Do encontro ibero-americano de teologia, um forte incentivo ao Papa argentino. Entrevista com o teólogo Juan Carlos Scannone

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25 Fevereiro 2017

Os teólogos arrumam as malas, os dirigentes dos movimentos populares ocupam o lugar que aqueles deixam. O jesuíta Juan Carlos Scannone considera que essa evidência significa que há um nexo. “Não é de estranhar que, imediatamente após o encontro e inclusive com muitos de seus participantes, o próprio Boston College tenha convocada os movimentos populares de Boston”. Scannone, junto com o teólogo argentino Carlos María Galli, diretor do Departamento de Teologia Sistemática da Pontifícia Universidade Católica de Buenos Aires e velho amigo do Papa Bergoglio, e dois teólogos venezuelanos, Rafael Luciani, professor da Escola de Teologia e Ministério do Boston College, e Félix Palazzi, professor visitante do Boston College, foi um dos protagonistas do Primeiro Encontro Ibero-Americano de Teologia, realizado nos Estados Unidos. Não teme exagerar quando afirma que foi um êxito.

“Respondeu às expectativas que existiam”, afirmou a Tierras de América. “Mais ainda, superou-as, sobretudo pelo tom de calor “latino”, amizade e cordialidade que o caracterizou”.

A entrevista é de Alver Metalli, publicada por Tierras de América, 23-02-2017. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

No documento conclusivo, destacou-se a “urgência de colaborar com a pastoral e a teologia do Papa Francisco”. O que significa concretamente? Há outras ações que devem ser empreendidas nesta direção?

Estamos convencidos que a teologia ibero-americana pode e deve acompanhar teologicamente a pastoral e a teologia do Papa Francisco, sua tentativa de reforma da Igreja e de reformas na Igreja, e a missão humanizadora que o Papa está realizando da atual globalização. Em minha exposição destaquei três âmbitos prioritários, intrinsecamente interconectados entre si: a misericórdia como essência e substância do Evangelho, uma “Igreja pobre e para os pobres” e o discernimento eclesial.

Falou-se de “periferias como lugares teológicos”. O que significa?

O Papa afirma que a realidade inteira se vê melhor a partir das periferias (geográficas, pastorais, existenciais...), que a partir do centro. Acredito que isto também vale para a teologia. A teologia deve adotar essa perspectiva, colocar-se dentro da opção preferencial evangélica pelos pobres, os excluídos, as vítimas históricas, reproduzindo a visão misericordiosa de Jesus.

Boston e Estados Unidos não são precisamente uma “periferia”...

O importante é que, a partir dos Estados Unidos e de Boston, o Boston College como Universidade jesuíta se aproximou das periferias para lhes oferecer seu serviço e, por isso, convocou a esse grupo de teólogas e teólogos que vivem nas periferias e procuram refletir a teologia a partir delas, acompanhando assim o trabalho evangelizador do Papa Francisco. Por isso, não é de estranhar que, imediatamente após o encontro e inclusive com muitos de seus participantes, o próprio Boston College tenha reunido os movimentos populares de Boston - principalmente formados por migrantes hispânicos, não poucos deles indocumentados -, com a finalidade de lhes oferecer seu serviço como Universidade católica.

Nós, “teólogos, temos que ter o cheiro do povo e da rua”. Os que se reuniram em Boston são assim?

Se não temos “cheiro de povo e da rua”, desejamos ter. Sentimos que é muito importante a proximidade com o povo fiel em nossos respectivos lugares, em especial com o povo pobre e excluído da América Latina e o Caribe, assim como os hispânicos dos Estados Unidos.

Falaram de “migrantes como um grande sonho de nosso tempo”. Em um momento e no lugar em que estão sendo implementadas políticas restritivas contra os migrantes...

Precisamente quando difundem políticas restritivas em relação aos refugiados e migrantes, a teologia – com sua reflexão, estudo e ação – necessita dar suporte à voz do Papa, que nisso é a voz do Evangelho, que fala em favor dos que talvez hoje sejam os mais pobres e discriminados, uma das periferias mais cortantes. De alguma forma, pode se dizer que eles vêm “nos salvar” da globalização da indiferença que, lamentavelmente, vivemos e da autorreferencialidade como Igreja e como povos, na qual sempre podemos cair.

O novo presidente dos Estados Unidos esteve presente neste Primeiro Encontro Ibero-Americano? Quero dizer se de alguma maneira esteve presente sua sombra, a sombra de suas atitudes, de seus programas, de sua visão.

Talvez esteve indiretamente presente quando se tratava do sofrimento de refugiados e migrantes, e se reafirmava que é missão humana e cristã construir pontes e derrubar muros.

Os coordenadores do encontro de Boston foram quatro, dois venezuelanos (Rafael Luciani e Félix Palazzi) e dois argentinos, você e o padre Galli. Em algum momento, a visão se concentrou na Venezuela e na situação extremamente difícil que esse país está atravessando, com uma mediação vaticana que está praticamente congelada...

Não só dois dos organizadores do encontro eram venezuelanos, como também o encontro contou com a participação do cardeal Porras, arcebispo de Mérida, e de dom Biord, bispo de La Guaira. É claro que não poucas vezes a visão se dirigiu para a Venezuela, não somente com a oração, mas também com a reflexão teológica e pastoral. Foi uma visão cheia de admiração pela forma como Deus “passa” hoje por este país que está sofrendo e cujo povo, inclusive em condições extremamente difíceis, não perde a solidariedade e a esperança.

Quais serão os próximos passos? Há algo que possa antecipar?

Penso que o próximo passo deve ser a consolidação da rede teológica que começou a ser tecida em Boston, com a inspiração e apoio do Espírito do Senhor.

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