"Houve os panfletos contra Wojtyla. No Vaticano, a coragem divide." Entrevista com John Allen

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07 Fevereiro 2017

“O aparecimento de cartazes antipapais em Roma não me admira: estamos em um mundo polarizado e em uma sociedade da comunicação que permite expressar por inteiro a polarização completa e também a estimula. Poderia acontecer que, amanhã, apareçam outros cartazes contra este papa ou contra o próximo”: é a opinião de John Allen, que por 16 anos foi correspondente em Roma e agora dirige o Crux, o maior portal estadunidense de informação católica.

A reportagem é de Luigi Accattoli, publicada no jornal Corriere della Sera, 05-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Mas o fato dos cartazes é sem precedentes...

Não totalmente. Quando o Papa Wojtyla fez a primeira Jornada Inter-Religiosa de Assis, em 1986, foram distribuídos panfletos em Roma, que o acusavam de heresia, e, antes do último conclave, também vimos, nos arredores do Vaticano, cartazes de parede que diziam: “Votem Turkson” [cardeal de Gana]. Devemos nos acostumar com a irrupção das novidades multimídia também em âmbito eclesiástico.

O que isso diz sobre a crescente oposição ao pontífice?

Há católicos escandalizados com as novidades trazidas por Francisco, mas o fenômeno não deve ser nem minimizado nem exagerado. Eu vejo que o favor da opinião pública tanto católica quanto geral em relação a este papa é muito alto: nos Estados Unidos é de 80%, semelhante ao que João Paulo II gozava e levemente maior ao que Bento XVI tinha.

Hoje, nos Estados Unidos, os descontentes com o Papa Francisco são mais do que na Itália?

Aqueles que estão descontentes com as razões da Igreja são, talvez, iguais, mas, nos Estados Unidos, são mais numerosos do que os descontentes italianos com a atitude anticapitalista de Bergoglio e com o seu favor à cultura ecológica.

Se os opositores do papa hoje não são mais numerosos do que no passado, no entanto, eles são mais ativos...

As diferenças são duas. A primeira é que os papas geralmente eram contestados pela esquerda, enquanto este é contestado pela direita, e isso torna a contestação mais interessante para a mídia. A segunda é que hoje cada contestação, contra um papa ou um político, tem mais canais para se expressar, e assim passa a ser mais visível, mesmo quando não é maior.

É arriscada uma comparação entre a contestação contra Bergoglio e a contra Trump?

É uma comparação instrutiva. Ambos são líderes fortes, ambos têm um apoio quase fanático em alguns setores da opinião pública e uma oposição igualmente acesa em outros. Ambos são polarizantes, de modo que não há em relação a eles muitas opiniões frias: ou são amados ou são odiados.

Talvez ambos cavalguem sobre a polarização?

Obviamente, eles seguem regras diferentes, um é pastor, e o outro, um político, mas, no fundo, são dois populistas: não se dirigem às elites, mas ao povo. E não se impressionam se não obtêm o consenso das elites.

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