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10 Janeiro 2017

Será publicado nesta terça-feira nas livrarias italianas o livro In viaggio (Piemme Edizioni), o relato das viagens do Papa Francisco escrito por Andrea Tornielli, jornalista do La Stampa e coordenador do sítio Vatican Insider. Um diário do qual publicamos um trecho, com os bastidores, episódios inéditos e o relato ao vivo dos encontros de Bergoglio ocorridos no mundo a partir de 2013.

O trecho foi publicado no jornal La Repubblica, 08-01-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A primeira viagem africana de Francisco está destinada a se entrelaçar com o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que o papa convocou para março de 2015, anunciando, para o dia 8 de dezembro, a abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro.

Há meses, Bergoglio desejava fazer uma visita à África. Finalmente, no início de setembro, chegou o anúncio oficial da viagem, que irá levá-lo para o Quênia, Uganda e http://www.ihu.unisinos.br/noticias/550090-africa-central-a-tregua-do-papa-assinada-por-cristaos-e-muculmanos. A viagem está prevista para os dias 25 a 30 de novembro, com uma etapa final em Bangui, a capital da República Centro-Africana. Aqui, o papa tem como programa transcorrer uma noite, mas a questão é complicada por causa da instabilidade crônica do país.

A África Central, de fato, é um país esquecido pela comunidade internacional e martirizado por uma guerra civil envolta em motivações religiosas, onde os confrontos entre as milícias guerrilheiras dos dos ex-Seleka muçulmanos e dos anti-Balaka pró-cristãs estão, infelizmente, em pauta. Preocupa particularmente a instabilidade do bairro muçulmano “Km 5”, onde continuam os tiroteios com diversas vítimas, em particular em detrimento de cristãos que tentam voltar para as suas casas abandonadas.

A chegada de Francisco ao coração dos conflitos africanos a uma semana de distância do início do Jubileu da Misericórdia, no entanto, é uma ocasião propícia para um gesto marcante e significativo. A ideia foi proposta ao papa – que imediatamente a assumiu – pelo núncio Franco Coppola no fim do verão. Eis, portanto, que, no Ângelus do Dia de Todos os Santos, 1º de novembro de 2015, o papa irá declarae publicamente que quer antecipar o Ano Santo para proclamar o seu início precisamente na África.

“Para manifestar a proximidade de toda a Igreja a esta nação tão aflita e atormentada, e exortar a todos os centro-africanos a serem cada vez mais testemunhas de misericórdia e de reconciliação, no domingo, 29 de novembro, pretendo abrir a Porta Santa da catedral de Bangui, durante a viagem apostólica que eu espero poder realizar a essa nação.”

Não foge da atenção a passagem final dessa declaração: “Espero poder realizar...”. São palavras que atestam como a situação é delicada. Ninguém sabe o que está acontecendo nos bastidores, enquanto se completam os preparativos para a viagem. Ninguém pode saber que quem está desaconselhando o papa a viajar para a África Central não são nem as autoridades desse país, nem as forças da ONU que lá operam: o convite urgente a abrir mão da viagem chega ao Vaticano diretamente do governo francês.

É um momento dramático, tanto para a França quanto para a comunidade internacional: menos de duas semanas depois daquele Ângelus, no dia 13 de novembro, ocorrem os sangrentos atentados em Paris. Quem tenta dissuadir o papa são, sobretudo, os políticos, não os 2.000 militares franceses que se encontram na África Central, nem os 12 mil capacetes azuis da missão da ONU “Minusca” liderados pelo general muçulmano de origem senegalesa Keïta Balla, que assegura ser capaz de garantir a segurança na capital. Um colaborador próximo do pontífice diz: “Os militares franceses queriam que a viagem fosse feita e estavam muito felizes e orgulhosos de colaborar”.

Poucas horas antes dos atentados de Paris, no dia 13 de novembro, foi estipulado um acordo secreto: um pacto de não agressão assinado conjuntamente pelos grupos armados de matriz islâmica e cristã de Bangui, para fazer com que a visita de Francisco ocorresse sem incidentes. O documento traz as assinaturas de Abdoulaye Hissen pelos ex-Seleka muçulmanos e de Maksim Mokom pelos anti-Balaka pró-cristãos.

Tudo foi possível graças ao trabalho de mediação realizado pela Gendarmeria vaticana e pela Comunidade de Santo Egídio. De fato, foram o comandante da Gendarmeria, Domenico Giani, verdadeiro diretor da operação, e Mauro Garofalo, o responsável pelos assuntos exteriores da Comunidade de Santo Egídio, que em outras ocasiões já trabalhou em mediações de paz na África Central, que iniciaram uma negociação in loco.

“Junto com o comissário Luca Cintia da Gendarmeria, constituímos uma pequena força tarefa de quatro a cinco pessoas e tivemos vários encontros à noite nos bairros de maior risco de Bangui”, conta Garofalo. “Tentamos explicar que Francisco não vinha como político, mas como mensageiro de paz, e que a visita era uma oportunidade única para a reconciliação do país.”

No fim, os dois líderes adversários, Hissen e Mokom, disseram sim e – apesar de os milicianos também estarem divididos entre si – aceitaram estipular uma trégua.

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