Depois da viagem para o Egito, as críticas ao papa, entre má-fé e mística. Artigo de Massimo Borghesi

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02 Maio 2017

“Diante do ‘milagre’ realizado pelo papa no Egito, não pode deixar de surpreender o fechamento e a aspereza daqueles que, dentro da Igreja, fizeram da oposição a esse papa uma profissão. Diante de uma viagem que eles prognosticavam como prova de cedimento de Bergoglio ao Islã, decepcionados com as expectativas, voltaram-se para outros assuntos, para poder difamar aquilo que, aos olhos de todos, apareceu como um sucesso.”

A opinião é do filósofo italiano Massimo Borghesi, professor de Filosofia Moral na Universidade de Perugia e de História do Ateísmo na Pontifícia Universidade Urbaniana, em artigo publicado por Vatican Insider, 30-04-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A viagem do papa ao Egito foi, de qualquer ângulo que se queira julgar, um sucesso. Francisco embarcou em sua viagem a três semanas dos massacres do Domingo de Ramos, em Tanta, ao norte do Cairo, e em Alexandria. Ele o fez perfeitamente consciente dos riscos para a sua incolumidade. Foi recompensado com uma acolhida calorosa, repleta de gratidão por parte dos cristãos coptas ortodoxos, católicos, pelos próprios muçulmanos.

O encontro com o presidente Abdel Fattah al-Sisi, o grão-imã de Al-Azhar, Ahmed al-Tayyib, e o patriarca copta Tawadros foi um evento histórico. Na Conferência Internacional sobre a Paz, promovida pela Universidade Islâmica de Al-Azhar, o papa falou com força contra a legitimação da violência por parte da religião.

“Ele – disse Francisco – é Deus de paz, Deus salam. Por isso, só a paz é santa, e nenhuma violência pode ser perpetrada em nome de Deus, porque profanaria o seu Nome. Juntos, a partir desta terra de encontro entre Céu e terra, de alianças entre as nações e entre os crentes, repetimos um ‘não’ forte e claro a todas as formas de violência, vingança e ódio cometidos em nome da religião ou em nome de Deus. Juntos, afirmamos a incompatibilidade entre violência e fé, entre crer e odiar. Juntos, declaramos a sacralidade de toda vida humana contra qualquer forma de violência física, social, educativa ou psicológica.”

Colocadas na terra do Egito, essas palavras, ditas por um papa que sempre distinguiu entre o Islã e as suas patologias, ressoaram como um apoio a todos aqueles que, no mundo muçulmano, não se reconhecem na brutalidade do terrorismo religioso. Um apoio, acima de tudo, ao presidente Al-Sisi e ao imã Al-Tayyib, no seu esforço para purificar, também no campo da educação, o Islã dos seus desvios.

Há apenas um mês, a Universidade de Al-Azhar publicou uma declaração sobre a cidadania e a coexistência, um documento de grandíssima importância em que se dissociam, pela primeira vez, os direitos de cidadania, iguais para todos, da pertença religiosa. Um documento que se segue àquele igualmente importante dos ulemás de Marrocos, sobre a apostasia, no qual é reconhecida a liberdade de mudar de fé religiosa sem incorrer em penalidades de caráter civil.

O mundo islâmico, atingido pela violência do fundamentalismo islâmico, está em movimento. A visita do papa ao Egito certamente tinha entre os seus objetivos o de apoiar esse “movimento”, de encorajá-lo a fim de reencontrar o rosto do Deus da misericórdia, o único que permite o encontro, o diálogo, o respeito entre todas as comunidades religiosas, sem nenhum sincretismo.

Da mesma forma, o papa peregrino quis apoiar a Igreja Copta-Ortodoxa, vítima dos ataques e das perseguições. De modo particular, depois da defenestração da Irmandade Muçulmana do ex-presidente Morsi. O seu apoio se coloca dentro do “ecumenismo do sangue”, que, depois de séculos de distâncias, vem abatendo agora os muros de indiferença que separavam os coptas ortodoxos dos católicos.

Como disse Francisco, “quantos muitos mártires nesta terra, desde os primeiros séculos do cristianismo, viveram a fé heroicamente e até o fim, derramando o sangue em vez de renegar o Senhor e ceder às tentações do mal ou mesmo apenas à tentação de responder o mal com o mal. Bem o testemunha o venerável Martirológio da Igreja Copta. Ainda recentemente, infelizmente, o sangue inocente de fiéis inermes nos une”.

Essa comunhão espiritual alcançou agora um marco de grandíssima importância. Francisco e Tawadros II assinaram uma declaração conjunta que reconhece um único batismo para as duas Igrejas e se empenha a superar o costume, válido na Igreja copta dos tempos modernos, de rebatizar aqueles que provinham do catolicismo. O caminho da união fraterna, assim, realmente foi traçado.

Desse modo, a viagem de Francisco abriu o olhar do mundo a um modelo possível de coexistência amigável entre muçulmanos e cristãos e sobre a comunhão entre católicos e ortodoxos. Uma espécie de milagre que ganhou vida em uma terra, o Egito, que representa desde sempre um farol de civilização para o mundo islâmico e um exemplo, de fato, de coexistência entre muçulmanos e cristãos.

