“O Papa Francisco promove uma Igreja menos piramidal”, afirma Juan Carlos Scannone

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03 Junho 2017

No dia 31 de maio, à noite, aconteceu uma palestra com o teólogo jesuíta Juan Carlos Scannone, formador do Papa Francisco e um dos promotores da Teologia do Povo. Em uma entrevista ao jornal El Diario, repassou os anos como professor de Jorge Bergoglio e falou sobre temas polêmicos, como o celibato obrigatório dos sacerdotes e a situação dos divorciados recasados.

A reportagem é publicada por El Diario del Centro del País, 01-06-2017. A tradução é de André Langer.

Um dos teólogos mais influentes na formação do Papa Francisco foi Juan Carlos Scannone, que esteve dissertando nesta cidade [Villa María, na Província de Córdoba] no âmbito das atividades programadas pela Pastoral Social de Villa María e pela Prefeitura.

Ele foi um dos filósofos que está na origem da chamada Teologia do Povo, uma corrente que, embora assuma a opção pelos pobres, não toma a luta de classes como matriz de interpretação.

“A Teologia do Povo nasceu na Argentina, é uma corrente da Teologia da Libertação, mas com características próprias”, disse.

“A Teologia da Libertação parte da opção preferencial pelos pobres, o que foi assumido pelo magistério da Igreja; já João XXIII falava de uma Igreja dos pobres. Outra característica é que usa como mediação as ciências sociais. Segundo aquele método da Doutrina Social da Igreja que nos ensina a ver, julgar e agir, dizemos que para o ‘ver’, usamos não um ver ingênuo, mas o ver das ciências sociais. Isto é, privilegiamos a análise histórico-cultural. Até aí, todos estamos de acordo; mas algumas correntes mais radicalizadas da Teologia da Libertação baseiam-se na análise marxista da realidade, sobretudo no conceito de luta de classes, para compreender a história e a sociedade.

O que distingue a Teologia do Povo é que ela privilegia o conceito de povo e não de classes e não toma a luta de classes como o princípio de interpretação da sociedade. Como dizia um dos impulsionadores desta corrente, o Justino O’Farrell, ‘nem liberais, nem marxistas’”.

Professor do jovem Bergoglio

Scannone conheceu Jorge Bergoglio antes de este ser ordenado padre na comunidade dos jesuítas. Foi no tempo em que era “mestre”, como eram chamados aqueles que terminavam os estudos de Filosofia e se iniciavam na docência, ao mesmo tempo que continuavam a formação teológica.

Foi aí que chegou um jovem Bergoglio, a quem ensinava grego. “Não era o melhor da classe, mas estava entre os melhores”, recordou.

Passado o tempo e sendo ambos já sacerdotes, compartilharam mais de uma década de trabalho pastoral e intelectual em Buenos Aires.

Quando o cardeal argentino é escolhido como a máxima autoridade da Igreja católica, Scannone viajou a Roma para colaborar com artigos para a revista La Civiltà Cattolica, que é um órgão oficioso do Vaticano e cujo conteúdo é revisado pelo círculo próximo do Papa.

Atualmente, de volta a Buenos Aires, segue dando conferências e escrevendo livros, como o último – esgotado na Argentina – intitulado A Teologia do Povo: raízes teológicas do Papa Francisco.

Mudanças na Igreja

Ao ser indagado sobre as principais mudanças operadas pelo Papa na Igreja, à luz dessa teologia, Scannone disse: “Fala-se muito da sinodalidade da Igreja. Sínodo quer dizer ‘caminhar com’. O que se pretende é mudar a compreensão piramidal da Igreja, que começa com o papa e os bispos, segue com o bispo e os presbíteros e na base, os sacerdotes e os fiéis, para ser mais sinodal, caminhando juntos. Isso ajudará muito, caso o consiga, para o diálogo com as Igrejas ortodoxas, que têm um governo sinodal, e também com a Igreja anglicana, ou inglesa, como preferem ser chamados”. De todo modo, esclareceu que isso não muda o conceito de autoridade e de hierarquia na Igreja, “mas o modo de exercício”.

Também o consultamos sobre a mudança que houve em relação à abertura com os divorciados recasados: “Foi um passo muito importante. Na Exortação Amoris Laetitia (A Alegria do Amor) o Papa incorpora a questão do discernimento dos divorciados recasados e impulsiona que tenham um acompanhamento de um presbítero ou, inclusive, de um leigo”, disse.

Sobre o celibato obrigatório dos sacerdotes, Scannone disse: “Devemos distinguir entre o clero diocesano e o religioso. Nas comunidades religiosas o voto da castidade é essencial, tanto para homens como para mulheres, quer sejam presbíteros, irmãos ou irmãs. No clero, nem sempre foi obrigatório e há ritos orientais que ordenam sacerdotes casados. Da mesma maneira, até agora não foi modificado”, concluiu.

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