Católicos americanos: Qual a nossa tarefa para os próximos quatro anos?

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23 Janeiro 2017

“O que devemos fazer nos próximos quatro anos está claro, embora não seja fácil. Devemos nos aprofundar em nossos ensinamentos sociais católicos para reestabelecer as nossas bases. Devemos ficar ao lado da classe trabalhadora, dos idosos, das crianças e dos pobres. Devemos formar alianças com os sindicatos e agentes comunitários, defendendo políticas públicas que digam “não” a uma economia da exclusão e da desigualdade”, afirma editoria da revista National Catholic Reporter, 20-01-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o editorial.

O simpósio realizado na Universidade Católica da América, em que um bispo e um cardeal partilharam o palco com sindicalistas e acadêmicos para explorar temas relacionados com a justiça social, foi um passo importante e oportuno para colocar novamente a Igreja dos EUA na relação certa com a cultura, especialmente com os trabalhadores, e debater temas essenciais à dignidade humana.

Após ler o relato de Julie Bourbon sobre a “Autonomia Errônea: a dignidade do trabalho” [1], promovido pelo Instituto de Pesquisa em Política Pública e Estudos Católicos da Universidade Católica da América, convidamos o leitor acessar o texto completo das falas proferidas por Dom Robert McElroy (de San Diego) e pelo Cardeal Sean O’Malley (de Boston). Para ouvir os demais discursos em inglês, o vídeo do evento pode ser encontrado aqui [2].

McElroy, que surgiu como o principal intérprete episcopal americano da visão econômica e de justiça social que o Papa Francisco vem defendendo, abordou não só a discussão no simpósio como também o diálogo que devemos ter enquanto comunidade de fé neste momento da história americana.

Com as audiências de confirmação dos nomeados para o gabinete de Donald Trump servindo como pano de fundo ao evento acadêmico, McElroy disse: “Estamos prestes a testemunhar nos Estados Unidos um retorno à política pública que se agiliza para estabelecer mecanismos de mercado dentro dos reinos sempre mais expansivos da vida nacional”.

As denúncias do mercado desenfreado são tão frias quanto os ensinamentos sociais católicos, e foram características centrais do magistério papal em “Populorum Progressio”, do Papa Paulo VI, passando pelos papas João Paulo II e Bento XVI. A eloquência singular de Francisco renovou a atenção sobre o tema. Ele disse que aqueles que defendem teorias econômicas de gotejamento e que supõem que os livres mercados e todo o crescimento econômico trazem uma maior justiça exprimem “uma confiança vaga e ingênua na bondade daqueles que detêm o poder econômico e nos mecanismos sacralizados do sistema econômico reinante”.

McElroy esboça o caminho a seguir: “A Igreja deve trabalhar nos próximos meses com os sindicatos, com os trabalhadores, com os idosos e empobrecidos para combater o imperialismo crescente dos mecanismos de mercado dentro da vida pública americana”.

Se o simpósio representou um passo na direção certa, ele também indicou a distância instaurada entre as lideranças atuais da Igreja e as convicções que certa vez eram óbvias para os membros da conferência episcopal. Em 1986, anos depois da consulta a teólogos e economistas, os bispos dos EUA emitiram uma carta pastoral – “Economic Justice for All” – que era um tratamento profundo dos tópicos trabalhados durante o recente simpósio. Em junho de 2012, com o país ainda sofrendo com a crise econômica de 2008, os bispos nomearam uma comissão para escrever uma declaração com o título provisório de

“A esperança do Evangelho em tempos econômicos difíceis: uma mensagem pastoral sobre o trabalho, a pobreza e a economia”. A iniciativa não teve um começo auspicioso.

2012 foi um ano de eleições presidenciais e o plano econômico dos candidatos republicanos, Mitt Romney e Paul Ryan, era cortar impostos, reduzir os gastos exceto na área da defesa, e levar adiante a privatização do sistema de seguridade social e assistência médica. Vários dos bispos não queriam que a mensagem emitida se tornasse demasiado política. Alguns advertiram contra criticar, implicitamente, as políticas orçamentárias republicanas. Dom Joseph Naumann, de Kansas City, pediu que a mensagem observasse a importância do setor privado na criação de emprego.

Quando apresentada na assembleia dos bispos em novembro, a declaração não foi aprovada por causa da oposição feita por uns bispos que lembraram a declaração de 1986. A nova declaração, na verdade, não fazia nenhuma referência à justiça econômica a todos (“Economic Justice for All”). O arcebispo emérito Joseph Fiorenza, de Galveston-Houston, denunciou a proposta pastoral de 2012 como uma traição ao ensino social católico.

Apesar de seu título, o documento de 2012 dedicava apenas uma única frase ao direito dos trabalhadores à organização.

“Temo que esta proposta, se não for alterada de um jeito tal”, irá prejudicar o histórico dos bispos americanos com respeito ao ensino social católico, disse Fiorenza. Ele [o documento] seria “satirizado” no mundo acadêmico católico, disse.

Muitos à frente da Igreja hoje ficariam felizes com uma declaração pastoral sobre o trabalho, uma declaração que não mencione os sindicatos e que dê as boas-vindas a uma maior dependência das forças de mercado. O Pe. Robert Sirico, que coordena o Acton Institute, destacado “think tank” pró-livre mercado, sabia que enfrentaria uma fraca reação episcopal negativa quando descreveu, no Twitter, a palestra de McElroy como “analfabetismo econômico posando como piedade”.

No evento realizado na Universidade Católica, Richard Trumka, presidente da AFL-CIO [sigla da Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais], advertiu que nos próximos anos “seremos testados”, e o melhor conselho veio do teólogo David Cloutier: “Organizar-se ou morrer”.

O que devemos fazer nos próximos quatro anos está claro, embora não seja fácil. Devemos nos aprofundar em nossos ensinamentos sociais católicos para reestabelecer as nossas bases. Devemos ficar ao lado da classe trabalhadora, dos idosos, das crianças e dos pobres. Devemos formar alianças com os sindicatos e agentes comunitários, defendendo políticas públicas que digam “não” a uma economia da exclusão e da desigualdade.

Notas

[1] https://www.ncronline.org/node/139111
[2] https://livestream.com/CatholicUniversity/events/6844103

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