"Eles são como nós, merecem respeito": o desafio dos animais dentro da igreja

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21 Fevereiro 2017

“Os animais são criaturas de Deus”, afirma o Catecismo da Igreja Católica. Por isso, “os homens devem estimá-los. É de se lembrar com que delicadeza os santos, como São Francisco de Assis ou São Filipe Néri, tratavam os animais” (n. 2.416).

A reportagem é de Claudia Voltattorni, publicada no jornal Corriere della Sera, 14-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Portanto, não deveríamos nos admirar que cães e gatos (mas não só) possam entrar na igreja com os seus donos, assistir à missa e também receber a bênção. Isso acontece há muitos anos, em muitas igrejas na Itália. No livro das bênçãos, está prevista uma especial para eles, que, “por disposição da própria providência do Criador, participam de algum modo na vida dos homens, porque lhes ajudam no trabalho, ou administram os alimentos, ou servem de alívio”.

Assim, no dia 17 de janeiro, festa de Santo Antônio Abade, muitas paróquias celebram os melhores amigos do homem com festas e procissões. Na cidade, os protagonistas desse dia são especialmente gatos, cães, canarinhos e outros animais domésticos. Na zona rural, os cortejos são enriquecidos com cavalos, cabras, vacas, ovelhas. Isso uma vez por ano, quando, dentro da igreja ou na frente dela, (quase) tudo é permitido.

Os problemas surgem quando os fiéis querem levar o amigo de quatro patas à missa todos os domingos. Lá, mede-se a tolerância e o bom senso dos párocos (mas também dos donos de cães e gatos). Em Genzano, perto de Roma, depois de meses de confrontos, a situação explodiu com o pároco de Santa Maria della Cima, que denunciou um grupo de animalistas que, no domingo passado, 12, invadiram a igreja protestando contra a decisão de não deixar que uma senhora entrasse com os seus cachorros.

Eles gritavam: “Os cachorros também têm um coração!”. Ele conta que, há meses, a senhora leva os seus cães até mesmo para perto do altar durante a celebração.

Em Nápoles, uma noiva pediu para ser acompanhada pelo seu cachorro, porque “é a minha vida”. Permissão negada pelo Pe. Franco Rapullino, pároco de San Giuseppe a Chiaia. Mas, depois, ele teve que explicar que a sua decisão não se devia ao desprezo em relação ao cachorrinho, mas era “ditada pela excentricidade do pedido: é um episódio emblemático dos tempos em que vivemos, em que o desapego do ser humano é tamanho, a ponto de preferir a proximidade do um animal, até mesmo em uma ocasião solene como o casamento. Não se pode confundir os animais com as pessoas. Isso me dá medo”.

No fundo, é uma questão de bom senso, sorri o Pe. Luigi Veturi, pároco de San Giovanni dei Fiorentini, no coração de Roma, aonde qualquer pessoa pode levar cães ou gatos quando quiser: “Não há uma regra escrita – explica –, cada pároco decide com autonomia. Além disso, agora há uma sensibilidade diferente, isso é permitido um pouco por toda a parte. Mas certamente precisamos de bom senso e de respeito pelo lugar onde nos encontramos”.

Todos os domingos, ele tem cerca de 20 paroquianos que vão à missa com o seu cão. “Eu nunca tive problemas e, pelo menos duas vezes, celebrei casamentos com cães presentes”. No entanto, na noite de Natal, San Giovanni fica lotada de animais. “Aí sim há algum desconforto de vez em quando, porque às vezes chegam cachorros que não estão acostumados, e se cria um pouco de confusão”.

Mas a sua igreja é especial, foi a primeira da Itália a acolher animais durante as celebrações. O Pe. Luigi, de fato, é o sucessor do Pe. Mario Canciani, “padre animalista”, que, nos anos 1980, tinha aberto a sua paróquia todos os dias do ano para todos os tipo de animais de estimação, que ele abençoava com uma missa especial no dia 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis. “Na época, vinham de toda a cidade”, lembra o Pe. Luigi.

Hoje, outras igrejas permitem isso, e não causa mais espanto ver cães, especialmente, aos pés dos fiéis em oração. Por outro lado, conta-se que Paulo VI tinha consolado uma criança em lágrimas por causa da morte do seu cachorrinho, dizendo: “Um dia, vamos rever os nossos animais na eternidade de Cristo”.

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