que os fiéis pudessem acompanhar a Eucaristia através de telões.

“A alegria é a palavra mágica de hoje. Olha o sol! Esse sol depois dará lugar à chuva, mas tudo anuncia a alegria de um país, pequeno como somos, mas orgulhoso e grande aos olhos de Deus”, assinalou o núncio León Kalenga.

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