Bolívia. Exumação do jesuíta Luis Espinal é suspensa

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Por: João Flores da Cunha | 11 Janeiro 2017

Foi suspensa a exumação do corpo do padre jesuíta Luis Espinal, que ocorreria no dia 9-01, em La Paz, na Bolívia. A decisão foi tomada pela promotoria boliviana, em função de questões processuais. A Companhia de Jesus se manifestou contrariamente à exumação.

Nascido na Espanha, o sacerdote Luis Espinal se mudou para a Bolívia em 1968, onde realizou trabalho humanitário e jornalístico. Ativista dos direitos humanos, ele combateu as sucessivas ditaduras militares que governaram o país durante os anos 1960 e 1970. Espinal foi sequestrado, torturado e assassinado por paramilitares em La Paz, em 1980.

A exumação, solicitada pelo Ministério Público, teria como objetivo ajudar na investigação sobre a sua morte. A intenção dos investigadores é realizar uma autópsia, que não foi feita na época do crime.

Em um comunicado emitido no dia 7-01 por representantes da Companhia de Jesus na Bolívia, a ordem havia manifestado seu desacordo com a exumação “em virtude do respeito com que deve-se tratar o corpo, tanto em vida quanto depois da morte”. A ordem também pediu que sejam esclarecidos os fatos que levaram ao assassinato de Espinal.

Um grupo de jesuítas compareceu ao Cemitério Geral de La Paz no dia 9-01 para fazer uma vigília e manifestar sua rejeição à exumação, antes da notícia de sua suspensão. O padre Oswaldo Chirveches, supervisor provincial, expressou “sérias dúvidas” sobre a contribuição que a exumação do corpo teria para as investigações sobre a morte de Espinal. De acordo com os jesuítas, há o risco de a exumação ser utilizada para fins que fogem ao objetivo da investigação. “Desconfiamos muito”, afirmou Chirveches.

Questões burocráticas foram o motivo alegado pelos oficiais para a suspensão da exumação: dois ex-militares investigados pela morte de Espinal não foram notificados sobre o ato. O acusado de ser o autor intelectual do crime é Jaime Niño de Guzmán, que à época era comandante da Força Aérea Boliviana.

Recentemente, o Ministério das Relações Exteriores da Bolívia tornou públicos documentos até então secretos sobre as diferentes ditaduras militares que governaram o país entre 1966 e 1979. Os arquivos mostraram que Espinal era vigiado pelas forças de segurança bolivianas desde 1972, no início do governo do general Hugo Banzer.

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