Ayotzinapa."Não posso dormir... Não posso viver". Assim se expressa um pai de um dos 43 estudantes mexicanos

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21 Junho 2017

"Não posso dormir... Não posso viver". Assim se expressa um pai de um dos 43 estudantes.

Transcorreram-se quase três anos do desaparecimento de 43 estudantes da Escola Normal "Isidro Burgos", de Ayotzinapa, em Iguala, Guerrero, no México. Até o momento, não se sabe o que realmente aconteceu, apesar da verdade histórica fabricada pelas autoridades. Diante das conclusões da comissão de especialistas internacionais, o governo mexicano teve de manter o caso em aberto.

A reportagem é de José Luis Avendaño C., publicada por Alai, 20-06-2017.

Acima de tudo, é a decisão dos pais dos 43 conhecerem a verdade e que seja feita justiça, neste país onde impera a impunidade, neste e em milhares de casos em que coexistem desaparecidos e sepulturas clandestinas.

De maneira que a sociedade não se esqueça disso, distintas vozes seguem se manifestando nos plantões da Procuradoria Geral da República pelo aparecimento dos 43. Uma dessas vozes é o fotógrafo argentino Marcelo Brodsky, que apresenta a exposição: Ayotzinapa Ação Visual (Ayotzinapa Acción Virtual), uma coleção de fotografias em formato grande, exibida no Museu Memória e Tolerância.

"Sem justiça haverá mais mortos e desaparecidos", adverte o fotógrafo, ele mesmo uma vítima da repressão da ditadura militar estabelecida na Argentina, em 1976, e que converteu-o, auxiliado por suas lentes, em um ativista pelos direitos humanos. Veja aqui Tlatelolco como antecedente Ayotzinapa.

Com o apoio de 55 organizações, ele percorreu o mundo mostrando imagens de pessoas carregando cartazes, clamando por verdade e justiça, através da frase: "Vivos eles foram levados, vivos os queremos de volta", a mesma coisa ocorreu nos Estados Unidos, França e Japão.

Com um governo que "bate no peito", orgulhoso de como trata os direitos humanos e quer dar lições a outros países, Brodsky destacou o clima de violência institucional, a poucos passos do Ministério de Relações Exteriores, vizinha do museu. O fotógrafo disse que as autoridades o haviam pressionado para que a exposição, que já foi apresentada em Buenos Aires e Montevidéu, não fosse exibida na galeria da Organização dos Estados Americanos (OEA), com sede em Washington, DC.

A exposição estará aberta ao público até o dia 16 de agosto. O Museu Memória e Tolerância está localizado na Praça Juárez, em frente ao Anfiteatro de Juárez, na Alameda Central da Cidade do México.

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