Diante desse “milagre”, não pode deixar de surpreender o fechamento e a aspereza daqueles que, dentro da Igreja, fizeram da oposição a esse papa uma profissão. Diante de uma viagem que eles prognosticavam como prova de cedimento de Bergoglio ao Islã, decepcionados com as expectativas, voltaram-se para outros assuntos, para poder difamar aquilo que, aos olhos de todos, apareceu como um sucesso.

Na galeria de acusações, destaca-se o uso da frase: “É melhor não crer do que ser cristãos hipócritas”, feita pelo papa no estádio diante dos coptas católicos. Uma frase que documentaria uma banalidade anticristã, uma ofensa àqueles que arriscam a vida pelo nome de Cristo. Os críticos impagáveis esquecem aqui de recordar que o cristão “hipócrita” certamente não arriscaria a sua vida, e que o grito contra os fariseus “hipócritas” ressoa constantemente no Evangelho. Os críticos impagáveis não lembram que, sobre o ecumenismo do sangue, sobre o sacrifício dos mártires cristãos, o papa falou longamente diante do Patriarca Tawadros.

Há ainda aqueles que criticaram o papa pelas suas “banalidades” sociológicas, por ter afirmado: “Para evitar os conflitos e edificar a paz, é fundamental se esforçar para remover as situações de pobreza e de exploração, onde os extremismos crescem mais facilmente”. Aqui também o crítico profissional esquece, ou finge esquecer, uma verdade óbvia, isto é, que nas favelas, nas situações de marginalização, de gueto étnico, amadurecem facilmente ódio e ressentimento, caldo de cultura de toda loucura, até mesmo a religiosa. Todas essas considerações são, porém, banais.

O que chama a atenção nos críticos impagáveis, depois de uma viagem tão arriscado e difícil por parte do pontífice, é o cuidado do “detalhe”. Não podendo difamar o papa pelo conjunto, por causa do sucesso, não podendo acusar de “heterodoxia”, deslocam a atenção para o “particular”. Desviam a atenção, retiram uma frase individual do contexto e apresentam Francisco como um tolo, um perigoso progressista, um perigo para a Igreja. O papa acaba de assinar um ato histórico de reconciliação com o Patriarca Tawadros, e eles apresentam Bergoglio como uma ameaça. Nem uma única palavra sobre a superação do duplo batismo, nem uma palavra sobre o ecumenismo do sangue, nem uma palavra sobre o abraço, sem sincretismos, com o imã Al-Tayyib, não uma única palavra sobre o respeito e a admiração diante de um papa que disse abertamente, na sede da Conferência Internacional sobre a Paz; “Eu sou cristão”.

Tudo isso, para os críticos profissionais, não significa nada. De tudo isto, não é preciso falar, porque corre o risco de desmentir a imagem que eles propagandeiam do papa. Então, eis a estratégia do “detalhe”: trazer para o primeiro plano um fragmento e esconder o todo. Essa operação, sem recorrer a Sartre, tem um nome: má-fé. Quem opera sistematicamente desse modo, quem nunca se deixa interrogar por aquilo que realmente acontece, é de má-fé. Deve defender, a priori, um ponto de vista que não é capaz de reconhecer como o Espírito atua hoje na história.

A má-fé é o pré-julgamento que bloqueia toda razão crítica. A fonte dela é dupla. Uma, de ordem ideológica, é mais óbvia. Aqueles que sistematicamente se opõem ao papa fazem isso, principalmente, porque se colocam em um âmbito político reativo, que gostaria do choque aberto com o Islã e que se opõe à questão social em todas as suas manifestações. Toda referência a esta última parece ser como uma posição pró-marxista. A Igreja lamenta aqui o esquecimento da doutrina social que, depois de 1989, foi colocada novamente no sótão.

A outra fonte da crítica sistemática é de ordem mística. Representa um mistério o fato de alguns que se professam “católicos” poderem realmente pensar que o pontífice é uma figura do Anti-Cristo. Essa fé, defendida pelos profetas da desgraça, tem, na sua origem, algo de enigmático. Os profissionais da crítica papal não são apenas conservadores radicais que vão contra a tradição. São também místicos, defensores de uma mística negativa, sugerida por profetisas e pelos raios sobre São Pedro, para os quais as trevas da noite caíram sobre a Igreja, e o apocalipse é iminente. Místicos do negativo que não veem nem a graça que acontece, nem as verdadeiras tragédias que pairam sobre o nosso tempo.

Acostumados à má-fé, a usar o detalhe para esconder a verdade do todo, os críticos são sobrecarregados pelo seu próprio método. Não têm mais olhos nem para a graça nem para o pecado. Veem o pecado lá onde resplandece a graça de um testemunho que surpreende o mundo e veem a graça em uma crítica negativa que dissolve a credibilidade cristã e a confiança na Igreja. A sua obsessão é jogar lama, todos os dias, sobre o sucessor de Pedro. Uma doença da alma, além da mente.

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