As "bufadas" de Dom Charles Chaput sobre o Papa Francisco e a Amoris laetitia

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06 Março 2017

Francisco “está sendo papa de uma forma que é muito diferente da de seus antecessores, e isso tem confundido as pessoas. O papa deve estar ciente dessa confusão, e eu acho que ele tem uma responsabilidade de responder a isso”. A afirmação, em uma longa entrevista concedida ao site católico estadunidense Crux, é de Dom Charles Chaput, arcebispo da Filadélfia. O prelado falou sobre o estado da cultura estadunidense e sobre o sentimento cristão nos Estados Unidos, tocando, portanto, os temas sobre os quais mais se discute no Vaticano, especialmente depois do duplo Sínodo sobre a família.

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no sítio Formiche, 05-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Como se sabe, está em aberto e é muito duro o debate sobre as conclusões daquela assembleia, especialmente sobre o capítulo oitavo da exortação Amoris laetitia, que abre para a reaproximação à comunhão por parte dos divorciados em segunda união.

As interpretações são múltiplas: há quem considere o texto claro ao dar a luz verde ao acesso ao sacramento – embora sob prévio discernimento e, mesmo assim, avaliando cada situação individual –, e quem, ao contrário, argumente que isso (com a doutrina em mãos) é impossível.

Chaput pertence ao segundo grupo: “Devemos tomar Jesus pela Sua palavra, e as Suas palavras sobre divórcio e novo casamento, sobre ser adúltero são muito claras. Isto é, simplesmente não há nenhuma dúvida sobre o que Jesus disse nos Evangelhos”.

“É impossível contradizer Jesus”

Com tais pressupostos, as consequências (de acordo com o arcebispo da Filadélfia) são claras: “Parece-me impossível contradizer as palavras de Jesus, e também é impossível que um ensinamento que era verdadeiro há 20 anos não seja mais hoje”. Especialmente quando se trata “do ensinamento do papa”. Por isso, “eu acho que devemos interpretar a Amoris laetitia à luz do que havia antes, principalmente das palavras de Jesus, mas, em segundo lugar, dos ensinamentos do papa, do Magistério da Igreja. Então, como pode ser verdade que as pessoas podem receber a comunhão quando estão vivendo em uma união adúltera hoje? Como isso é possível, se a Igreja diz que não é possível?”.

“O papa deveria responder às dubia”

Em suma, a posição de Dom Chaput é clara: “Os ensinamentos do Papa Francisco não podem contradizer os ensinamentos de João Paulo II quando se trata de um ensinamento oficial”. É natural, nesse contexto, a perguntas sobre as dubia levantadas pelos cardeais Brandmüller, Burke, Caffarra e Meisner a Francisco, em setembro passado, justamente sobre a Amoris laetitia. Bergoglio deveria responder ou não? “Sim”, responde com segurança o arcebispo da Filadélfia com segurança. “Eu acho que sempre é bom responder a perguntas.” Mesmo quando não vão na direção esperada? “Absolutamente.”

As interpretações opostas

Chaput é, talvez, o primeiro expoente da hierarquia estadunidense de um certo peso a se inclinar com os quatro cardeais signatários da carta enviada ao pontífice no fim do verão passado. Carta que, até hoje, ficou sem resposta. O perfil de Chaput, primeiro bispo indígena dos Estados Unidos, é conhecido: conservador e altamente influente na Igreja estadunidense, como demonstra a sua eleição como membro sinodal em 2015, ele também foi eleito pela assembleia sinodal como membro da comissão encarregada de preparar o Sínodo de 2018 sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

A entrevista concedida ao Crux confirma uma fissura profunda na Igreja sobre os critérios interpretativos do documento. Em janeiro passado, ao jornal Il Foglio, o cardeal Carlo Caffarra dizia: “Nesses meses, está acontecendo que, sobre as mesmas questões fundamentais referentes à economia sacramental (matrimônio, confissão e eucaristia) e à vida cristã, alguns bispos disseram A, e outros disseram o contrário de A. Com a intenção de interpretar bem os mesmos textos”.

“Francisco já respondeu”

No entanto, o secretário-geral do Sínodo, cardeal Lorenzo Baldisseri, não pensa assim: “Já foram fornecidas diversas respostas. Pessoas competentes pelo seu papel e pela sua autoridade também se expressaram. Eu não acho que seja necessário acrescentar algo a mais, a não ser reiterar que todas as respostas que são solicitadas já estão contidas no texto da própria exortação apostólica”.

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